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Instituto Eu Quero Viver
quarta-feira, 14 abril, 2010 15:33

O Livro de Eli

   
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Uma reflexão sobre o fanatismo religioso e o poder da bíblia para o bem e para o mal

É interessante saber que muitas pessoas que assistiram a este filme tiveram a mesma impressão que eu. Em termos de fotografia e figurino, O Livro de Eli se parece muito com Mad Max uma das trilogias mais famosas do cinema lançada em 1979 e estrelada por Mel Gibson. Os cenários desérticos com estradas que parecem não levar a lugar algum, os veículos usados na produção e o ambiente empoeirado tem tudo a ver com Mad Max. Mas as semelhanças terminam por aí. O roteiro é totalmente diferente.

Denzel Washington estrela esse filme dirigido pelos irmãos Allen e Albert Hughes. Num mundo pós-apocalíptico Eli (Denzel) é um homem solitário que tem de proteger um livro sagrado que pode conter a resposta para salvação da humanidade, mas como todo herói tem seu algoz nessa história não é diferente e para poder obter o livro, um tirano prefeito de uma pequena cidade (Gary Oldman) fará de tudo, mesmo que para isso tenha de matar Eli.

Você deve estar pensando: "um filme que conta a história de um homem que tem de proteger um livro a qualquer custo, arriscando o tempo todo sua vida pra isso"? Sim, é exatamente isso que acontece. E olha que o personagem principal sofre muito pra proteger esse livro. Leva tiros, é torturado, mata muitas pessoas, passa fome e frio, anda quilômetros de distância, suporta as tentações que lhe são oferecidas e outras coisas mais. E tudo por causa do livro!

E este livro é uma simples bíblia. A questão é que neste "futuro" ele é o único exemplar que sobrou num mundo destruído. Isso significa que quem tem este livro pode controlar toda a humanidade devido ao conteúdo existente nele.

E é exatamente isso que funciona bem em "O Livro de Eli". O roteiro nos faz refletir sobre o "poder" da palavra de Deus na vida da humanidade. Independentemente de crenças, o filme nos remete a uma questão: quantos líderes espirituais fazem uma verdadeira lavagem cerebral nos "fiéis" quando usam a bíblia como embasamento para isso? É claro que quando usado para o bem, como o próprio filme nos mostra, este livro pode significar esperança para a humanidade. E é nesse sentido que essa reflexão é feita. A Bíblia, por incrível que pareça, pode ser usada para o bem ou para o mal quando em mãos erradas.

Mas além de provocar um debate aprofundado nesse assunto, O Livro de Eli também diverte. Mesmo não fazendo sua melhor atuação, Denzel Washington cumpre bem o papel de herói apocalíptico e Gary Oldman, que também não faz seu melhor papel, faz bem o vilão do filme. Os efeitos especiais também são interessantes, mesmo não sendo exagerados. Exageradas mesmo são as brigas em que Eli se mete. Ele, apenas ele, consegue matar todos que estão à sua volta em apenas alguns segundos e usando apenas uma espécie de facão afiado. E com um detalhe: ele nem se machuca no meio da confusão. Mas isso talvez seja explicado pela "proteção divina" que também é detalhada na própria Bíblia, com vários "heróis bíblicos". Deus estaria ao lado de Eli assim como esteve com Moisés, Davi, Noé, Sansão, Jó e uma série de outros. Se pensarmos por este lado, os exageros são até aceitáveis.

O Livro de Eli é mais que diversão. Levanta uma polêmica com relação ao "fanatismo religioso" e serve como base para debates nesse sentido. Não é uma obra de arte do cinema, mas no seu propósito, consegue agradar.

Nota 7

 

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