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pesquisa aponta que uma inflamação é
capaz de amenizar outra mais grave |
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Veneno
de abelha pode ser usado para tratar artrite
segunda-feira,
23 agosto, 2010 21:09
Rafaela
Carvalho | Agência USP
Pacientes diagnosticados com artrite apresentam melhora
do quadro clínico quando são acidentalmente
picados por abelhas. Essa ligação, aparentemente
casual, conduziu a tese de doutorado apresentada à
Faculdade de Medicina (FM) da USP Efeito do veneno de abelha
na artrite induzida por antígeno em coelhos, defendida
pela médica Izabella Cordeiro Freire Saad Rached.
A pesquisadora conta
que a crença popular na ligação das
duas coisas é tão grande que há até
mesmo uma comercialização clandestina de veneno
de abelha para o tratamento de doenças reumatológicas.
“Os médicos são céticos com essa
relação, mas essa crença tem bastante
força. Por isso, resolvemos investigar.”
De fato, há uma ligação: a diminuição
da dor causada pela artrite está associada a um cortisol
chamado glicocorticoide. “É uma substância
endógena, ou seja, que o próprio corpo produz,
cuja quantidade aumenta para diminuir as inflamações.”
Dose certa
Segundo a pesquisadora, uma das dificuldades do trabalho
foi conseguir descobrir a dosagem certa de veneno de abelha
para ser utilizada no tratamento. “No começo,
não houve resultados, mas depois de muitas tentativas
chegamos à dosagem de 1,5 micrograma de veneno de
abelha por quilo de peso. Essa dosagem deveria ser aplicada
uma vez ao dia para, assim, apresentar ação
anti-inflamatória durante o período de análise.”
Para realizar o tratamento,
Izabella utilizou o caminho inverso. Após descobrir
a dosagem correta, aplicou o veneno na região subcutânea
do animal para mais tarde induzir a artrite. Dessa forma
era possível observar passo a passo a ação
do glicocorticoide. Izabella conta que a aplicação
do veneno provocava uma primeira inflamação
nos coelhos, estimulando a produção e liberação
do cortisol para que o processo anti-inflamatório
começasse a acontecer. Logo em seguida, a artrite
era induzida clinicamente nos coelhos, sendo assim a segunda
inflamação a acontecer.
A surpresa da pesquisadora
foi constatar que os altos níveis de glicocorticoide
na corrente sanguínea dos coelhos conseguiu atenuar
a inflamação provocada pela artrite. “A
inflamação causada pelo veneno de abelha aumentou
o nível do glicocorticoide endógeno e fez
com que a artrite, exercendo o papel de segunda inflamação,
perdesse força quando em sua atuação.
Isso mostra que o veneno de abelha pode servir como tratamento
preventivo contra a doença.”
Bloqueando a ação
do glicocorticoide, Izabella notou que os coelhos não
apresentaram melhora em seus quadros, o que comprovou a
importância do cortisol na pesquisa.