Venda de livros cresce 4,62%
e editoras faturam R$ 3 bilhões
Pesquisa encomendada pela Câmara
Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicado Nacional dos
Editores de Livros (SNEL) revela que o volume vendido em
2007 foi de cerca de 329 milhões de exemplares –
aumento de 6,06% em relação ao ano anterior.
O estudo foi realizado pela Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas da Universidade São
Paulo e registrou as livrarias como o grande ponto de vendas
do mercado. O comércio no porta a porta cresceu mais
de 90%.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicado Nacional
dos Editores de Livros (SNEL) divulgaram na manhã
desta quarta-feira os dados da pesquisa Produção
e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fipe
(Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Segundo o estudo, o Mercado Editorial brasileiro registrou
um faturamento de R$ 3,013 bilhões em 2007 –
um crescimento nominal de 4,62%, no comparativo com o ano
anterior. Descontada a inflação do setor (IPCA
educação, papelaria e leitura), de 4,18%,
o crescimento real foi de 0,44%. O volume de vendas alcançou
aproximadamente 329 milhões de exemplares, o que
representa um aumento de 6,06% em relação
a 2006.
A pesquisa inclui vendas para o mercado em geral e para
o governo federal. Apesar de as compras governamentais registrarem
queda de 0,67% ante 2006, o governo permanece como o maior
comprador do mercado, com investimentos de R$ 726,8 milhões,
ou cerca de 24% do total de vendas do setor. A boa notícia
é que o mercado comprou mais no ano passado, demonstrando
que o consumo de livros pela população também
vem crescendo. As vendas para o mercado totalizaram R$ 2,286
bilhões – um aumento de 6,41% no comparativo
2007-2006.
A presidente da CBL, Rosely Boschini, vê com otimismo
o resultado da pesquisa. “O mercado comprou mais.
Isso significa que a população tem lido mais,
resultado de uma série de ações voltadas
para a difusão do livro e promoção
da leitura”, explica a executiva. Outro dado interessante,
segundo a presidente da CBL, é o aumento no número
de títulos para o público infantil. “Isso
demonstra que temos um futuro promissor para o mundo do
livro e da leitura”.
Para Sonia Jardim, presidente do SNEL, dois aspectos da
pesquisa chamaram a atenção: o aumento no
número de exemplares produzidos e vendidos no ano
passado e a queda no preço médio do livro
vendido em 2007 (R$11,41) em relação a 2006
(R$11,61). Na avaliação da presidente do SNEL,
a queda no preço médio do livro foi motivada
por uma economia em escala por parte das editoras e pela
desoneração fiscal do setor. “Esta redução,
aparentemente pequena, torna-se maior se considerarmos a
inflação do período. A queda do preço
médio do livro tem um efeito positivo que pode ser
sentido tanto no bolso do consumidor quanto nos gastos do
governo”, ressalta.
No volume de exemplares vendidos, também houve crescimento
expressivo: 8,21% para o mercado, que comprou cerca de 200
milhões de livros, e de 2,89% para o governo federal,
que adquiriu aproximadamente 129 milhões de unidades.
Em relação ao número de títulos
editados em 2007, houve uma pequena queda de 2,3% em relação
ao ano anterior. Ao todo, foram editados 45.092 títulos
no ano passado, contra 46.025 em 2006. A redução
explica-se pela diminuição atípica
de títulos no segmento de Didáticos (-6,03%),
além de CTP – Científico Técnico
e Profissional, com queda substancial de 19,04% no comparativo
2007-2006. Em contrapartida, o segmento de livros Religiosos
editou no ano passado 27,98% mais títulos que em
2006, movimento que ocorreu também no setor de Obras
Gerais, com aumento de 10,82%.
