Pássaros
cantam e encantam na 61ª Reunião Anual da SBPC
quarta-feira, 15 julho, 2009 17:04
(Agência SBPC)
– O canto dos pássaros foi destaque na conferência
“Sons da floresta”, realizada ontem (14/07)
pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(Inpa) Mário Conh-Haft na 61ª Reunião
Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC).
Na ocasião, o
pesquisador exibiu várias gravações
de sons de animais da floresta e explicou qual o papel desses
ruídos. “O barulho que ouvimos é de
animais se comunicando. Como ser vivo, ele também
tem a necessidade de compartilhar informações
com outros seres de sua espécie”, afirma Conh-Haft.
O som dos pássaros é
comparado pelo pesquisador a uma orquestra. De acordo com
ele, os animais seguem uma ordem e escolhem o momento, a
freqüência e o timbre para se fazerem ouvir.
“Para eles, não adianta cantar mais alto, pois
precisam ser escutados. Esse é o objetivo deles quando
emitem sons”, declara.
A real biodiversidade da floresta
amazônica também foi tema de explanação,
como por exemplo, a multiplicação das espécies
catalogadas após o estudo com os sons dos pássaros.
Antes, eram 1,3 mil tipos de aves na Amazônia. Mas
Conh-Haft explica que esse número pode duplicar,
pois apesar dos pássaros serem fisicamente iguais,
eles não possuem a mesma genética.
“Só foi possível
perceber essa diferença após o estudo dos
diversos tipos de sons que os pássaros fazem. Onde
nós achávamos que tinha uma espécie
só, descobrimos que tinham diversas. Assim, de 1,3
mil, o número de espécie pode chegar a três
mil”, explica o pesquisador.
Conh-Haft explicou que os sons dos pássaros da mesma
espécie também podem mudar de acordo com a
região onde eles se encontram. Para ele, essa variação
também pode ser resultado de uma diferença
genética, outra alteração que deve
ser levada em consideração para catalogar
espécies. “Além do som, há outras
formas de descobrir se o animal é ou não igual
ao outro”, diz.
Ao fim de sua apresentação,
o pesquisador exibiu o canto de um pássaro do Havaí,
denominado Kaua’i, extinto há 20 anos. Ele
demonstrou sua preocupação com as outras espécies
que ainda existem e aproveitou para fazer um apelo com relação
à floresta amazônica, que, segundo ele, é
incomparável a qualquer lugar do planeta.
“Temos uma riqueza
nas mãos e não damos o devido valor. Precisamos
ter consciência do que estamos desperdiçando
e tentar reverter um quadro que a cada dia só piora.
Não adianta nada achar a floresta linda e não
cuidar do que faz a beleza dela”, declara Conh-Haft.
Tharcila Martins, do Inpa,
para a Agência SBPC