Brasil quer
reduzir em 4,8 bilhões de toneladas emissões
de dióxido de carbono
Daniela Mendes
O governo brasileiro quer reduzir
em 72% o índice de desmatamento na Amazônia
até 2017. O Plano Nacional sobre Mudança do
Clima, lançado nesta segunda-feira no Palácio
do Planalto, prevê a redução de 40%
no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro,
atingindo cinco mil Km2 em 2017. Isso equivale a 4,8 bilhões
de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a menos
na atmosfera. O documento aponta outras medidas a serem
tomadas nas áreas de produção de energia
elétrica, álcool, biodiesel e carvão.
"Isso é mais do que o esforço de todos
os países desenvolvidos. A Inglaterra, por exemplo,
quer reduzir 80% até 2050", avaliou o ministro
do Meio Ambiente, Carlos Minc.
O documento, elaborado com a
participação de 17 ministérios, traz,
pela primeira vez, metas voluntárias nacionais para
redução de emissões de gás carbônico
provocadas pelo desmatamento. As metas de redução
têm como base a média de desmatamento entre
1996 e 2005 que é de 19 mil km².
No Brasil, o desmatamento e as
queimadas são responsáveis por 75% das emissões
de gases causadores do efeito estufa. Segundo Minc, o estabelecimento
de metas de redução de emissões - que
enfrentava resistência no governo brasileiro - só
foi possível porque mudou a relação
política dentro do governo e a percepção
da sociedade e de outros segmentos sobre o tema.
"O bom de ter meta é
que cada um tem que fazer sua parte", disse Minc ao
afirmar que não só o governo federal, mas
a sociedade como um todo tem de assumir seu papel, suas
responsabilidades e trabalhar para que os objetivos do plano
sejam alcançados.
O ministro informou ainda que
o plano passará por avaliações anuais.
"O plano não é uma obra acabada. Vamos
ter acompanhamento setor por setor, meta por meta, todo
ano. Assim podemos fazer os ajustes necessários e
avaliar nosso desempenho", esclareceu durante sua apresentação
do plano aos representantes do Fórum Brasileiro de
Mudanças Climáticas. A secretária de
Mudanças Climáticas do MMA, Suzana Kahn, também
participou da reunião.
Segundo Minc, no plano há
também metas importantes de redução
associadas ao etanol e ao biocombustível que, em
15 anos, vão significar a redução de
508 milhões de toneladas de CO2. "Queremos ampliar
em 11% ao ano a participação desses combustíveis
na nossa matriz", afirmou o ministro.
Somado ao esforço de combate
ao desmatamento haverá estímulo a políticas
de incentivo para uso de energias limpas como a solar, incentivo
ao uso de automóveis que emitam menos e gastem menos
combustível, à reciclagem, além de
metas importantes para redução do desperdício
de energia.
O aumento do número de
árvores plantadas é outra meta importante
do plano. "Queremos passar de 5,5 milhões de
hectares para 11 milhões de hectares em 2017, sendo
2 milhões de nativas", informou Minc.
O passo seguinte é a definição
de metas setoriais com compromissos por setor e por região.
Minc informou que no início de 2010 o plano deverá
passar por uma revisão incorporando novas sugestões
e os dados do novo inventário de emissões
que está em elaboração pelo Ministério
de Minas e Energia.
Objetivos - Com o Plano Nacional
sobre Mudança do Clima, o governo brasileiro pretende
incentivar o desenvolvimento de ações no Brasil
e colaborar com o esforço mundial de combate ao problema.
Além disso, quer criar condições internas
para enfrentar as conseqüências sociais e econômicas
das alterações climáticas.
O plano possui oito objetivos
centrais e está estruturado em quatro eixos: mitigação;
vulnerabilidade, impacto e adaptação, pesquisa
e desenvolvimento; e capacitação e divulgação.
Nesta sua primeira fase, o plano
busca organizar as ações em curso, reforçar
medidas existentes e identificar e criar novas oportunidades,
para permitir o intercâmbio de experiências
e a integração de ações nos
mais diversos segmentos da sociedade. Tem a função
principal de maximizar os resultados positivos do conjunto
dos esforços nacionais em favor do clima global e
fortalecer o processo adaptativo do País ao sistema
climático.
Nas próximas fases, deverão
ser incluídos os mecanismos de avaliação
do desempenho das ações em curso e respectivos
resultados. Serão também apresentadas ações
e instrumentos complementares, incluindo pactos com os estados
da federação, destinados a garantir que os
objetivos possam ser alcançados.
Nesse sentido, devem ser realizados
estudos sobre novos mecanismos econômicos de estímulo
ao desenvolvimento sustentável, contemplando incentivos
fiscais e tributários, dentre outros.
Para que o plano seja resultado
de um diálogo permanente com a sociedade civil, será
mantido ainda o canal de comunicação com o
objetivo de garantir a ampla participação
da população em todas as suas fases.
Para cada objetivo apresentado
foram estabelecidas ações para alcançá-los.
O entendimento do governo é que para que o desenvolvimento
do País ocorra em bases sustentáveis, as ações
governamentais dirigidas ao setor produtivo deverão
buscar, cada vez mais, a promoção do uso mais
eficiente dos recursos naturais, científicos, tecnológicos
e humanos.
Segundo o plano, os esforços
em fomentar um nível de desempenho nos setores da
economia, pautado nas melhores práticas em cada um
dos setores específicos, serão uma forma de
se buscar reduzir o conteúdo de carbono do produto
interno bruto brasileiro, aumentar a competitividade dos
produtos brasileiros no mercado internacional, fazer crescer
a renda e gerar excedentes econômicos que possam garantir
maiores níveis de bem-estar social.
Principais objetivos do Plano
Nacional sobre Mudanças do Clima
1) Identificar, planejar e coordenar
as ações para mitigar as emissões de
gases de efeito estufa geradas no Brasil, bem como àquelas
necessárias à adaptação da sociedade
aos impactos que ocorram devido à mudança
do clima;
2) Fomentar aumentos de eficiência
no desempenho dos setores da economia na busca constante
do alcance das melhores práticas;
3) Buscar manter elevada a participação
de energia renovável na matriz elétrica, preservando
posição de destaque que o Brasil sempre ocupou
no cenário internacional;
4) Fomentar o aumento sustentável
da participação de biocombustíveis
na matriz de transportes nacional e, ainda, atuar com vistas
à estruturação de um mercado internacional
de biocombustíveis sustentáveis;
5) Buscar a redução
sustentada das taxas de desmatamento, em sua média
quadrienal, em todos os biomas brasileiros, até que
se atinja o desmatamento ilegal zero;
6) Eliminar a perda líquida
da área de cobertura florestal no Brasil, até
2015;
7) Fortalecer ações
intersetoriais voltadas para redução das vulnerabilidades
das populações;
8) Procurar identificar os impactos
ambientais decorrentes da mudança do clima e fomentar
o desenvolvimento de pesquisas científicas para que
se possa traçar uma estratégia que minimize
os custos sócio-econômicos de adaptação
do País.
01/12/2008
Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente