quinta-feira, 16 fevereiro, 2012 22:59
Efeito
estufa, micro e pequena empresa, biodiesel
Presidenta Dilma
conversa em sua coluna semanal sobre iniciativas para
reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito
estufa, políticas para as micro e pequenas empresas
e sobre produção de matéria-prima
para a fabricação de biodiesel
Rui C. B.
de Souza, 43 anos, comerciante em Belém (PA) –
O que o Brasil tem feito para reduzir de fato a emissão
dos gases do efeito estufa?
Presidenta
Dilma – Rui, nós tomamos várias
iniciativas para reduzir a emissão dos gases que
provocam o efeito estufa. Entre elas, destaco o fortalecimento
do combate ao desmatamento ilegal, uma das principais
fontes de emissão no Brasil. O desmatamento da
Amazônia, que tinha chegado a 27,7 mil km2, em 2004,
no ano passado foi reduzido para 6,2 mil km2, a menor
área desmatada dos últimos 22 anos. Com
o Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono, incentivamos
agricultores a adotarem sistemas produtivos sustentáveis
e medidas para a recuperação de áreas
degradadas. No Plano Agrícola 2011/2012, destinamos
para esse programa R$ 3,15 bilhões, com juros de
apenas 5,5% ao ano. Temos trabalhado também para
manter as nossas fontes de energia como as mais limpas
do planeta. Aliás, na Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2009,
em Copenhague, nosso país comprometeu-se, voluntariamente,
a reduzir em 36,1% a 38,9% as emissões projetadas
para até 2020. Poucos dias depois da Conferência,
esse compromisso foi incorporado na lei que instituiu
a Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Na última conferência sobre Mudanças
Climáticas, na África do Sul, em dezembro,
o Brasil seguiu na vanguarda, propondo um acordo de redução
das emissões que inclua todos os países
e que seja obrigatório. O que está em jogo
não é o futuro apenas do Brasil, mas de
toda a humanidade.
Gilson Gaigher
Junior, 34 anos, comerciante em São Mateus (ES)
– Qual a política do governo federal para
as micro e pequenas empresas?
Presidenta
Dilma – Nossa política, Gilson,
combina redução tributária, garantia
de acesso ao crédito e o fortalecimento deste importante
segmento da economia. Desde o início deste ano,
já estão em vigor as mudanças que
promovemos no Super Simples, para ampliar o número
de Microempreendedores Individuais (MEIs) e de empresas
beneficiadas. Para os MEIs, o limite de faturamento anual
passou de R$ 36 mil para R$ 60 mil; para as microempresas,
o novo limite passou de R$ 240 mil para R$ 360 mil; e
para as empresas de pequeno porte, de R$ 2,4 milhões
para R$ 3,6 milhões. Para estimular as exportações
os limites das micro e pequenas empresas foram duplicados,
desde que a metade do faturamento seja proveniente das
vendas externas. Além do mais, as micro e pequenas
empresas agora podem parcelar seus débitos tributários
em até 60 meses e evitar que sejam excluídas
do Super Simples. Lançamos também, em setembro
do ano passado, o Programa Nacional de Microcrédito
Produtivo Orientado (Crescer), que atende empreendedores
pessoas físicas e microempresários com faturamento
anual de até R$ 120 mil. O limite de financiamento
é de R$ 15 mil, e os juros, de apenas 8% ao ano.
Por meio do SEBRAE, o governo oferece informações,
assessoramento técnico e de gestão para
os empreendedores individuais e para as micro e pequenas
empresas.
Carlito B.
S. Amaral, 63 anos, aposentado em Maceió (AL) –
Nunca mais ouvi falar em agricultores familiares produzindo
matéria-prima para a fabricação de
biodiesel. Não deu certo?
Presidenta
Dilma – Ao contrário, Carlito, a
produção de matéria-prima pelos agricultores
familiares para as usinas de biodiesel tornou-se um excepcional
programa de inclusão social. O número de
estabelecimentos da agricultura familiar que participam
do Programa Brasileiro de Produção e Uso
de Biodiesel passou de 16 mil, em 2005, para 100 mil,
em 2010, e estima-se que tenha chegado a 110 mil, em 2011.
O faturamento dos agricultores também aumentou
de maneira exponencial, passando de R$ 68 milhões,
em 2006, para, segundo estimativas, mais de R$ 1,4 bilhão,
em 2011. Ou seja, cresceu 20 vezes em 5 anos. Esse crescimento
extraordinário da participação dos
agricultores familiares se deve, em boa medida, à
organização em cooperativas. O número
de cooperativas passou de 4, em 2006, para 70 atualmente.
No final de 2011, já havia no Brasil 56 usinas
de biodiesel e, destas, 37 possuem o Selo Combustível
Social (66%). O Selo é concedido àquelas
que compram dos agricultores familiares, diretamente ou
através de suas cooperativas, e lhes prestam assistência
técnica rural. Em contrapartida, essas empresas
passam a contar com benefícios tributários,
melhores condições de financiamento, participação
assegurada de 80% do biodiesel negociado em leilões
públicos, entre outras vantagens.
Fonte:
Secretaria de Imprensa da Presidência da República|Departamento
de Relacionamento com a Mídia Regional
[foto:
Arte sobre fotos de Roberto Stuckert Filho/PR e José
Cruz/ABr]