quinta-feira, 15 janeiro, 2009 18:41
Saiba
como reduzir os impactos no orçamento
Com mais informação,
contribuinte pode escolher a melhor maneira de pagar o imposto
e ainda evitar prejuízos financeiros
São Paulo, janeiro de 2009 - Começa o ano
e não tem jeito de escapar dos primeiros impostos:
o IPVA, IPTU e Imposto de Renda. No entanto, vale muito
à pena ficar atento para minimizar os impactos dessas
cobranças no orçamento. Isso porque, eles
têm descontos quando quitados em parcela única.
No caso do IPTU, são abatimentos que variam de município
para município, mas que podem chegar a 6 ou 7% se
pagos de uma só vez ou em até dez parcelas
fixas mensais ou consecutivas. Por isso, para quem economizou
parte do décimo terceiro ou se programou para esse
momento, vale a pena aproveitar, até porque, em alguns
casos, esse valor vai reduzir ou anular o reajuste desse
imposto.
Para se ter uma idéia, na cidade de São Paulo,
o reajuste foi de 6%, pois considerou a variação
da inflação registrada no período.
Dessa forma, segundo a especialista Dora Ramos, diretora
da Fharos Assessoria Empresarial, quem optar pelo pagamento
à vista, além de ter um desconto de 6%, escapará
do reajuste e ainda pagará um valor menor do que
o praticado em 2008.
“Por exemplo, suponha que o IPTU seja de R$ 100,00
em 2008. Em 2009, com o reajuste, passa a ser R$ 106,00.
Só que com o desconto de R$ 6,36 o valor final será
de R$ 93,64. Realmente trata-se de um bom negócio”,
explica.
O que fazer quando não se tem o dinheiro
para o pagamento à vista?
No entanto, a situação muda para quem não
tem o dinheiro ou terá que entrar no cheque especial
para quitar o imposto. É que as taxas desse tipo
de crédito costumam passar da casa dos 8% ao mês,
assim, a conta ficará mais cara. Nesse caso, é
mais interessante deixar para quitar de uma vez o IPTU em
fevereiro, caso o contribuinte tenha alguma previsão
de entrada de capital para esse mês.
“Agora, se o orçamento estiver apertado demais
e há a necessidade de fazer um empréstimo,
procure fazer uso dos créditos consignados ou pessoais,
mas fuja das financeiras, cartão de crédito
e cheque especial porque as taxas vão elevar o valor
do imposto para mais de 10% ao mês”, avisa Dora
Ramos.
Não deixe de pagar e nem pague com atraso
Pagamentos feitos com atraso serão acrescidos de
multa de 0,33% ao dia, até o máximo de 20%
do imposto devido, juros moratórios de 1% ao mês
a partir do mês seguinte ao vencimento e atualização
monetária. “Com certeza essa é a pior
opção, porque 20% de multa mais juros sobrecarrega
qualquer orçamento”, avalia a especialista.
Mais complicado ainda fica para o contribuinte que não
pagar integralmente o IPTU, pois terá seu nome incluído
no Cadastro Informativo Municipal (Cadin), além da
inscrição do débito na Dívida
Ativa, sendo desconsiderados quaisquer abatimentos obtidos
e ainda ter que pagar pelos honorários advocatícios,
que chegam a 10%, para a solução da dívida,
no caso da capital paulista.
“Muita gente parcela o pagamento do imposto e esquece
de pagar uma ou parcela, ou ainda, acredita que se não
pagar o débito, poderá negociar a dívida
no futuro. Julga que negociar com o governo vem a ser uma
boa opção. Esse é o maior engano, pois
acertar as contas com o governo não é uma
tarefa fácil e não tem perdão”,
esclarece Dora Ramos.
Vale lembrar que o pagamento do imposto pode ser feito em
agências lotéricas conveniadas à Caixa
Econômica Federal para valores máximos de R$
999,99 e bancos credenciados.
O IPTU não chegou?
A entrega da notificação é feita pelos
Correios, porém, caso ocorra atrasos ou extravios,
o munícipe pode providenciar a segunda via pela internet
ou nas praças de atendimentos das subprefeituras.
Mais descontos ou isenções
Na cidade de São Paulo, contribuintes que pediram
a Nota Fiscal Eletrônica com inclusão de seu
CPF podem ter uma redução de até 50%
no valor do IPTU. Basta o estabelecimento que emitiu a nota
ter pago devidamente o ISS. Quem quiser fazer uso dessa
opção deve indicar, no site da prefeitura,
o imóvel a ser beneficiado.
No geral, isentos receberão notificação
a partir de 2 de março. Em 2009, enquadram-se nessa
categoria os imóveis residenciais com valor venal
de R$ 61.240,11, e apenas um imóvel por proprietário
pode ser beneficiado.
“Mas vale lembrar que aposentados, pensionista e beneficiários
do INSS que recebem até três salários
mínimos, sejam proprietários de apenas um
imóvel e morem nele têm isenção
do IPTU, podendo, inclusive, ser total. Para isso devem
solicitar esse direito à prefeitura, mas apresentar
comprovantes que evidenciem essa situação”,
explica a contadora.
IPTU creditado com o aluguel
Nessa época do ano sempre paira a dúvida sobre
ser ou não correto o proprietário do imóvel
creditar junto ao aluguel o valor do IPTU. Segundo Dora
Ramos, mesmo o contrato estabelecendo que o locatário
é quem deve pagá-lo, é do proprietário
o direito de desconto. “O dono do imóvel pode
pagar com desconto e cobrar do locatário o valor
normal, principalmente se ele paga parcelado. Agora, se
o locatário quiser pagar à vista e obter o
desconto deve comunicar o locador com antecedência”,
afirma.
Dúvidas quanto ao valor do IPTU e solicitação
de revisão
Erros acontecem e, por isso, na hora da dúvida é
melhor perguntar. Antes, verifique se os dados cadastrais
constantes na guia estão corretos, principalmente,
se o valor venal do imóvel está acima do valor
de mercado.
Em caso positivou ou se o contribuinte desejar rever o valor,
ele deverá ir aos locais de atendimento indicados
pela prefeitura para esclarecimento e solicitação
de revisão.
“O contribuinte deve pagar o imposto, inclusive, ter
o direito ao desconto se efetuado dentro do prazo. E se
o pedido de revisão for deferido, poderá pedir
a devolução do dinheiro pago a mais, por meio
de um processo administrativo de restituição”,
explica Dora Ramos.
O que fazer quando os IPTUs de anos anteriores não
foram pagos?
Segundo a especialista, realmente é tarefa árdua
negociar com o governo e não há perdão
das dívidas anteriores. Ainda assim é melhor
renegociar e sair da lista de devedores. Para isso, o munícipe
deve pegar uma guia nos postos de atendimento para pagar
ou parcelar o seu débito.
“Dever para o governo nunca foi um bom negócio,
mas é importante ressaltar que o brasileiro cada
vez mais está ciente dessa situação
e em dia com seus impostos, pois fica evidente que é
melhor aproveitar os descontos ou pelo menos pagar em dia
as prestações do que renegociar esse tipo
de cobrança”, conclui.
Dora Ramos atua no mercado contábil-administrativo
há mais de vinte anos. É fundadora e contadora
responsável pela Fharos Assessoria Empresarial. www.fharos.com.br
Patrícia
Casseano
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