quarta-feira, 29 dezembro, 2010 9:20
Superprevisão
do tempo? Pergunte ao Tupã
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Eduardo
Cesar/Ag.FAPESP |
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Um
dos maiores supercomputadores do mundo para previsão
de tempo e de mudanças climáticas é
inaugurado em Cachoeira Paulista. Equipamento permitirá
fazer previsões de tempo mais confiáveis,
com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade |
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Elton
Alisson | Agência FAPESP
de Cachoeira Paulista (SP)
O Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira
(28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos
Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o
supercomputador Tupã.
Com o nome do deus do
trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional
é o terceiro maior do mundo em previsão operacional
de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de
mudanças climáticas.
Não apenas isso.
De acordo com a mais recente relação do Top
500 da Supercomputação, que lista
os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro,
o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa
é a mais alta colocação já alcançada
por uma máquina instalada no Brasil.
Ao custo de R$ 50 milhões,
dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP
e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência
e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos
e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em
Wisconsin, nos Estados Unidos.
O Tupã é
capaz de realizar 205 operações de cálculos
por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados
que um computador convencional demoraria mais de uma semana.
Com vida útil
de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar
previsões de tempo mais confiáveis, com maior
prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando
o nível de detalhamento para 5 quilômetros
na América do Sul e 20 quilômetros para todo
o globo.
A máquina também
possibilitará melhorar as previsões ambientais
e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior
resolução – de 15 quilômetros
– com até seis dias de antecedência,
e prever com antecedência de pelo menos dois dias
eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas
que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São
Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.
“Com o novo computador,
conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados,
que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento
das previsões climáticas no país”,
disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação
do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência
FAPESP.
Segundo o pesquisador,
no início de janeiro de 2011 começarão
a ser rodados no supercomputador, em nível de teste,
os primeiros modelos meteorológicos para previsão
de tempo e de mudanças climáticas. E até
o fim de 2011 será possível ter os primeiros
resultados sobre os impactos das mudanças climáticas
no Brasil com dados que não são levados em
conta nos modelos internacionais.
Modelo climático
brasileiro
De acordo
com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador
foi o primeiro equipamento comprado pela instituição
de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento
estrangeiro.
“Todos os outros
três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento
estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil.
O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar
esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”,
afirmou.
O supercomputador será
utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa,
instituições e universidades integrantes do
Programa
FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas
Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre
Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto
Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças
Climáticas.
Em seu discurso na inauguração,
Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico
da FAPESP, destacou a importância do supercomputador
para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito
do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas
Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos,
e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema
Climático Global (MBSCG).
“O modelo incorporará
os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera,
vegetação e ciclos biogeoquímicos,
entre outros), suas interações e de que modo
está sendo perturbado por ações antropogênicas,
como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo,
mudanças na vegetação e urbanização”,
disse.
A construção
do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores
do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições.
E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento
de modelagem climática sem precedentes em países
em desenvolvimento.
“Não tínhamos,
no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático
global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está
financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento
de um modelo climático brasileiro”, disse Brito
Cruz.
Na avaliação
dele, o supercomputador representará um avanço
na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças
climáticas globais, que são duas questões
estratégicas para o país.
Impossibilitado de participar
do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio
Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de
inauguração do supercomputador, em que declarou
o orgulho da instalação no Brasil do maior
supercomputador do hemisfério Sul.
“Com esse supercomputador,
o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de
monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra
no seleto grupo de países capazes de gerar cenários
climáticos futuros”, disse.
Mais informações:
www.inpe.br