Brasileiros
pobres têm o menor acesso à internet entre
14 países da América Latina e Caribe
terça-feira,
7 abril, 2009 18:14
Isabela
Vieira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Em
países da América Latina e do Caribe, o acesso
à internet por parte da população mais
rica pode ser até 30 vezes maior que o acesso pelos
mais pobres. Em uma lista com 14 países (com dados
mais recentes), o Brasil lidera a desigualdade. Entre os
mais ricos o uso no país é de 52%, quanto
entre os mais pobres, é de 1,7%.
As informações
são da Comissão Econômica para América
Latina e Caribe (Cepal), vinculada à Organização
das Nações Unidas (ONU). Para chegar a essas
conclusões, o órgão criou um banco
de dados com indicadores sobre tecnologia da informação
e comunicação (TIC). A partir de hoje (7),
o sistema está disponível gratuitamente na
internet.
O banco de dados cruza
informações sobre uso de computadores, internet
e telefones, por exemplo, com indicadores socioeconômicos,
auxiliando na elaboração de políticas
de inclusão digital. De acordo com a Cepal, por meio
da tecnologia, serviços de saúde, educação
e governo eletrônico podem ficar mais acessíveis
aos cidadãos.
“A ferramenta
propicia um cenário sobre o uso dessas tecnologias
na região. Com isso, os países podem desenhar
ou pesquisar novos esforços, novas iniciativas e
ampliar esse acesso”, explica a coordenadora do projeto,
Mariana Balboni.
A Cepal reuniu informações
em inglês e espanhol de 17 países, colhidas
por meio de pesquisas domiciliares feitas entre 2000 e 2007.
São mais de 40 variáveis sobre TIC e 20 indicadores
socioeconômicos, como renda e escolaridade. No sistema,
o cruzamento pode ser feito de várias maneiras.
A coordenadora do projeto,
explica que os dados das pesquisas nacionais foram harmonizados
com base em padrões estatísticos internacionais,
mas que para inclusão de novas informações,
um dos desafios é a padronização das
pesquisas.
Segundo Balboni, a avaliação
dos resultados é feita por cientistas sociais, não
pelos organizadores do sistema. Mas adianta, com base nos
indicadores, que a renda influencia no acesso à tecnologia
nos país latino-americanos. “Podemos dizer,
da maneira geral, que a exclusão digital acompanha
a exclusão social no país, nos países
e entre os países.”
Agência
Brasil