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Documentários
revelam diferentes facetas de Fernando de Noronha
terça-feira,
24 agosto, 2010 18:21
O cotidiano e a realidade dos
moradores do Arquipélago de Fernando de Noronha (PE)
e os mais de cinco séculos de sua história
são os temas dos documentários "O Paraíso
é Isso!" e "Dossiê Noronha",
dirigidos pela jornalista Ana Paula Teixeira. Eles serão
exibidos na ilha no próximo sábado (28/08),
no auditório do Centro de Visitantes do Projeto Tamar
(Alameda Boldró), das 19h00 às 20h30, e o
acesso é gratuito ao público.
O vídeo "O Paraíso
é Isso" tem 30 minutos e mostra algumas dificuldades
enfrentadas pelos moradores da ilha, inerentes a situação
de isolamento, como, por exemplo: a questão da logística,
que acaba encarecendo os produtos, e a dificuldade de acesso
aos serviços de saúde. No Hospital de Fernando
de Noronha, faltam especialistas em algumas áreas
como ginecologia, obstetrícia e anestesia, gerando
um transtorno para os moradores, que precisam embarcar para
o continente a fim de realizar exames, consultas médicas
e cirurgias de média complexidade, inclusive partos.
Por outro lado, a administração tem dificuldade
para atrair profissionais da área de saúde
para a ilha, uma vez que o regime de trabalho seria de dedicação
exclusiva.
Outros problemas apontados no
documentário são os buracos nas estradas vicinais,
a coleta irregular de lixo e as poucas opções
de lazer. No entanto, há também aqueles moradores
que destacaram as oportunidades oferecidas em Noronha, a
segurança e a qualidade de vida. "Essa diversidade
mostra que o povo nordestino é versátil, pois
consegue administrar o cotidiano estando no sertão
ou ilhado em pleno Oceano Atlântico, a 365 km da costa
brasileira", analisou a diretora.
"O Paraíso é
Isso!" tem legendas em português, inglês
e espanhol, trilha sonora produzida por músicos da
ilha e inclui, como extra, um making of da equipe. O vídeo
foi lançado em maio deste ano, no Centro Cultural
Banco do Nordeste, em Fortaleza (CE), e, desde então,
já foi selecionado para o 1º Festival de Cinema
Curta Amazônia, em Porto Velho (RO), para o 20º
Cine Ceará - Festival Ibero Americano de Cinema,
em Fortaleza (CE), e para a Mostra de Vídeo Independente,
que ocorre durante todo o ano em Porto Alegre (RS).
Já o vídeo "Dossiê
Noronha" é um resgate dos mais de cinco séculos
que se passaram desde a "descoberta" do Arquipélago
por Américo Vespúcio. "Muitos fatos históricos
importantes ainda permanecem desconhecidos para grande parte
da população, inclusive para os próprios
moradores. A idéia é revelar parte dessa história
como forma de preservar a diversidade de experiências
de um povo e contribuir para perpetuar o conhecimento já
descoberto para as próximas gerações",
explica a diretora.
O documentário tem 20
minutos e inclui depoimentos sobre a ocupação
estrangeira em diversos momentos - portugueses, holandeses,
franceses e americanos -, a implantação do
sistema fortificado, os diversos nomes que a ilha já
teve e o processo de formação da sociedade,
incluindo a participação da mulher e a presença
indígena. Historiadores, professores, arqueólogos
e moradores contam fatos pitorescos, pesquisas inéditas
e relatos e informações ainda não publicados.
Entre os registros documentais
disponíveis, destaca-se o período de mais
de 200 anos em que Noronha serviu como presídio comum
(para assassinos, ladrões, contrabandistas) e político
(para integralistas, comunistas e aliancistas). O cotidiano
desses presos, os trabalhos que eles executavam, as torturas
que sofriam e a solidão que os acometia são
alguns dos pontos destacados pelos entrevistados. "É
interessante pontuar o fato de que alguns presos importantes
foram enviados pra lá em momentos distintos da história,
como Abreu e Lima, Jerônymo Vilela, Gregório
Bezerra, Agildo Barata Ribeiro e Maringuela", contou
a diretora, que considera marcante, principalmente, o envio
dos dois ex-governadores de Pernambuco, Miguel Arraes, e
de Sergipe, Seixas Dória, considerados os maiores
líderes dos difíceis tempos da ditadura.
O vídeo mostra ainda o
período que sucedeu o presídio político,
quando se criou o destacamento misto com três mil
pracinhas. "Um fato interessante que poucos têm
conhecimento é que Noronha detém o maior acervo
arqueológico da 2ª Guerra Mundial e nós
fomos a primeira equipe a filmar esse verdadeiro museu a
céu aberto, com baterias antiaéreas já
localizadas", adiantou Ana Paula. Além da guerra,
outros momentos históricos importantes, e também
revelados no vídeo, foram a implantação
do território federal, a reintegração
da ilha à Pernambuco e o contexto da criação
do Parque Nacional Marinho.
"Dossiê Noronha"
é inédito, tem legendas em português
e inglês e inclui, como extra, lendas e causos da
ilha. Os dois vídeos foram patrocinados pelo Programa
Cultura da Gente, do Banco do Nordeste, com apoio de diversos
parceiros locais. Eles terão distribuição
em festivais de cinema nacionais e internacionais, emissoras
de TV's públicas, bibliotecas e cineclubes em todo
o país, além da imprensa.
Para mais informações,
basta acessar o blog dedicado aos projetos audiovisuais
da diretora. A página, www.curtamuito.com,
mostra produções anteriores, como os vídeos
"Terra de Gigantes", que dá voz aos anões
de Itabaianinha, município sergipano com mais casos
de nanismo no mundo, "As Noivas de Dom Gatão",
um vídeo-poema baseado na obra do artista plástico
pernambucano Daniel Santiago, e "Hands", que mostra
a curiosa e esquecida rotina das mãos durante um
dia.
Luciano
Sá | Imprensa Centro Cultural Banco do Nordeste