|
|
| |
|
|
| |
divulgação
|
|
| |
 |
|
| |
Técnica
eficiente como cromatografia líquida, com mais
rapidez e menor custo |
|
Recursos
eletroquímicos ajudam a identificar cocaína
segunda-feira,
23 agosto, 2010 21:32
Felipe
Maeda Camargo | Agência USP
Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP resultou
em um método preliminar para identificar cocaína.
A técnica utiliza recursos eletroquímicos
e será útil na área de perícia
policial. “O objetivo é oferecer uma metodologia
mais específica para o teste preliminar de cocaína
apreendida pela polícia, já que o teste atual
é colorimétrico e oferece uma grande gama
de resultados falso positivos”, diz a química
Natália Biziak de Figueiredo, autora do trabalho.
Natália explica
que o teste colorimétrico usa uma solução
da substância química tiocianato de cobalto,
a qual, ao reagir com a cocaína, a torna azul. O
problema desse método é que ele também
torna outras substâncias azuis, como a procaína,
a heroína e a lidocaína, comumente utilizadas
na composição da cocaína como adulterantes.
Desse modo, a pesquisa
de Natália procurou providenciar uma forma mais eficaz
de distinguir a cocaína de outras substâncias.
Orientada pelo professor Marcelo Firmino de Oliveira, do
Departamento de Química da FFCLRP, Natália
criou, em sua dissertação de mestrado, dois
eletrodos que funcionam em uma célula eletroquímica.
Nela se mede o potencial elétrico para uma certa
substância química. “Uma das vantagens
desse método é que cada substância gera
um potencial específico, facilitando a distinção
da cocaína”, comenta.
Além disso,
a medição do potencial independe da quantidade
de cocaína e de outras substâncias que estejam
misturadas com ela. “No método colorimétrico,
muitas vezes não se consegue prender quem mistura
a cocaína com outros materiais, como a própria
farinha de trigo. Há casos em que o amido mascara
a droga e se tiver pouca cocaína, o amido pode camuflá-la”,
diz a pesquisadora.
Vantagens
Natália também destaca que o método
criado no estudo se mostrou tão eficiente quanto
a técnica mais avançada utilizada pela polícia,
a cromatografia líquida. Esta técnica é
usada em testes finais e envolve uma série de etapas
de preparação da amostra.
De acordo com a química,
o problema deste processo é que ele é complexo
e caro, pois exige grandes volumes de solventes. “A
cromatografia pode chegar a usar 4 litros (L), enquanto
o método eletroquímico usa em torno de 4ml
(mililitros)”, e acrescenta: “A técnica
eletroquímica é de mais baixo custo, já
que utiliza menos solventes, é mais simples de ser
executada e obtém o resultado de forma mais rápida,
chegando a ser 5 vezes mais rápido que a cromatografia
líquida”.
Apesar de sua eficiência,
o método ainda não está completo, pois
ainda é preciso realizar mais testes de validação
com a nova técnica. “Serão necessários
mais estudos para ver se outros fatores como temperatura
e pH [medida química que indica se uma solução
é ácida, neutra ou básica] interferem
nos resultados. A ideia é que seja usado futuramente
pela polícia científica”, relata Natália.
Célula
eletroquímica
Para o funcionamento do método, são usados
três eletrodos, um solvente para diluir a cocaína
ou outra substância em estudo (como a lidocaína
e a procaína) e uma célula eletroquímica.
Dos três eletrodos, um interage diretamente com a
cocaína e os outros dois completam o circuito da
célula eletroquímica. Houve a composição
de dois eletrodos que trabalham com a droga, sendo um deles
recoberto por um filme de hexacianoferrato de cobalto e
o outro, modificado com um Salcn de níquel. Tudo
no final é ligado a um equipamento que mede o potencial
elétrico na qual a corrente é gerada.
Na célula, a
cocaína sofre uma reação eletroquímica
com o eletrodo de trabalho, gerando uma corrente elétrica.
Essa corrente é medida pelo aparelho, que identifica
o potencial elétrico da cocaína e de outras
substâncias que participaram da reação.