Minc quer livro
sobre espécies da fauna ameaçadas de extinção
nas escolas

Espécie da fauna ameaçada de extinção:
trichechus inunguis/Foto:Anselmo D'Affonseca
Paulenir
Constâncio
O Livro
Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção,
lançado nesta terça-feira (4) pelo MMA, deverá
chegar a todas as escolas brasileiras, anunciou o ministro
Carlos Minc. Na cerimônia, realizada na sede da Secretaria
de Biodiversidade e Florestas - 505 Norte -, ele disse que
"a nossa garotada conhece a girafa e o elefante, que,
aliás, são bichos bonitos, mas não
conhece os nossos animais". A obra traz detalhes sobre
as 627 espécies que correm o risco de desaparecer.
O assunto
deverá fazer parte da pauta de uma reunião,
ainda esta semana, entre Minc e o ministro da Educação,
Fernando Haddad. "Nas bibliotecas e na mão dos
professores, o livro pode ser decisivo para a salvação
dessas espécies", avalia Minc. Com 1.500 páginas,
que mostram onde se encontra, como vive e como é
popularmente conhecido cada um dos animais, peixes, aves
e insetos em perigo, a obra vai chegar primeiro às
unidades de conservação nacionais sob a responsabilidade
do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade.
O ministro
ressaltou a importância da publicação,
lembrando que sua edição é a continuidade
de um trabalho do MMA, que em parceria com a Fundação
Biodiversitas, a Conservação Internacional
Brasil e a Universidade Federal de Minas Gerais, elaborou
uma pesquisa sistemática da maior importância
para a identificação das espécies ameaçadas.
Cada cidadão, em cada município, terá
condições de conhecer a biodiversidade à
sua volta e se engajar na luta para salvar a fauna em risco,
espera o ministro. "Você só defende aquilo
que você ama e só ama aquilo que você
conhece", analisou. Para Minc, o Livro Vermelho é
"um chamamento à sociedade. É um grito.
Um basta à degradação ambiental".
O ministro avalia ser "intolerável" que
em nome do progresso se esteja levando um número
tão significativo de espécies à extinção.
"Esta lista é um tapa na cara pelo modo irresponsável
de produzir", alertou.
A pesquisa
que resultou no livro acabou por introduzir espécies
novas na lista de risco e também retirar dele algumas
que deixaram a situação de risco. As principais
causas apontadas para o aumento de 217 para 627 espécies
em extinção são o desmatamento, o tráfico
de animais silvestres e a degradação ambiental.
Novos dados foram introduzidos pelos pesquisadores, principalmente
sobre os peixes e insetos, contribuindo para ampliar a lista.
Minc lembrou uma série de medidas que o MMA vem tomando
para diminuir o impacto da ocupação humana
sobre as espécies ameaçadas.
As iniciativas
vão desde o investimento na infra-estrutura dos parques
nacionais até a criação de outros em
áreas onde espécies da fauna e da flora correm
risco de ser extintas até a contratação
anunciada de três mil novos fiscais, com o objetivo
de coibir e combater os crimes ambientais. "Mas não
pensem que isso é fácil, pois não basta
chegar para o presidente Lula e dizer para ele assinar um
decreto", disse Minc.
O ministro
enfatizou que ao criar unidades de conservação
é preciso dotá-las de uma infra-estrutura
eficiente e um conjunto de medidas, como corredores ecológicos,
capazes de auxiliar na preservação das espécies.
Por isso, o MMA está preparando um plano de manejo
para 40 unidades de conservação e está
buscando parcerias com empresas para que elas "adotem"
um parque ou assumam os custos necessários para ajudar
a tirar uma das espécies da lista. Lembrou que salvar
um animal da extinção implica em um trabalho
de pesquisa de campo, interferência no ambiente e
em seu entorno para proporcionar condições
de sobrevivência e reprodução.
Participaram
da cerimônia de lançamento do Livro Vermelho,
além do ministro Carlos Minc, o presidente do Instituto
Chico Mendes, Rômulo Mello, a secretária de
Biodiversidade e Florestas, Maria Cecilia Wey de Brito,
e representante do Ibama, João Pessoa.
04/11/2008
Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente