domingo, 18 abril, 2010 15:33
O
Lobisomem
Desde crianças
ouvimos várias histórias sobre lobisomens.
Cada uma mais diferente da outra, mas todas nos remetem
a um ser que é metade homem metade lobo e que em
noites de lua cheia se transforma e assusta (ou mata)
as pessoas. Diz a lenda que é possível derrotá-lo
somente com uma bala de prata.
A primeira notícia
da refilmagem do clássico de 1941 surgiu ainda
em março de 2006. A estréia estava marcada
para fevereiro de 2009, mas o longa só chegou mesmo
aos cinemas um ano depois. Durante esse longo período
foram divulgadas notícias, fotos e cartazes que
deixavam os fãs cada vez mais ansiosos criando
uma grande expectativa.
Uma expectativa frustrada!
O Lobisomem tem em sua primeira meia hora os momentos
de glória em que os espectadores realmente ficam
encantados com o que vêem na tela. Como o filme
se passa na Inglaterra em épocas antigas a fotografia
e o figurino são impecáveis. O tom obscuro
que é dado à produção é
algo fantástico. As cenas rodadas principalmente
na floresta nos dão medo já que além
de serem feitas no escuro ainda são cheias de neblina,
cenário ideal para um lobisomem atacar suas vítimas.
E é justamente
quando vimos pela primeira vez o lobisomem atacando as
pessoas em meio à floresta ou no acampamento dos
ciganos é que ficamos boquiabertos com os efeitos
especiais, com a rapidez dos movimentos da fera que mal
aparece nesse instante do filme nos deixando cada vez
mais curiosos.
Mas acredito que o
grande erro do filme, por incrível que pareça,
é mostrar nas cenas seguintes tudo que a gente
sempre teve vontade ver sobre um lobisomem, inclusive
os detalhes de sua transformação. Os efeitos
especiais são fantásticos nesse momento.
Mas quando o personagem já está transformado
o encanto acaba. É simplesmente um ator vestido
e maquiado como um bicho cabeludo que mais parece o Chewbacca
do Guerra nas Estrelas. Acaba totalmente o encanto e o
resultado de tantos efeitos no fim vira algo bem “humano”
que não convence.
Mas o pior é
sem dúvida o roteiro (Não
leia se não viu o filme). Várias
falhas acontecem aqui em minha opinião. Vamos enumerar
algumas...
O filme não
nos explica em momento algum por que a lua cheia é
capaz de transformar pessoas em lobisomens. E por que
em muitos momentos essas pessoas não se transformam
nesses monstros mesmo com a lua nessa forma, como na noite
em que Lawrence Talbot tenta matar seu pai com uma espingarda.
Por falar nisso porque uma bala de prata pode matar um
lobisomem? Por que o pai dos irmãos Talbot queria
matar toda a família? Por que bela Gwen Conliffe
interpretada por Emily Blunt esconde e defende o personagem
principal e até vai atrás de uma cigana
na tentativa de salvá-lo se depois de toda essa
“peleja” ela mesmo atira nele? E o que falar
da história contada pelo velho Talbot de como tudo
começou? Que criaturinha é aquela que mais
parece o Gollum do Senhor dos Anéis? E aquela luta
cheia de mordidas no fim do filme?
É lamentável
ver como um filme tão esperado seja cheio de falhas
e apesar de todos os efeitos usados não se torne
convincente. E o pior é que do jeito que termina
talvez tenhamos uma continuação monstruosa
dessa produção.
Nota
5