quinta-feira, 26 janeiro, 2012 11:00
Universidades
federais, sistema bancário e bibliotecas públicas
Presidenta Dilma
conversa em sua coluna semanal sobre universidades federais,
regulação do sistema bancário e investimentos
em bibliotecas públicas
Joice Maria
de Ávila, 18 anos, estudante em Montenegro (RS)
– As universidades públicas são as
melhores do país, mas a UFRGS, por exemplo, exige
do aluno dedicação em tempo integral. Quem
trabalha tem que ir para as particulares. O governo pensa
em mudar isso?
Presidenta
Dilma – O governo federal já está
mudando o perfil das universidades federais, ampliando
o número de vagas e dando uma atenção
especial aos alunos de menos recursos. Uma de nossas grandes
preocupações é com a oferta de vagas
noturnas, para que o trabalhador brasileiro possa garantir
o sustento de sua família durante o dia. A própria
UFRGS já expandiu e continua expandindo a oferta
de vagas noturnas: em 2006, oferecia 735 vagas em 12 cursos.
Em 2012, serão ofertadas 1.283 vagas em 22 cursos
de graduação. Para ampliar as oportunidades
de acesso ao ensino superior, desde 2003, criamos 14 novas
universidades federais e 126 novos campi e, até
2012, vamos criar 20 novas unidades. Em 2007, as universidades
públicas federais ofereciam 139 mil vagas e, em
2012, serão 243 mil. Para os alunos de menor renda
e que precisam ir para uma instituição particular,
entre outras razões, para frequentar cursos noturnos
o governo federal criou o Programa Universidade para Todos
(ProUni), que concede bolsas de estudos. Nesta semana,
estamos completando a concessão de 1 milhão
de bolsas. O Financiamento Estudantil (Fies) é
outro programa criado para facilitar o acesso ao ensino
superior. Entre as vantagens, os juros são muito
menores que a inflação e o aluno só
começa a pagar 18 meses após a conclusão
do curso.
José
Antonio, 56 anos, lojista em Passos (MG) – Por que
as tarifas dos bancos estão tão elevadas?
Como o governo poderá evitar os abusos?
Presidenta
Dilma – José, temos trabalhado para
aperfeiçoar cada vez mais a regulação
do sistema bancário brasileiro, que já é
mais regulado que na maioria dos países. Dedicamos
especial atenção ao aprimoramento das normas
de proteção aos consumidores dos serviços
financeiros. Hoje, todo banco é obrigado a oferecer
gratuitamente um número básico de transações
relativas a saques, extratos e cheques. Em relação
aos serviços não gratuitos, uma das medidas
adotadas foi a padronização das denominações
e siglas dos serviços bancários, além
da descrição minuciosa do seu significado,
para facilitar a comparação das tarifas
cobradas. O Banco Central (BC) mantém na internet
a página http://www.bcb.gov.br/fis/tarifas/htms,
onde estão relacionados os valores que cada instituição
cobra pelos serviços. Os clientes podem comparar
os preços e dispor de base para negociar melhores
tarifas com seu banco. Outra importante inovação
foi a criação da portabilidade, que determina
que um banco tem que enviar os dados cadastrais, do crédito
e dos salários a outra instituição,
caso seu cliente decida mudar de banco. Isso aumenta o
poder de barganha do cliente. E, se houver descumprimento
das normas, basta entrar em contato com a ouvidoria da
instituição ou então acionar a Central
de Atendimento do BC pelo telefone 0800-9792345.
Janete Aparecida
de Albuquerque, 39 anos, professora em Portão (RS)
– O que o governo pode fazer para estimular a leitura
dos nossos jovens?
Presidenta
Dilma – Eu entendo a sua preocupação,
Janete, uma vez que considero a leitura fundamental para
o entretenimento, o aprendizado e a formação
cidadã. Por isso, queremos zerar o número
de municípios brasileiros sem bibliotecas. Segundo
dados do Censo publicados em 2010, havia 420 municípios
sem bibliotecas. Desse total, já enviamos kits
(acervo de livros, computador e mobiliário) para
384, restando 34 municípios que começarão
a receber os kits a partir de março. Temos também
o Programa Nacional Biblioteca da Escola, que estimula
a leitura entre professores e alunos através da
distribuição de obras de literatura, de
pesquisa e de referência. O Programa atende gratuitamente
as escolas públicas de educação básica
(até o ensino médio) cadastradas no Censo
Escolar. Em 2010 e 2011, foram distribuídos nas
escolas 16 milhões de livros e 23 milhões
de periódicos. Para os professores foram mais 7
milhões de livros. Destaco ainda o programa Arca
das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário,
que oferece livros a 8 milhões de pessoas do campo.
São 8,8 mil bibliotecas implantadas em mais de
3,2 mil municípios. O Arca das Letras conta com
17,5 mil agentes de leitura capacitados e atuando. Estamos
trabalhando fortemente para que todos os nossos jovens
tenham, cada vez mais, o hábito saudável
da leitura.
Fonte:
Secretaria de Imprensa da Presidência da República|Departamento
de Relacionamento com a Mídia Regional
[foto:
Arte sobre fotos de Roberto Stuckert Filho/PR e José
Cruz/ABr]