Governo
argentino vai continuar a limitar exportações
de trigo ao Brasil
Paula Laboissière
Enviada especial
A Argentina vai
continuar limitando as exportações de trigo
ao mundo e ao Brasil. O secretário-executivo do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
do Brasil, Ivan Ramalho, informou hoje (5) que apenas 902
mil toneladas de trigo estarão disponíveis para
os importadores brasileiros.
O Brasil consome atualmente
10 milhões de toneladas de trigo por ano, segundo
dados da Associação Brasileira da Indústria
do Trigo (Abitrigo). Como a projeção de safra
para este ano é de 5,2 milhões de toneladas,
de acordo com o último levantamento do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país
precisará importar outros 5 milhões de toneladas.
Na falta do trigo argentino,
a opção costuma ser o canadense, que custa
mais caro por causa do frete, mesmo com reduções
de taxas.
“Sei que hoje
não temos um quadro de regularidade nesse fornecimento
como tivemos no passado, mas temos expectativa de que as
empresas brasileiras comprem esse trigo porque ouvi, mais
de uma vez, que não é uma questão política.
Eles [os importadores] preferem comprar da Argentina porque
tem um custo menor e é um produto de boa qualidade”,
disse Ivan Ramalho.
Após reunir-se
com a comissão de monitoramento do comércio
bilateral em Buenos Aires, o secretário disse que
a limitação do produto para exportação
já foi confirmada pelo secretário de Indústria
argentino, Fernando Fraguío.
Ivan Ramalho lembrou que a quantidade de trigo liberada
para exportação não estará disponível
exclusivamente para o mercado brasileiro, e alertou que
outros países importadores poderão passar
a frente e comprar o produto.
“Não é
uma operação simples importar de outros países
porque existem prazos, distribuição de cotas
e outras questões que complicam. Estou seguro que
os importadores preferem comprar da Argentina e espero que
a Argentina possa regularizar os embarques”, disse.
O secretário
argentino reconheceu que o Brasil tem “uma preocupação
muito grande” com o abastecimento de trigo, mas ressaltou
que com a safra própria brasileira e as importações
de outras origens, as pouco mais de 900 mil toneladas liberadas
pelo governo parecem ser “uma cota razoável”.
Ele lembrou que o superávit
comercial brasileiro com a Argentina nos primeiros seis
meses do ano chegou a US$ 2,8 bilhões.
Para ele, a retomada
do envio regular de trigo para o Brasil irá ajudar
a equilibrar a balança. Projeções indicam
que, em 2008, o déficit comercial da Argentina –
principal sócio brasileiro no Mercosul – chegaria
a US$ 5,8 bilhões.
“Por isso também
é importante que os importadores comprem o trigo
argentino. A Argentina é o tradicional fornecedor
de trigo e acreditamos que continuará sendo”,
disse Ivan Ramalho.