Governo assina
primeiros contratos de concessão florestal na Flona
de Jamari
Ministro
Carlos Minc durante solenidade para anunciar ações
de apoio ao manejo Florestal. Foto:Jefferson
Rudy/MMA.
Gisele Teixeira
O Brasil deu passos importantes
hoje para a preservação e uso sustentável
da Amazônia, bem como para a redução
do desmatamento na região. Em Brasília, foram
assinados os primeiros contratos de concessões para
manejo sustentável na Floresta Nacional de Jamari,
em Rondônia. Também foi anunciada a abertura
da consulta pública sobre a Política de Manejo
Florestal Comunito e Familiar, que prevê uma agenda
anual para fortalecer o setor, envolvendo crédito,
assistência técnica, infra-estrutura e comercialização.
Outras duas medidas completam
o pacote de ações positivas na área
ambiental e possuem abrangência nacional. O ministro
do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o ministro do Desenvolvimento
Agrário, Guilherme Cassel, assinaram Portaria Interministerial
reconhecendo as populações tradicionais das
Reservas Extrativistas (Resex), Reservas de Desenvolvimento
Sustentável (RDS) e Florestas Nacionais (Flonas)
como beneficiárias do Programa Nacional de Reforma
Agrária. Já a presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Ramos Carvalho, assinou com o MMA
um acordo de cooperação que determina o uso
de madeira de origem legal em obras e empreendimentos financiados
pela Caixa.
"Todas as medidas estão
ligadas à sustentabilidade e são importantes
para gestão florestal, pois promovem o uso sustentável
e conservação das florestas", afirmou
o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. "Com essas
ações, nós vamos passar a viver com
a floresta, e não 'da' floresta. Era o que queria
Chico Mendes", disse, emocionado, o presidente da Cooperativa
de Produtores Rurais Extrativistas, Dionísio Barbosa
de Aquino.
O diretor-geral do Serviço
Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, também anunciou
o lançamento do edital que irá contratar o
Plano de Manejo Florestal do Projeto de Assentamento Florestal
Jequitibá, em Rondônia, um dos primeiros assentamentos
florestais criados no Brasil e que visa utilizar a floresta
como fonte de renda principal.
"A idéia é
que tenhamos um corredor com uma floresta nacional, uma
estação ecológica (área de proteção
integral), o assentamento com o plano de manejo e a floresta
nacional do jacandá, que também terá
processo de concessão a partir do próximo
ano", antecipou Tasso. "Assim, teremos um longo
corredor de produção sustentável e
proteção em uma das áreas mais ameaçadas
no estado de Rondônia", completou.
Concessões Florestais
- A primeira licitação para concessão
florestal, a partir da aprovação da Lei de
Gestão de Florestas Públicas (11.284/06),
teve início no segundo semestre do ano passado. O
edital ficou aberto por 45 dias e recebeu 19 propostas de
14 empresas dos estados de Rondônia, São Paulo,
Bahia e Pará. Dos 220 mil hectares da Flona do Jamari
foram licitados 96 mil ha, divididos em três unidades
de manejo florestal (UMF), com 17 mil ha, 33 mil ha e 46
mil ha. O restante da Flona ficará como área
de preservação ambiental ou destinada a populações
locais.
Para se definir os vencedores
do processo foram utilizados critérios de técnica
e preço. Para os critérios técnicos,
foram avaliados indicadores socioambientais como maior benefício
social, menor impacto ambiental, e maior agregação
de valor local. Nesses critérios os licitantes podiam
obter 600 pontos de um total de mil. O restante da pontuação,
ou seja, 400 pontos foram atribuídos ao preço
ofertado.
O consórcio liderado pela
Alex Madeiras ganhou a Unidade de Manejo Florestal (UMF)
I, com 17 mil hectares. Para a UMF II, com 33 mil ha, venceu
a empresa Sakura. Já a empresa Amata venceu para
a UMF III, com 46 mil ha. Essas concessões devem
gerar uma arrecadação anual direta de R$ 3,8
milhões.
Os recursos recolhidos serão
empregados na fiscalização, monitoramento
e controle das áreas licitadas. Uma parcela de até
30% do montante que for arrecadado com a licitação
será, segundo previsto na lei, destinada ao Serviço
Florestal e ao Ibama. O restante, pelo menos 70%, será
destinado ao Instituto Chico Mendes - gestor da unidade
-, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, ao estado
de Rondônia e aos municípios onde se localizam
as áreas manejadas. Esses recursos compartilhados
deverão, obrigatoriamente, ser aplicados em ações
de conservação e uso sustentável das
florestas.
Porém o impacto na economia
local será muito maior, já que as empresas
devem promover o processamento dos produtos florestais na
região, gerando emprego e movimentando a economia
durante todos os 40 anos de vigência do contrato de
concessão, com a obrigação de manter
o potencial de produção, proteção
e conservação da floresta.
Política Nacional de Manejo
Florestal Comunitário e Familiar - A minuta do decreto
que institui a Política Nacional de Manejo Florestal
Comunitário e Familiar entrou em consulta pública
nesta terça-feira (30). A minuta e as instruções
para apresentação de sugestões estão
disponíveis no site do MMA: www.mma.gov.br/pnf. As
sugestões poderão ser enviadas até
o dia 30 de outubro de 2008.
A principal inovação
da política é a implementação
de uma rotina anual de planejamento e execução
de ações envolvendo os diferentes órgãos
federais, estaduais e da sociedade civil para tornar efetivos
os instrumentos de crédito, assistência técnica,
capacitação, infra-estrutura e comercialização.
Ao mesmo tempo em que foi desenvolvida
a proposta de política, o Serviço Florestal,
em parceria com MDA, Incra, MMA e ICMBio, iniciou ações
que já refletem os objetivos da política proposta.
Nos biomas amazônico
e caatinga, 22 assentamentos receberão apoio direto
para implantar o Manejo Florestal Sustentável (MFS).
E, para viabilizar este apoio em larga escala, a partir
de 2009, serão capacitados mais de 2.300 técnicos
que prestarão assistência técnica para
os assentamentos do Programa Nacional de Reforma Agrária
e do Programa de Crédito Fundiário. O objetivo
é ter quatro milhões de hectares de manejo
florestal comunitário em 2010.