segunda-feira, 6 fevereiro, 2012 11:42
Os
descendentes
Cada vez que assisto aos filmes
que foram indicados ao Oscar 2012, tenho mais convicção
de que este ano a Academia está menos exigente
que nas edições anteriores.
Falo isso porque na lista principal
estão ótimos filmes, mas que são
produções mais simples e pra muitos críticos
e cinéfilos, apenas "bonitinhas", digamos
assim. Não que sejam ruins, mas em minha opinião,
não são tão excelentes a ponto de
serem escolhidas como as melhores do ano.
É o caso de Moneyball
(O Homem Que Virou o Jogo), Meia Noite Em Paris e Os Descendentes.
Este último é o favorito a levar a estatueta
mais cobiçada da sétima arte.
O filme conta a história de Matt King interpretado
por George Clooney. Ele é um marido indiferente
e pai de duas meninas, que é forçado a reexaminar
seu passado e abraçar seu futuro depois que sua
esposa sofre um acidente de barco em Waikiki. O trágico
acontecimento acaba por aproximar Matt das filhas, o que
o ajuda na difícil decisão de vender um
terreno herdado da família.
Logo no início da produção somos
apresentado à esposa de Matt que em uma breve cena
aparece em uma lancha sorrindo em alto mar com uma forte
brisa no rosto. Em poucos segundos a cena acaba e através
de uma ótima introdução narrativa
do personagem de Clooney, percebemos que no Havaí
não existem apenas pessoas que estão com
a vida ganha, se divertindo no paraíso, na paz
e na tranquilidade. Ali têm gente que passa por
problemas como em qualquer lugar do mundo. E Matt é
uma dessas pessoas que se vê arrependido pelo que
foi no passado com sua família e que pretende mudar
de vida, mesmo que talvez seja tarde demais.
Diferentemente de magníficas produções,
como o ótimo e culto "A Árvore da Vida",
concorrente deste na premiação, "Os
Descendentes" tem um roteiro muito simples, que explora
uma situação comum e que pode acontecer
na vida de qualquer pessoa. Mas é justamente por
esta forma simples, mas bem contada e interpretada, que
o filme consegue atrair o expectador que acaba se envolvendo
com o drama vivivo pelo pressionado Matt.
E um dos grandes motivos para o sucesso deste filme é
sem dúvida o talento de George Clooney que faz
aqui um dos melhores papéis de sua carreira. Ele
encarna um paizão que quer tirar o atraso da convivência
com suas filhas e o esforço dele pra que isso aconteça
é um dos melhores atrativos da produção.
Ao mesmo tempo, preocupado com o futuro de sua família
após o acidente de sua esposa, ele se vê
numa situação extremamente complicada e
desagradável ao descobrir algo que aparentemente
apenas ele não sabia. E a cena de Clooney correndo
pelas ruas de sua cidade de bermuda e chinelo é
cômica.
Mas além de Clooney, as outras interpretações
também são eficazes. O garoto meio retardado
interpretado pelo jovem ator Nick Krause acaba nos agradando
com o tempo. As filhas de Matt interpretadas por Amara
Miller e a mais velha e ótima Shailene Woodley
também são muito eficazes. E até
mesmo a esposa em coma, feita pela atriz Patricia Hastie,
é muito convincente, mesmo aparecendo totalmente
imóvel e sem falar uma palavra em suas aparições.
O filme é dirigido por Alexander Payne que repete
a mesma fórmula de Sideways (Entre Umas e Outras),
que recebeu cinco indicações no Oscar de
2005. E a fórmula é a simplicidade que destaquei
no início de minha análise. Payne faz uma
direção eficaz, mas totalmente discreta.
Será que ser simples demais e contar algo comum
é o novo segredo para ganhar um Oscar? Veremos
no dia 26 de fevereiro.
Nota
8