Mineiros
na Bienal Naïfs de SP
segunda-feira,
16 agosto, 2010 14:22
Com sete artistas mineiros,
Bienal Naïfs mapeia a estética da arte ingênua
pelo país, entre 19 de agosto e 12 de dezembro, em
Piracicaba (SP). Realização
do SESC São Paulo, mostra terá 111 obras,
Sala Especial e programa de arte-educação.
Criada em 1992 e consolidada
ao longo de sua trajetória como um evento referencial
para artistas plásticos, pesquisadores, colecionadores
e galeristas vinculados ao gênero, a Bienal Naïfs
do Brasil, iniciativa do SESC São Paulo, atinge sua
10ª edição em 2010. A mostra acontece
entre 20 de agosto a 12 de dezembro, na unidade SESC Piracicaba,
em Piracicaba (SP) e terá sua abertura oficial, no
dia 19 de agosto, às 20h, transmitida via internet,
pelo site www.sescsp.org.br.

André
Fortes
Sete artistas plásticos
mineiros expõem na mostra: Cor Jesus de O. Santana,
de Ouro Preto, Eliana Silveira de Andrade e José
Luiz Soares, de Belo Horizonte, Elizabeth M.M.C. dos Santos,
de Campanha, José Maurício Lúcio Gomes,
de Pará de Minas, José Raimundo Francisco,
de Pouso Alegre e Marconi Parreiras, de P. Leopoldo.
Ao todo, 111 obras selecionadas
vão proporcionar um recorte abrangente e atual da
produção artística caracterizada pela
estética naïf ou naïve, a chamada arte
ingênua, espontânea ou instintiva. A escolha
foi realizada por um júri formado pelos críticos
de arte Geraldo Edson de Andrade e Ricardo Amadasi, presidente
do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, Vilma
Eid, a partir de quase 800 trabalhos, enviados por 376 artistas
de 22 estados brasileiros.
Além disso, a
Bienal contará com a Sala Especial Arte Sem Fronteiras,
com curadoria da historiadora e crítica de arte Maria
Alice Milliet. E uma extensa proposta voltada para arte-educação,
que inclui ateliês abertos, oficinas, cursos, palestras,
visitas orientadas e apresentações artísticas.
“Passados quase
cem anos do início do diálogo entre a arte
erudita e popular no Brasil, cabe-nos perguntar quais os
possíveis significados que a palavra naïf pode
adquirir hoje, em um mundo cada vez mais afeito às
novas tecnologias. Com a 10ª edição da
Bienal naïfs, o SESC São Paulo promove esta
discussão e reafirma seu compromisso com a difusão
cultural, voltada para o exercício da fruição
estética, do pensamento e da transformação
social”, afirma Danilo Santos de Miranda, diretor
regional do SESC São Paulo.
Originária de
mostras anuais realizadas pelo SESC Piracicaba no período
entre 1986 e 1991, a Bienal hoje contribui decisivamente
com a construção deste traço tão
peculiar na identidade cultural do Brasil.
Obras selecionadas
Nesta edição
da Bienal, o público poderá ver obras como
“O Engenho” e “Montanhas”, do capixaba
Neves Torres; e “O Vendedor de Aipin” e “O
Ordenhador de Cabras”, do paulistano João Generoso.
Ambas obtiveram o Prêmio Destaque-Aquisição.
Para Vilma Eid, a escolha destes artistas reflete uma clara
opção pela poesia e pelo lirismo, como temas
cada vez mais raros neste início do século
XXI.
Também compõem
a mostra “Dança do beija flor” e “Cereia”,
de Carmézia Emiliano (RR); “Cidade de Interior”
e “Lembranças”, de Eliana Silveira de
Andrade (MG); “O Galo da Madrugada” e “Vamos
Tirar o Brasil da Gaveta”, de Euclides de Almeida
Coimbra (SP); “Marconi na Rua Marconi” e “Boi
na Mata”, de Marconi Parreiras (MG); e “Lixo
Homem”, de Milton Cardoso da Costa (RJ), todas contempladas
com o Prêmio Incentivo pela comissão julgadora.
E ainda “O Engolidor
de Sapo”, de Alencar Claret Duarte da Silva (SP);
“Exposição Comemorativa dos 44 Anos
da Pintura Brasileira” e “Fim de Tarde Num Certo
Bar com Música Da Lapa no Rio”, de Antonio
Fernando Vieira da Silva (RJ), “Tatu” e “Beija-Flor”,
de Antonio Francisco da Costa (CE); “Boca Grande”
e “Águia Gigante”, de David Augusto Sobral
(SP); e “À Macacadas” e “Derrubada
Proibida”, do mato-grossense Nilson Pimenta da Costa,
que receberam Menções Especiais.
Sala Especial
Batizada
de “Arte Sem Fronteiras”, a Sala Especial tem
curadoria da historiadora e crítica de arte Maria
Alice Milliet. Reunirá 56 trabalhos de artistas premiados
em edições anteriores – como Alex dos
Santos, Dalton Oliveira e Loizel Guimarães Silva
– e outros com carreiras artísticas consolidadas,
como Antonio Henrique Amaral, Alex Ceverny, José
Bezerra e Vânia Toledo e, que exploram linguagens
capazes de tocar o imaginário do homem contemporâneo,
sem recorrer a categorias como “arte popular”
ou “arte erudita”.
A proposta é
valorizar os artistas que foram revelados pela Bienal ao
longo destes 18 anos e mostrar como seus trabalhos dialogam
com produções já inseridas no mercado
de arte dos grandes centros urbanos.
Para Maria Alice Milliet,
a chegada do progresso ao interior do país fez com
que a arte naïf passasse a refletir uma outra realidade.
“O saudosismo explica a reiteração do
rural idílico, entretanto, já despontam manifestações
contaminadas pelo urbano, por conflitos sociais, pela percepção
da instabilidade do ser num mundo em constante mutação”,
afirma.
Arte-Educação
Paralelamente
à mostra, será realizada uma iniciativa educacional,
voltada para a democratização cultural e formação
de público. O módulo Arte-Educação
visa expandir o olhar dos interessados para além
dos trabalhos expostos durante a Bienal.
O projeto realizará
oficinas de capacitação para professores,
educadores, artistas e aos demais interessados, entre os
dias 12 e 14 de agosto. Para participar destes workshops
é necessário se inscrever gratuitamente pelo
telefone (19) 3437-9286, pelo e-mail bienalnaifs@piracicaba.sescsp.org.br
ou diretamente na unidade do SESC Piracicaba (Rua Ipiranga
155 – Centro – Piracicaba SP).
Veja a lista
dos Artistas
e Obras selecionadas
Bienal Naïfs
do Brasil 2010
Realização: SESC São Paulo
Exposição: 19 de agosto a 12 de dezembro de
2010.
SESC Piracicaba - Rua Ipiranga, 155, Centro – CEP
13400-480 - Piracicaba – SP.
Telefone: (19) 3437 9286 / 0800 77 00 445
Atendimento:
de terça a sexta das 14h às 21h e finais de
semana e feriados das 10h às 17h
E-mail: bienalnaïfs@piracicaba.sescsp.org.br / Site:
www.sescsp.org.br
Jéssica
Simões | Editor