Noticiário Geral da Photographia
Paulistana
Livro de Paulo Cezar
Alves Goulart e Ricardo Mendes, primeiro lugar na categoria
Arquitetura, Urbanismo, Fotografia, Comunicações
e Artes do 50º Jabuti, entregue no último dia
31 de outubro, acaba de ser agraciado com o 3º Prêmio
Literário José Celestino Bourroul. “Noticiário
Geral da Photographia Paulistana – 1839-1900”
é uma co-edição do Centro Cultural
São Paulo e Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo.
Ao delinear um panorama das artes gráficas e da fotografia
no século 19, os arquitetos Paulo Cezar Alves Goulart
e Ricardo Mendes idealizaram o livro Noticiário Geral
da Photografia Paulistana – 1893-1900, que acaba de
conquistar o 3º Prêmio Literário José
Celestino Bourroul e foi considerado o melhor livro sobre
São Paulo publicado em 2007. Este é o segundo
prêmio conferido ao livro neste ano. Na última
semana, ele levou o primeiro lugar da 50a edição
do Prêmio Jabuti na categoria Arquitetura, Urbanismo,
Fotografia, Comunicações e Artes. A entrega
do prêmio de R$ 10 mil aos autores será no
dia 15 de novembro. Realizada a partir de imagens compiladas
do acervo do Museu Paulista, a obra é uma co-edição
do Centro Cultural São Paulo e da Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo.
“O prêmio é importante porque valoriza
um projeto de longa duração, que demandou
mais de dez anos de trabalho, e privilegiou a cooperação
entre os autores e as três entidades envolvidas”,
afirmou Ricardo Mendes. “As imagens foram selecionadas
a partir do acervo do Museu Paulista, o mais completo conjunto
de fotos da São Paulo do século 19. A pesquisa
foi feita no Centro Cultural São Paulo e o tratamento
das imagens pela Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo”, lembra o autor.
Pesquisador na área de Artes Gráficas, Paulo
Cezar Alves Goulart começou no final dos anos 80
a fazer um minucioso levantamento para mostrar o desenvolvimento
das artes gráficas e a fotografia do século
XIX sob um ângulo curioso: o dos fotógrafos
e comerciantes de fotos que anunciavam seus negócios
em jornais e revistas paulistanos. Usou como matéria-prima
arquivos de jornais, revistas e almanaques paulistanos.
Nos anos 90, Ricardo Mendes, pesquisador em história
da fotografia, incorporou-se ao projeto, que procurou mostrar
como os profissionais daquela época pensavam a fotografia,
elaboravam esses objetos e introduziam novos usos e novas
estratégias de marketing para alavancar seus negócios.
Curiosamente, o texto Noticiário Geral da Photografia
Paulistana – 1893-1900 começa na página
50 do livro. Nas 49 páginas iniciais, o leitor é
introduzido ao universo abordado por meio de fotografias
da época, que mostram a evolução técnica
e a mudança de costumes. Segue-se à imagem
inicial do fazendeiro acompanhado de seus escravos uma série
de tipos humanos. São comerciantes, políticos,
damas da sociedade, homens e mulheres do povo, turmas de
estudantes, grupos de profissionais.
A importância que a arte de fotografar assumiu na
cidade de São Paulo é ressaltada pela variada
oferta de daguerreótipos e cartões de visita,
acompanhada pela proposta de vistas, álbuns temáticos,
retratos de crianças, novos formatos como o selo,
o bouquet, o mimoso, o cartão postal, retrato ao
luar, fotografias “a domicílio”, a confecção
de retratos a partir de fotografias e o arquivamento de
negativos para cópias posteriores.
Noticiário
Geral da Photographia Paulistana: 1839-1900
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Centro
Cultural São Paulo
Ricardo Mendes e Paulo Cezar Alves Goulart
Projeto gráfico: Debora Ivanov
340 páginas |
 |
 |
ATELIÊS DE FOTOGRAFIA
O editor da primeira revista fotográfica La Lumière
, Ernest Lacan, estabelecia precisa relação
entre fotógrafos atuantes em Paris, nos anos 50 do
século 19, a localização de seus ateliês
no mapa da cidade e os preços cobrados por cada um
deles. Existia uma diferença substancial entre o
fotógrafo básico (trabalhador ou artesão),
o artista-fotógrafo (proveniente da burguesia), o
fotógrafo amador (aristocrático) e o fotógrafo-sábio,
que reclamava para si o status de artista, segundo Annateresa
Fabris, que assina texto de apresentação do
livro.
Noticiário Geral da Photographia Paulistana: 1839-1900
permite aplicar parcialmente as observações
de Lacan ao caso específico de São Paulo.
Dos anos 50 aos anos 80, os profissionais buscam como endereço
para seus ateliês as ruas Direita, São Bento
ou Rosário; em 1890, verifica-se presença
de um núcleo significativo no Brás –
bairro que atrai imigrantes e industriais e tem seu crescimento
devido à rede ferroviária Central do Brasil
e Santos Jundiaí. Alguns estabelecimentos situam-se
em Santa Efigênia, bairro de classe média.
O livro não se detém apenas nos usos privados
da fotografia. Os autores conseguem extrair das fontes consultadas
dados sobre a difusão da imagem técnica na
sociedade paulistana ao analisarem os usos políticos,
científicos e pragmáticos da fotografia. É
na década de 1890 que a polícia de São
Paulo começa a utilizar o registro fotográfico,
usado não só como fonte documental, mas como
meio de prevenção direta com exposição
de fotos de indivíduos perigosos em estações
ferroviárias e redações de jornais.
Ricardo Resende ressalta que o trabalho da Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo foi essencial a valorização
das técnicas usadas no século 19. “Os
detalhes gráficos, como arabescos, vinhetas e adornos
típicos da época foram resgatados por meio
de um sofisticado e trabalhoso tratamento de imagens, que
só uma gráfica com alta qualidade técnica
poderia realizar”, disse.