Segmentos
Mas no setor de didáticos, apenas o número
de títulos foi menor. Dentre os segmentos que mais
se destacaram, estão justamente os Didáticos,
com faturamento de R$ 1,665 bilhão, mais da metade
do faturamento do setor. Incluindo mercado e governo, o
faturamento do segmento de Didáticos em 2007 cresceu
7,49%. O volume de exemplares vendidos foi de 199 milhões
– 8,26% a mais que em 2006. As Obras Gerais, que também
têm um peso relevante sobre as vendas, registraram
um faturamento de R$ 658,7 milhões – queda
de 1,67% em relação a 2006, quando as vendas
atingiram a cifra de R$ 670 milhões. Neste segmento,
o número de exemplares vendidos caiu 5,24% –
de 68,1 milhões em 2006 para 64,6 milhões
no ano passado. No segmento de livros Religiosos, as vendas
cresceram 12,8%, passando de R$ 242,1 milhões em
2006 para R$ 273,1 milhões em 2007. O volume de exemplares
vendidos saltou de 36,9 milhões para 43,4 milhões
– aumento de 17,66%. O segmento de CTPs (Científicos,
Técnicos e Profissionais) sofreu uma pequena queda
no faturamento (0,70%), de R$ 418,6 milhões em 2006
para R$ 415,6 milhões no ano passado. O volume de
exemplares vendidos, no entanto, cresceu 3,26%, de 21,5
milhões para 22,2 milhões.
Autores nacionais X livros traduzidos
Em 2007, a produção editorial brasileira foi
bastante superior a de livros traduzidos. Dos 45.092 títulos
editados no ano passado, 39.506 eram de autores nacionais,
contra 5.586 de estrangeiros. Em relação ao
número de títulos, houve queda tanto de autores
locais (-1,71%) quanto de livros traduzidos (-4,18%) no
comparativo 2007-2006. O número de exemplares de
autores nacionais subiu de 303 milhões em 2006 para
334,8 milhões no ano passado – aumento de 10,5%.
Já os exemplares de livros traduzidos tiveram uma
queda de 5,95% – de 17,6 milhões em 2006 para
16,5 milhões em 2007.
Leitores do futuro
O segmento de livros infantis parece ser a bola da vez no
mercado editorial. Em 2007, segundo o levantamento da Fipe,
o número de títulos editados na área
de literatura infantil cresceu 15,18%, com 3.491 obras,
ante as 3.031 editadas em 2006. No ano passado, o volume
de exemplares produzidos foi de 14,7 milhões –
também 15,18% a mais que no ano anterior, que foi
de 12,8 milhões. A literatura juvenil também
apresentou um crescimento representativo, saltando de 1.519
títulos editados em 2006 para 1.711 no ano passado.
Outro destaque foi o segmento de livros de Línguas,
com crescimento de 14,46% no número de títulos
editados.
Canais de Vendas
As livrarias continuam como o principal canal de comercialização
de livros no Brasil. Em 2007, o segmento respondeu por 47,69%
do total de exemplares vendidos para o mercado, ou seja,
cerca de 95,5 milhões dos 200,2 milhões de
livros vendidos. Em seguida, estão as vendas para
distribuidoras, com 21,58% de participação,
apesar da queda no número de exemplares vendidos
de 13,28% em relação a 2006. O porta a porta
também tem aumentado a sua participação
nas vendas do setor. Em 2007, este canal representou 9,61%
das vendas para o mercado, com 19,2 milhões de exemplares
vendidos, um crescimento de 91,37% ante o ano anterior,
que foi de 10 milhões.
A comercialização de livros para empresas
foi um dos destaques em 2007, com aumento de 237% nas vendas.
Ao todo, as empresas compraram 8 milhões de livros.
As vendas pela internet, apesar de ainda baixas (1,71% do
total), tiveram um crescimento de 285%, passando de 891
mil exemplares vendidos em 2006 para 3,433 milhões
no ano passado. Os supermercados praticamente dobraram o
volume de livros comercializados (98,77%), alcançando
4,5 milhões de unidades no ano passado. A venda conjunta
de livros e jornais também teve um aumento representativo
(110%), com 1,647 milhão de exemplares vendidos.