|
|
| |
|
|
| |
divulgação
|
|
| |
 |
|
| |
O
tratamento serviria para tratar lesões superficais
da região límbica do olho |
|
Célula-tronco
originária de polpa dentária trata lesão
ocular
segunda-feira,
23 agosto, 2010 21:27
Rafaela Carvalho
| Agência USP
Com informações Assessoria
de Comunicação Social do Instituto Butantan
Células-tronco
originárias da polpa do dente de leite podem curar
deficiências visuais. É o que mostra a pesquisa
realizada pela biomédica Bábyla Geraldes Monteiro,
do Instituto Butantan. O trabalho avaliou a eficácia
da atividade de células-tronco retiradas da parte
interna de dentes de leite ao tratar uma lesão na
região límbica dos olhos de coelhos. “É
o espaço entre a parte colorida e a parte branca
do globo ocular”, explica a pesquisadora. O procedimento
adotado busca reconstruir a córnea para, assim, restaurar
a visão.
A partir de setembro,
a técnica começará a ser testado em
humanos, em parceria com o Instituto da Visão da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em um
primeiro momento os testes serão aplicados em um
grupo de pacientes voluntários que já passaram
por cirurgia e não obtiveram resultados satisfatórios,
não podem receber enxertos de tecido e não
apresentam quadro infeccioso. Os testes devem demorar seis
meses e, caso a técnica apresente resultados satisfatórios,
poderá ser disponibilizada para a população.
A técnica desenvolvida
pela biomédica está descrita na dissertação
de mestrado Estudo da Plasticidade das Células tronco
de Polpa Dentária: Diferenciação e
Caracterização para Células do Epitélio
Corneano in vitro e in vivo, apresentada por Bábyla
ao Programa de Pós-Graduação Interunidades
em Biotecnologia (USP/IPT/Instituto Butantan). O trabalho
foi premiado durante o congresso oftalmológico Pan-American
Research Day – ARVO Annual Meeting, realizado neste
ano em Fort Lauderdale, Flórida.
A pesquisa, feita com
coelhos, partia da indução de uma lesão
clínica no animal. Essa lesão é perceptível
quando, na superfície do olho lesionado, enxerga-se
uma marca esbranquiçada. Para tentar curá-la
ou atenuá-la, as células da polpa dos dentes
foram cultivadas dentro de uma estufa, com um polímero
biodegradável que reagia à variação
de temperatura. Ao retirar essas células do calor,
a temperatura do conjunto diminuía e o polímero
se soltava da placa de cultura, com as células-tronco
aderidas a ele. “Assim, era possível transferir
essa membrana para o olho lesionado.”
Constatou-se que no
período de duas a três semanas após
o procedimento, a córnea apresentou diminuição
do aspecto esbranquiçado que evidenciava a lesão.
“Quando a lesão clínica era mais leve,
houve maior melhora. As lesões mais graves apresentaram
transparência parcial da córnea”, aponta
Bábyla. Passados cerca de três meses, a reversão
do quadro foi praticamente total nas lesões menos
graves.
Sem rejeição
A biomédica enfatiza a magnitude do projeto ao lembrar
que essa forma de transplante não apresenta rejeição.
“Pessoas que sofreram lesões na região
límbica por trauma, queimaduras térmicas ou
químicas ou até as que realizarão um
transplante de córnea em que houve rejeição
poderiam ser tratadas.”
O reconhecimento internacional
da pesquisa já conduz Bábyla para a tese de
doutorado, que trabalhará o mesmo assunto. Um dos
temas abordados será o aperfeiçoamento dos
procedimentos de reversão dos casos mais graves.
A pesquisa foi orientada pela bióloga e química
Irina Kerkis, do Instituto Butantan, e teve o acompanhamento
de oftalmologistas e pesquisadores da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), além da equipe do
Laboratório de Genética do Instituto Butantan.