|
|
| |
|
|
| |
Divulgação
|
|
| |
 |
|
| |
Projeto
de computação distribuída, que
conta com voluntários em cerca de 200 países,
identifica estrela de nêutron a 17 anos-luz da
Terra |
|
Einstein@Home
descobre pulsar raro
sexta-feira,
13 agosto, 2010 9:40
Agência FAPESP
O Einstein@Home, um
grande projeto de computação distribuída
que conta com voluntários de cerca de 200 países,
acaba de descobrir um pulsar raro e isolado com um campo
magnético muito pequeno. A descoberta foi publicada
nesta sexta-feira (13/8) na edição on-line
da revista Science.
Pulsares são estrelas
de nêutrons muito densas que emitem pulsos de radiação
eletromagnética. Denominado PSR J2007+2722, o pulsar
emite ondas de rádio de 40,8 hertz e foi identificado
a partir de dados obtidos pelo Observatório Arecibo,
em Porto Rico.
A análise feita por pesquisadores
ligados ao Eintein@Home indica que se trata de um tipo de
estrela cujos pulsos são extremamente longos. Segundo
os autores do artigo, o campo magnético e o eixo
de rotação do pulsar estão alinhados
e muito próximos.
O novo pulsar dá 41 voltas
em torno dele mesmo a cada segundo. Está localizado
na Via Láctea, a 17 anos-luz da Terra, na constelação
Vulpecula (Raposa).
Diferentemente de outros pulsares,
o PSR J2007+2722 está sozinho, sem a companhia de
outra estrela próxima. Segundo os autores do estudo,
o motivo é que o pulsar pode ser do tipo “reciclado”,
tendo perdido sua companhia. Ou, então, trata-se
de uma estrela de nêutrons jovem e que se formou com
um campo magnético menor do que o normal.
O Einstein@Home, lançado
em 2005, está sediado na Universidade de Wisconsin
em Milwaukee e roda a plataforma Berkeley Open Infrastructure
for Network Computing (Boinc). A maior vantagem do sistema
é contar com um potencial computacional imenso, de
mais de 500 mil computadores espalhados pelo mundo.
Os voluntários instalam
em seus micros um programa do Einstein@Home, que entra em
operação quando as máquinas não
estão sendo utilizadas por seus donos. Ou seja, o
sistema emprega o tempo em que os computadores estão
ligados e ociosos para formar uma grande rede e processar
a grande massa de dados colhida por radiotelescópios.
Os voluntários creditados
com a descoberta são Daniel Gebhardt, da Universidade
Mainz, na Alemanha, e o casal Chris and Helen Colvin, de
Ames, nos Estados Unidos, que identificaram o novo pulsar
a partir de dados processados pelo Einstein@Home.
Desde 2009, a iniciativa tem
processado sinais do radiotelescópio de Arecibo,
que é administrado pela Universidade Cornell. Cerca
de um terço da capacidade computacional atual do
Einstein@Home é direcionado para lidar com dados
derivados do observatório em Porto Rico.
“Este é um momento
emocionante para o projeto e seus voluntários, pois
prova que a participação pública pode
resultar na descoberta de coisas novas no Universo. Espero
que isso inspire mais pessoas a se unir ao projeto e ajudar
a descobrir outros segredos escondidos em meio a tantos
dados”, disse Bruce Allen, líder do Einstein@Home,
professor de física da Universidade de Wisconsin
e diretor do Instituto Max Planck de Física Gravitacional,
na Alemanha.
O primeiro pulsar foi descoberto
em 1967, coincidentemente na constelação de
Vulpecula.
O artigo Pulsar Discovery
by Global Volunteer Computing (doi: 10.1126/science.1195253),
de Benjamin Knispel e outros, pode ser lido por assinantes
da Science em:
www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.1195253.