Auditoria
do Ibama confirma multas de assentamentos do Incra na Amazônia
MMA propõe medidas para reforma agrária
sustentável
O Ministério
do Meio Ambiente confirmou hoje (21/10), após minuciosa
revisão feita pelo Departamento de Proteção
Ambiental do Ibama, que foram mantidas as multas por prática
de desmatamento que levaram sete assentamentos do Incra
no Mato Grosso a figurar na lista dos cem maiores desmatadores
da Amazônia.
A auditoria realizada nos processos
de sete assentamentos no Mato Grosso, realizada a pedido
do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, concluiu que
as coordenadas utilizadas para delimitar as áreas
onde ocorreram os danos ambientais estão corretas
e correspondem aos assentamentos.
As coordenadas foram questionadas
pelo Incra, bem como a área total desmatada. A revisão
solicitada pelo MMA constatou que houve sim pequenos erros
nas medições em determinados assentamentos,
para mais e para menos, mas que não reduziram a área
total desmatada nem o valor das multas.
A maior parte das autuações
efetuadas pelo Ibama nas áreas dos assentamentos
59% corresponde a desmatamentos posteriores a 2002,
sendo que 41% ocorreram entre 1997 e 2002. Mas segundo a
auditoria do Ibama, mesmo no caso dos desmatamentos mais
antigos, as multas aplicadas são procedentes, já
que havia uma ordem para que as áreas em questão,
onde não havia reserva legal demarcada, fossem mantidas
desocupadas para permitir a regeneração da
floresta; o que não ocorreu.
Reforma agrária
ecológica
A revisão dos processos
foi solicitada pelo ministro Minc após a divulgação
da lista dos cem maiores desmatadores da Amazônia.
Com a confirmação dos dados, o MMA já
iniciou entendimentos com a direção do Incra
para promover a cobrança dos danos ambientais com
a doação de terras que o instituto possui
nas região, para a criação de grandes
corredores florestais de reservas que contribuam para a
proteção do Bioma Amazônia.
"Estão sendo escolhidas
terras do Incra, de interesse para proteção
de unidades de conservação do Instituto Chico
Mendes, para que possamos criar corredores florestais contínuos
de áreas preservadas. Essas terras serão avaliadas
para que as doações correspondam aos valores
das multas", explicou Carlos Minc.
Os presidentes do Ibama e do
Incra, Roberto Messias e Rolf Hackbart, já estão
elaborando programa e cronograma conjuntos para a recuperação
das áreas degradadas dentro dos assentamentos e implantar
alternativas sustentáveis para os pequenos agricultores
já assentados na Amazônia, com o fortalecimento
de um modelo para os futuros projetos de reforma agrária,
que resgate e amplie os projetos do Incra PAF (Projeto Agroflorestal)
e PAE (Projeto Agroecológico).
"Há consenso de que
é preciso um modelo de reforma agrária em
que, por exemplo, a reserva legal seja demarcada previamente
para todo o assentamento, sob a forma de corredor florestal,
e não por cada assentado individualmente. E que os
assentados tenham prévia qualificação
para manejo florestal e uso de óleos, frutos e fibras
da floresta, sem destruir as florestas", afirmou o
ministro.