Mais de 80 anos depois
de começar a ser cultivado por imigrantes japoneses
no Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo,
o junco não é mais apenas uma espécie
de gramínea plantada em áreas alagadiças.
Agora Junco é
também a marca que reúne os produtos de seis
empresários dekasseguis que, no último ano,
com apoio do Sebrae-SP e da Associação Comercial
de Registro, apostaram na diversificação de
produtos, na valorização do design.
A logomarca Junco foi
registrada em março e será usada como ferramenta
para a conquista do mercado de decoração,
presentes e moda.
Para isso, dos tradicionais
tatamis, esteiras e chinelos, manufaturados da mesma forma
há décadas, esses empresários remanescentes
passaram a confeccionar bolsas, sandálias, pastas,
mochilas, almofadas, pufes, tapetes, cestos e jogos americanos
para refeições, produtos desenvolvidos com
apoio da designer Fabíola Bergamo especialmente para
essa nova etapa.
Um desses inovadores
da tradição é Hélio Hideshi
Tamada, empresário à frente da Naboro Tamada,
negócio criado por seu avô há mais de
50 anos. Com as seis fábricas unidas, ficamos
mais fortes. Podemos dividir grandes encomendas e, agora
dar um novo fôlego a este negócio que foi do
meu avô e de meu pai. Com a logomarca, os novos produtos
e o incentivo do Sebrae podemos ser conhecidos no mundo
todo.
As mudanças,
recorda Tamada, começaram em 2006, quando a Associação
Comercial de Registro percebeu que os menos de 10 produtores
de junco, remanescentes de uma cultura que chegou a ser
compartilhada por mais de 80 famílias há algumas
décadas, não trabalhavam em conjunto e se
viam como concorrentes. Após se reunirem num núcleo
do Empreender, o Escritório Regional do Sebrae-SP
no Vale do Ribeira iniciou junto ao grupo um trabalho de
inovação tecnológica, com ênfase
em design de novos produtos desenvolvidos por uma empresa
especializada.
Daí foram criadas
as almofadas, pufes, bolsas, mochilas e cestos, num total
de 40 novos produtos, lembra a analista do Sebrae-SP Karem
Portaluppi Duarte: Por mais de 30 anos tatames, esteiras
e chinelinhos foram feitos exatamente do mesmo jeito, sem
nenhuma inovação tecnológica, deixando
de ser esteticamente atrativo e perdendo o valor de mercado.
Agora essa realidade mudou.
Dessa primeira etapa,
o trabalho resultou numa exposição realizada
em junho de 2007 em Registro, com o lançamento de
um catálogo dos produtos.
Douglas Massayuki Naoi,
da DAI Artefatos de Junco, conta que tanto o catálogo
quanto agora a logomarca fazem parte de uma estratégia
de reforçar no consumidor a identificação
dos produtos dos descendentes de japoneses do Vale do Ribeira.
Podemos ainda os seis empresários realizar
promoções comerciais em conjunto, assumir
grandes encomendas, criar um site único para explorarmos
também o e-commerce, além de uma representação
comercial em São Paulo. Os novos produtos foram bem
aceitos pelo mercado e já estamos em contato com
grandes empresas que têm o costume de distribuir brindes
para fecharmos grandes vendas.
Douglas conta que antes
da união, os produtores passavam por problemas comuns:
Quando começamos a conversar, vimos que tínhamos
problemas comuns: principalmente aquisição
de matéria-prima e vendas. Hoje, em conjunto, temos
capacidade produtiva e estamos prontos também para
exportar.
Para o gerente do Sebrae-SP
no Vale do Ribeira, Daniel de Almeida, a nova postura dos
produtores de junco do Vale do Ribeira é fruto de
uma nova forma de compreender o negócio: Este
é o objetivo do Sebrae-SP, promover o empreendedorismo,
fomentar o desenvolvimento sustentável e o aperfeiçoamento
técnico.
Reportagem
veiculada no programa "Antena Paulista" no
dia 20/04/2008 apresenta a experiência de empreendedores
da região de Registro que se utilizam do junco
como meio de negócios.
ESPECIAL
Junco
Quando a tradição vira marca
Cultivada
no Vale do Ribeira há 80 anos, cultura do junco é
revitalizada com apoio do Sebrae-SP por meio de novos produtos,
criação de logomarca comum e aplicação
de novas técnicas gerenciais e comerciais