Indústria
gráfica deverá crescer 1,25% nos próximos
seis meses
Dados divulgados nesta sexta-feira (17/10),
no encerramento do 14º Congraf (Congresso Brasileiro
da Indústria Gráfica), apontam que o setor,
apesar da crise financeira mundial, deverá crescer
1,25% nos próximos seis meses. O evento, que também
comemora o bicentenário da atividade no Brasil, realizou-se
no Palácio das Convenções do Anhembi,
em São Paulo. A indústria gráfica brasileira,
segundo ranking divulgado pelo US Census Bureau, é
a oitava maior do mundo.
A despeito da crise financeira internacional, estimativas
da Associação Brasileira da Indústria
Gráfica (Abigraf), promotora do Congraf, indicam
crescimento de 1,25% para o setor nos próximos seis
meses. O presidente nacional da entidade, Alfried Plöger,
revela que, no período, o número de empregos
deverá registrar expansão de 4,1% e os investimentos,
33,7%. Em contrapartida, as exportações de
impressos deverão recuar 2,1%, ante aumento de 39,4%
das importações. A balança comercial
setorial ao final do ano tem déficit estimado de
U$ 52,14 milhões, resultante de vendas externas de
US$ 190,77 milhões e compras de US$ 242,91 milhões.
Salientando que o resultado desfavorável do comércio
exterior deve-se muito mais ao câmbio vigente até
agora e à forte concorrência de produtos chineses
de papelaria, em especial envelopes e cadernos, Alfried
Plöger salienta que o setor é um termômetro
da economia. “Enquanto estiver aquecida a produção
de embalagens, impressos comerciais e promocionais, documentos
fiscais, cartões de crédito e manuais de automóveis
e de produtos eletroeletrônicos, a economia estará
indo bem. E, felizmente, a indústria gráfica
ainda não registra queda de pedidos”.
Atualização tecnológica e competitividade
Nos últimos anos, o setor praticamente renovou o
seu parque de maquinas gráficas, tendo importado
bens de capital no valor de US$ 1,43 bilhão, em 2007,
ou 241% a mais do que os US$ 419,07 milhões aplicados
no ano anterior. Ao cabo de 2008, o crescimento previsto
é de 28,20% em comparação com 2007.
“Esse esforço de modernização
tem garantido a competitividade e resultados positivos,
como o aumento de 1,23% da produção, 3,4%
do número de gráficas e 3,7% do volume de
empregos, nos últimos 12 meses até outubro
de 2008”, ressalta Alfried Plöger.
Para ele, o aumento da renda da população
ampliará a demanda por produtos gráficos,
via efeito multiplicador, principalmente fora dos grandes
centros urbanos. “Verifica-se, ainda, tendência
de maior crescimento do valor adicionado dos impressos em
relação aos volumes produzidos, devido à
procura por itens mais sofisticados”.
Em 2007, o valor da produção da indústria
gráfica brasileira foi de R$ 22,33 bilhões
(US$ 12,9 bilhões). Sua participação
no PIB Nacional é de 1,02% e no da indústria
de transformação, 5,74%. O setor fechou o
último exercício com 19.550 gráficas
em operação, nas quais trabalhavam 197 mil
pessoas.
Ao comemorar seus 200 anos desde a instalação
da Impressa Régia no Rio de Janeiro, em 1808, a indústria
gráfica brasileira ocupa o oitavo lugar no ranking
mundial do setor, à frente de vários países
da Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega as
nações mais ricas.
Ranking Mundial (em US$ bilhões)
Estados Unidos 98
Reino Unido 53
Alemanha 47
França 31
Itália 30
Espanha 16
Holanda 12
Brasil* 11,6
Áustria 5,2
Suécia 5,1
Dinamarca 5,0
Finlândia 4,8
Bélgica 4,2
Noruega 3,2
Polônia 3,0
Portugal 2,1
Irlanda 2,0
fonte: Censos Industriais Nacionais //www.census.gov//
www.eurostat.eu
*Dados de 2006, às
taxas de câmbio (Euro/US$ e R$/US$) de dezembro daquele
ano.