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Agência
USP
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Exercícios
respiratórios são eficazes no tratamento
da asma em idosos |
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Exercícios
respiratórios ajudam a tratar idosos com asma
sexta-feira, 2 julho, 2010 19:19
Juliana Cruz
| Agência USP
Exercícios respiratórios
são eficazes e podem atuar como aliados ao tratamento
medicamentoso da asma na população idosa.
De acordo com uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP
(FMUSP), idosos asmáticos que se submeteram a um
programa regular de exercícios respiratórios
— em geral deixados em segundo plano — apresentaram
melhora no quadro clínico e na qualidade de vida.
O estudo Os efeitos
de um programa de exercícios respiratórios
para idosos asmáticos, de autoria de Ludmila Tais
Yazbek Gomieiro, consiste basicamente em praticar a respiração
diafragmática, com ênfase na parte baixa do
diafragma, para que a respiração se dê
de maneira mais correta: “No dia-a-dia não
enchemos nem esvaziamos o pulmão o quanto deveríamos”,
afirma. O programa de exercícios foi aplicado duas
vezes por semana, em sessões de uma hora, durante
quatro meses.
Os principais sintomas
da asma — tosse, falta de ar e “aperto”
no peito — se manifestam em crises desencadeadas,
normalmente, por estímulos físicos, emocionais
ou ambientais, como fumaça ou poeira. A limitação
física de idosos, consequência natural da maior
idade, facilita o desencadeamento desses sintomas, principalmente
quando uma atividade física, ainda que diária,
é realizada.
Além disso,
o envelhecimento torna a parede torácica mais rígida
e enfraquece os músculos respiratórios, entre
eles o diafragma, o que reduz a capacidade de respirar.
Assim, em função do medo da crise, a autoconfiança
dos idosos diminui e isso tem influência negativa
em sua vida social. “Eles ficam com medo de sair de
casa, de passear com os netos, de viajar, pois acham que
terão falta de ar ou uma crise e não terão
como serem socorridos, pois estarão em ambientes
desconhecidos”, explica a pesquisadora.
De acordo com o estudo,
houve um aumento das pressões inspiratórias
e expiratórias em decorrência do fortalecimento
da musculatura, ou seja, o pulmão passou a esvaziar
e a encher melhor. Isso diminuiu as limitações
físicas dos pacientes. “Subir ladeiras e escadas,
entrar no ônibus ou realizar atividades diárias
tornou-se mais fácil”, descreve Ludmila. A
necessidade do bronco-dilatador, conhecido por “bombinha”,
também diminuiu, bem como a quantidade de falta de
ar durante a noite. Em conjunto, esses resultados aumentaram
a qualidade de vida dos idosos, que passaram a se sentir
mais confiantes.
A pesquisa
No Brasil, o aumento da população com mais
de 60 anos e a ausência de estudos sobre exercícios
respiratórios como tratamento da asma para pessoas
com essa faixa etária foram fatores que levaram Ludmila
a pesquisar o tema. Entretanto, sua maior motivação
foram as aulas de atividades físicas para asmáticos
das quais participava. “Alguns alunos chegavam em
crise leve e nós conseguíamos reverter o quadro
só com os exercícios respiratórios.”
A maioria dos tratamentos
deixa de lado os exercícios ou, quando os utilizam,
fazem uso de aparelhos e válvulas inspiratórias,
o que os torna menos acessíveis. O programa de exercícios
desenvolvido por Ludmila não necessita de aparelhos
e o paciente pode praticá-lo sem sair de casa. “Se
a pessoa tiver disciplina e conseguir decorar o básico,
é possível fazer sozinha.” Além
disso, se praticados regularmente, podem ser coadjuvantes
no tratamento da doença.
O estudo teve a orientação
do prof. Pedro Francisco Giavina Bianchi Junior, do Laboratório
de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP.