MMA divulga
vencedores do Prêmio Chico Mendes, edição
2008
O Ministério
do Meio Ambiente divulgou os vencedores do Prêmio
Chico Mendes de Meio Ambiente, edição 2008.
Os trabalhos foram analisados nos dias 10 e 11 de novembro
pela comissão julgadora instituída pelo ministro
do Meio Ambiente. Concorreram 100 trabalhos distribuídos
entre as categorias: Liderança Individual; Educação
Ambiental; Associação Comunitária;
Negócios Sustentáveis; Municípios;
e ONGs.
Liderança Individual foi a categoria
que recebeu o maior número de inscrições,
28. Em seguida vêm as iniciativas na área de
Educação Ambiental, com 25 inscritos, e ONGs
com 18. As categorias Negócios Sustentáveis,
com 10 inscritos, Associação Comunitária,
8 participantes, Municípios - que não concorre
a prêmios em dinheiro - com 7 e 4 trabalhos sem categorias
definidas.
Os primeiros colocados receberão
prêmio de R$ 28 mil - exceto categoria Município
- e diploma honorífico. A entrega dos prêmios
está prevista para dezembro, no Rio de Janeiro. A
idéia de dar visibilidade ao prêmio é
para que os trabalhados possam funcionar como exemplo para
novas iniciativas.
Organizado pelo Departamento de Articulação
de Ações da Amazônia (DAAM), vinculado
à Secretaria-Executiva do MMA, o Prêmio Chico
Mendes foi criado em 2002 para valorizar e incentivar trabalhos
voltados para a proteção do meio ambiente
no bioma Amazônia.
Veja perfil dos vencedores da 7ª edição
do Prêmio Chico Mendes
Perfil dos Premiados
LIDERANÇA INDIVIDUAL
1° lugar Ana Maria Carvalho Ribeiro
Lange, Cambé/PR.
Nascida em Cambé, no estado do Paraná,
Ana Lange formou-se em Antropologia Social na Universidade
Federal do Paraná e nos seus 30 anos de dedicação
à Amazônia trabalhou na Funai por seis anos,
onde lutou pelos direitos dos povos indígenas e em
1986, já no IPEA, trabalhou na coordenação
do Programa de Meio Ambiente e Comunidades Indígenas
PMACI, financiado pelo BID. Foi responsável pelos
processos de identificação e regularização
de áreas indígenas e para o fortalecimento
de comunidades de base (extrativistas e de agricultura familiar)
e de várias organizações não
governamentais.
Com a criação da extinta Secretaria
Especial de Meio Ambiente da Presidência da República
(embrião do Ministério do Meio Ambiente),
nos anos 90, passou a integrar a equipe dedicada aos assuntos
amazônicos. No MMA, foi responsável pelo Programa
Amazônia Solidária, voltado para o fortalecimento
das comunidades extrativistas, indígenas e locais.
Também coordenou uma rede de instituições
para a implantação da assistência técnica
aos extrativistas vinculados ao Prodex, linha de crédito
dirigida pelo Banco da Amazônia.
Atualmente é consultora e assessora
indigenista da Eletronorte, atuando no Amapá junto
aos povos indígenas Galibí-Kalinã,
Palikur, Karipuna e Galibí-Marworno, na formulação
de proposta de compensação pela passagem da
linha de transmissão de energia, Calçoene/Oiapoque,
na Terra Indígena Uaçá.
ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA
1° lugar Associação
de Seringueiros Kaxinawa do Rio Jordão ASKARJ,
Rio Branco/AC.
Fundada em 1988, a Associação
de Seringueiros Kaxinawa do Rio Jordão (ASKARJ) é
responsável jurídica por três Terras
Indígenas no município de Jordão, no
Acre: TI´s Huni Kuin do Alto Jordão, Baixo
Jordão e Seringal Independência e representa
a luta pela regularização das Terras Indígenas
e das Reservas Extrativistas.
Observando os princípios do desenvolvimento
sustentável, com intensa participação
comunitária, desenvolve diversas linhas de trabalho:
cooperativismo, arte, medicina, educação,
sistemas agroflorestais, extrativismo, agricultura e criação.
Inúmeras são suas conquistas.
Dentre outras, destacam-se: (i) a participação
no processo de criação e implantação
da Reserva Extrativista do Alto Juruá, da qual são
vizinhos; (ii) na área de saúde, o fortalecimento
do trabalho de pajés, com a escola dominicais de
pajelança e os parques de plantas medicinais para
estudo; na proposição de convênios
para pesquisa e ensino, inclusive o intercâmbio entre
a pajelança e a acupuntura com entidades de referência
em São Paulo e no Rio de Janeiro; (iii) o fortalecimento
do protagonismo das mulheres no campo artístico a
partir da realização de pesquisas e intercâmbios
com vários locais do país; (iv) a formação
de jovens para registro em áudio, vídeo, fotografia,
desenho e documentários para o fortalecimento da
capacidade de auto-documentação e o repasse
de da memória e sabedoria do Povo Huni Kuin; (v)
a melhoria da capacidade nutricional na comunidade a partir
da formação de agentes agroflorestais e implantação
de SAF´s e viveiros de mudas frutíferas.
ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL
1° lugar Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia IMAZON, Belém/PA.
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia fundado em 1990 e sediado em Belém/PA
é uma instituição sem fins lucrativos
e tem como missão promover o desenvolvimento sustentável
na Amazônia brasileira por meio de estudos, apoio
à formulação de políticas públicas,
disseminação ampla de informações
e formação profissional.
O IMAZON tem contribuído efetivamente
para a elaboração de políticas públicas
de largo alcance na Amazônia para o ordenamento territorial,
criação e implementação de unidades
de conservação, aperfeiçoamento dos
sistemas de comando e controle, melhoria na aplicação
de lei de Crimes Ambientais, instrumentos de fomento, entre
outros.
O Projeto Monitoramento de Áreas
Protegidas por meio do Sistema de Alerta do Desmatamento
SAD, do Programa Transparência Florestal tem como
objetivo o repasse rápido e preciso de informações
georreferenciadas sobre a ocorrência de desmatamentos
nas Áreas Protegidas apontando a localização
exata em que ocorrem os polígonos de desmatamento.
Desta forma, o IMAZON firmou parceria com o Ministério
Público para que o instituto subsidie-os com essas
informações que são atualizadas mensalmente.
Assim, quando o IMAZON identifica algum
desmatamento, envia ao Ministério Público,
que aciona imediatamente a Polícia Federal e o órgão
federal de meio ambiente quando a ocorrência foi em
área protegida federal e aciona a Secretaria de Meio
Ambiente quando foi em área protegida estadual.
1° lugar Conselho Geral da Tribo Ticuna
CGTT, Benjamin Constant/AM.
Atuando há mais de 30 anos na região
do alto Solimões, o Conselho Geral da Tribo Ticuna
-CGTT, em 1997, constituiu-se em uma associação
civil, sem fins lucrativos, de direito privado, sem vínculos
partidários e religiosos sediada na cidade de Benjamim
Constant, no Estado do Amazonas, com o objetivo dar continuidade
ao processo de demarcação dos territórios
do povo Ticuna iniciado no início de 1980; de promover
ações de reconhecimento da sua cultura e história;
garantir o cumprimento dos direitos constitucionais assegurados
aos povos indígenas e estimular a preservação
das tradições culturais de seu povo, tais
como, a educação escolar e a medicina tradicional.
Desde 1988 atua em parceria com entidades
que apóiam suas iniciativas, destacando-se ações
de demarcação de terras, manejo e confecção
de artefatos a partir de produtos da floresta e busca de
alternativas de manejo que fortaleçam o povo Ticuna.
Sua terras constituem-se hoje em territórios
com alto grau de preservação de seus recursos
naturais, principalmente os recursos pesqueiros de seus
inúmeros lagos, que são bastante assediados
por pescadores profissionais mas permanecem preservados
graças à atuação do CGTT e das
lideranças Ticuna.
NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS
1° lugar Associação
Halitinã, Tangará da Serra/MT.
Fundada em 1992, a Associação
Indígena Halitinã, representante do Povo Indígena
Paresí tem como objetivo estabelecer relações
sociais com a população da área para
o pagamento de direito de passagem em seu território.
Desta forma a Associação vem desenvolvendo
ações que buscam a autodeterminação
do Povo Paresí.
Em 2003 firmou convênio com a Fundação
Nacional de Saúde para atendimento básico
do seu povo e em 2006 articulou com vários órgãos
para execução de projetos que visem o aproveitamento
de espécies nativas do cerrado, neste sentido, após,
o zoneamento do território foi apontado o pequi como
principal matéria-prima, assim foram construídos
projetos e firmaram patrocínio com a Petrobrás.
O projeto visa incentivar e valorizar a utilização
racional e sustentável do pequi em área Indígena
Paresí envolvendo mais de 400 índios na capacitação
de coleta seletiva de frutos, higienização,
seleção, beneficiamento e comercialização
do produto.
Essas ações proporcionaram
melhoria na qualidade alimentar, geração de
trabalho e renda com atividades de baixo impacto, considerando
a área econômica, social e ambiental.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
1° lugar Programa Rede dos Vaga Lumes,
da Associação Vaga Lume, São Paulo/SP.
A Associação Vaga Lume é
uma organização sem fins lucrativos fundada
em 2001 com a missão de contribuir com o desenvolvimento
cultural e educacional de comunidades rurais da Amazônia
Legal brasileira, tendo por pressuposto que o investimento
em seres humanos é a melhor estratégia para
transformação de uma realidade.
Inicialmente de posse de dados que apontavam para apenas
26% da população brasileira dotadas de habilidades
plenas de leitura e escrita; para ausência de livrarias
em 89% dos municípios brasileiros; para a concentração
de 73% dos livros em apenas 16% da população
brasileira; para somente 47% de brasileiros na idade de
14 a 64 anos com a 8ª série do ensino fundamental
concluída e para os restantes 53% sem o nível
escolar mínimo que a Constituição afirma
ser direito de todos os cidadãos -, a Associação
Vaga Lume criou o Projeto Papel de Carta, em 2002, onde
foi estimulada a aproximação entre pessoas
da cidade de São Paulo e de comunidades rurais da
Amazônia.
Em 2003 criou a Campanha Vaga Lume de Arrecadação
de Livros com o objetivo promover o acesso ao livro e a
leitura nas referidas comunidades. E em 2005 formulou o
Programa Rede dos Vaga-Lumes com o intuito de promover o
intercâmbio cultural entre comunidades escolares urbanas
da região sudeste e comunidades rurais da Amazônia
brasileira, a partir de de vivência de representantes
e de troca de cartas, materiais e produções
entre crianças e adultos inseridos nas diferentes
realidades, visando ampliar o conhecimento de nossa complexa
realidade social.
Os trabalhos desenvolvidos por esta entidade
apresentam um caráter inovador, aplicando princípios
da gestão de conhecimento: intercâmbio de experiências
- entre realidades díspares em um país cujas
realidades se complementam - e a formação
de redes. Pressupõe-se que os resultados obtidos
vão muito além da abertura de horizontes para
os professores e alunos que dele participam: laços
afetivos são criados, expectativas são alimentadas,
estímulos á transformação pessoal
são intercambiados e certamente, as crianças
que participam das atividades serão futuros cidadãos
conscientes das possibilidades de crescimento sustentável
existentes em nosso País.
MUNICÍPIO
1° lugar Lucas do Rio Verde, MT.
A Prefeitura Municipal de Lucas do Rio Verde
MT, através das Secretarias de Agricultura e Meio
Ambiente e da Educação e Cultura, com o objetivo
despertar os jovens para as questões ambientais e
formar futuros gestores ambientais, desenvolveu o Projeto
Semeando a Educação, dentre outros.
Coordenado pela Secretaria Municipal de
Educação e Cultura, este trabalho é
realizado na rede escolar municipal e atende os alunos residentes
em oito bairros. A Prefeitura disponibiliza uma coordenadora
pedagógica, uma bióloga e uma engenheira agrônoma,
assim como uma sala para as atividades teóricas e
uma área para as atividades práticas que vão
desde o estudo da flora e fauna locais, o levantamento das
espécies do cerrado adequadas para a recomposição
de áreas, a coleta de sementes e a produção
de mudas.
Os estudantes participam de todo o processo:
coleta das sementes, semeadura, preparação
do solo e plantio das mudas, durante o qual são desenvolvidos
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências,
elementos fundamentais para uma participação
cidadã e
a construção de uma sociedade sustentável.
Como resultado, o viveiro
municipal já produziu 10 mil mudas de espécies
nativas (com igual montante em fase de germinação),
as quais foram utilizadas na recuperação e
recomposição de áreas degradadas situadas
no perímetro urbano e em área de uma nascente
em área rural.