segunda-feira, 23 janeiro, 2012 11:07
Biodiesel
de sebo bovino
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Roberto
Amaral | Esalq/Acom |
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Pesquisa avaliou o os
problemas do sistema agroindustrial do biodiesel cuja matéria-prima
é o sebo bovino.
A implantação do Programa Nacional de Produção
e Uso de Biodiesel (PNPB), em 2005, estimulou a produção
de oleaginosas a partir da agricultura familiar e a negociação
do biodiesel por leilões, impulsionando o desenvolvimento
da indústria de biodiesel no país.
Hoje, aproximadamente 80% da produção brasileira
de biodiesel provem da utilização do óleo
de soja, de 9 a 15% advêm do uso de sebo bovino, cuja
participação em 2009 foi quase seis vezes
superior à soma do uso da mamona e da palma.
Porém, a gordura bovina ainda é pouco associada
à produção de biodiesel, seja pela
incipiência de um mercado organizado para o sebo ou
pelas poucas informações acerca das transações
entre fornecedores e as plantas produtoras de biodiesel.
A fim de compreender os problemas encontrados no sistema
agroindustrial do biodiesel, especialmente no que se refere
ao uso do sebo bovino como matéria-prima, o economista
Gabriel Levy, da Escola Superior de Agricultura "Luiz
de Queiroz" (USP/ESALQ), buscou definir variáveis
que poderiam implicar maior eficiência à cadeia
do biodiesel e verificar se a integração vertical
é o regime de governança mais apropriado para
este setor. Na pesquisa, orientada pela professora Márcia
Azanha Ferraz Dias de Moraes, do Departamento de Economia,
Administração e Sociologia (LES), foi realizado
um estudo multi-caso com oito usinas de biodiesel no Brasil
que utilizam sebo bovino como matéria-prima.
De acordo com o pesquisador, o fato de o Brasil possuir
o segundo maior rebanho bovino do mundo, aliado ao baixo
preço da matéria-prima e ao alto aproveitamento
desta na produção de biodiesel (até
93%), podem explicar o desenvolvimento dessa indústria
no país. Além disso, Levy afirma que a utilização
desta fonte de matéria-prima de um lado permite a
expansão da produção sem a concorrência
com a produção de alimentos, e de outro pode
ser uma forma ambientalmente melhor de destinação
do resíduo. "O biocombustível revelou-se
um possível destino para o sebo, além dos
cosméticos, sabões e ração animal.
Assim, poderia resultar na menor geração de
danos ambientais, como contaminação de solos
e lençóis subterrâneos no despejo do
material no ambiente", explica.
Entretanto, a produção de biodiesel com sebo
bovino apresenta problemas na aquisição da
matéria-prima, pela falta de coordenação
na cadeia produtiva entre frigoríficos/graxarias
e usinas de biodiesel. "A falta de um mercado organizado
traz problemas referentes às oscilações
do preço deste produto, bem como sobre a qualidade
da matéria-prima, constituindo-se um ponto relevante,
visto que um material de má qualidade pode implicar
na geração de custos adicionais aos produtores
de biodiesel, pela necessidade de tratamento do sebo e purificação
dos resíduos pelas usinas. A maior consequência
do problema referido é a geração de
um combustível de má qualidade", afirma.
Integração
A pesquisa conclui que a integração vertical
pode ser considerada a estrutura de governança mais
apropriada para a produção de biodiesel a
partir de sebo bovino, dada a falta de padronização
existente. Levy explica que o sebo é um ativo com
especificidades técnicas e físicas, o que
atesta tanto a necessidade de criação de normas
técnicas para a padronização da matéria-prima,
como também a extensão do selo social ou criação
de certificação ambiental para o sebo bovino
a fim de melhorar a coordenação entre os agentes
das transações por meio de políticas
públicas, o que poderia estimular a diversidade de
matérias-primas além da possibilidade de abatimento
das emissões de gases poluentes pela atividade pecuária.
"A verticalização representaria um meio
de reduzir os riscos associados à baixa qualidade
do material, como também diminuir custos vinculados
à informação sobre o produto. Neste
sentido, a questão relacionada à informação
justifica a percepção de que a integração
vertical possa ser a configuração mais apropriada,
uma vez que internalizaria as transações e
reduziria os problemas relativos ao fornecimento. Assim,
não apenas traria modificações positivas
para ampliação do uso da matéria-prima
na produção do biodiesel, como também
possibilitaria alterações estruturais nas
formas de comercialização do sebo bovino",
conclui.
via Ana Carolina Miotto |
ESALQ/Acom