Esclarecimentos
sobre teor de enxofre e o óleo diesel S-50
2/12/2008 18:35:52
Para restabelecer a
verdade dos fatos quanto a notícias divulgadas na
imprensa sobre o teor de enxofre no óleo diesel,
a Petrobras afirma que vem sendo alvo de uma campanha articulada
com o objetivo de atingir a imagem da Companhia e questionar
a seriedade e eficiência de sua administração.
Por entender que o grupo
de pessoas e entidades responsável por essa campanha
contra a Companhia encontra respaldo no Instituto Ethos
de Empresas e Responsabilidade Social, cujo conselho deliberativo
é presidido por um de seus integrantes, a Petrobras,
em respeito a todos os seus públicos de interesse
e em conformidade com sua postura de responsabilidade social,
decidiu hoje pelo seu desligamento da entidade.
O grupo de pessoas que
atua de forma deliberada e difamatória contra a Petrobras
é composto por integrantes das Secretarias de Meio
Ambiente dos Estados de São Paulo e Minas Gerais,
Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Cidade de São
Paulo, e de algumas organizações não-governamentais
que se intitulam representantes da sociedade civil de São
Paulo
Entre outras afirmações
mentirosas, o grupo diz que a Petrobras descumpre uma resolução
Conama que não existe. O grupo mente ainda ao dizer
que a Petrobras descumpre um Termo de Ajuste de Conduta
– TAC igualmente inexistente que obrigaria a Companhia
a ajustes na sua conduta supostamente indevida.
Resolução
Conama
Ao contrário
do que esse grupo tem afirmado, a Resolução
Conama 315/2002 não trata sobre composição
de combustíveis, muito menos sobre teores de enxofre
no diesel, e sim sobre nível de emissões que
os veículos, produzidos no Brasil ou importados,
deverão apresentar a partir de janeiro de 2009. É
portanto insustentável a afirmação
de que a Petrobras estaria desrespeitando essa resolução.
A regulamentação
sobre composição de combustíveis é
competência da Agência Nacional de Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis – ANP,
que a fez na Resolução ANP nº 32 de 16
de outubro de 2007. Logo após, a Petrobras anunciou
que fornecerá diesel com 50 ppm (partículas
por milhão) de enxofre, a partir de janeiro de 2009,
para os veículos que adotarem a tecnologia adequada
às exigências da fase P-6 do Programa de Controle
da Poluição do Ar por Veículos Automotores
– Proconve.
O Juiz José Carlos
Motta, da 19ª Vara Cível da Justiça Federal
de São Paulo, em decisão liminar proferida
em 15 de setembro de 2008 determinou “...à
Petrobras, que forneça o diesel S-50 em quantidade
suficiente ao abastecimento dos veículos novos a
serem introduzidos no mercado consumidor a partir de 1 de
janeiro de 2009, em pelo menos uma bomba em cada ponto de
comercialização de combustível; ...”.
E acrescentou em 2 de outubro deste mesmo ano “...Nesta
linha de raciocínio e para completar a decisão
embargada esclareço que a embargante, neste feito,
afirmou e reafirma agora o compromisso público de
disponibilizar às distribuidoras o volume necessário
de Diesel S-50 comercial para atender a frota de veículos
da fase P6 do PROCONVE – novos – e dotados de
tecnologias restritas à utilização
de tal espécie de combustível.” Essa
decisão referendou posições e práticas
que a Petrobras vem adotando.
Cabe ressaltar que a
Procuradora da República, Ana Cristina Bandeira Lins,
em carta ao jornal Gazeta Mercantil em 12 de novembro de
2008 afirma textualmente "Um engano muito grande é
dizer que há uma norma exigindo a distribuição
exclusiva de óleo Diesel S-50 em todo o País."
Em outra carta, publicada pela Folha de S. Paulo em 29 de
novembro de 2008, diz que “ a cada dia convenço-me
mais que essa briga não tem nenhum cunho ambiental;
é apenas uma guerra partidária.”
Qualidade do
ar de São Paulo
A afirmação
de que a atual quantidade de enxofre no diesel é
a única responsável pela qualidade do ar e
a conseqüente ocorrência de graves doenças
respiratórias da população brasileira
é questionável, mesmo no âmbito metropolitano.
Além disso, segundo relatório da Cetesb de
2007, o principal problema para a qualidade do ar de São
Paulo é o ozônio, que não está
diretamente relacionado com o teor de enxofre do óleo
diesel. Quanto ao material particulado, que tem relação
com o teor de enxofre do diesel, os índices de São
Paulo estão aceitáveis, abaixo dos limites
do Conama.
Assim, é enganoso
afirmar-se que apenas reduzindo o teor de enxofre do diesel
resolveremos o problema da qualidade do ar. Primeiro porque
o enxofre influencia somente o material particulado. Segundo,
de acordo com a Organização Mundial de Saúde
- OMS, a queima de matéria orgânica gera também
material particulado e não é possível
diferenciar a toxidade dessas duas origens. Terceiro, o
diesel com 50 ppm de enxofre só é efetivo
quando utilizado em motores com tecnologia avançada
P-6, como os que seriam produzidos para atender a Resolução
315. Quarto e último, a qualidade do ar é
influenciada por diversos fatores tais como: idade e tamanho
da frota automotora, tecnologia dos motores, sistema viário,
condição de manutenção da frota,
programas de inspeção e renovação
da frota, entre outros.
Diálogo
e acordo
O grupo de pessoas e
entidades sustenta outra inverdade, a de que a Petrobras
tenha se furtado a dialogar com a sociedade sobre emissões
veiculares. Esse diálogo ocorreu em vários
fóruns e oportunidades, entre eles a Conferência
Internacional do Instituto Ethos 2008, da qual a Petrobras
foi patrocinadora e que contou com a presença de
vários integrantes desse grupo.
No Judiciário
e no Conama a Petrobras dialogou com a sociedade civil,
empresas e governos. Lamentamos que parte do grupo contestador,
convidado, recusou o diálogo. O Governo do Estado
de São Paulo e a Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) participaram
das negociações que resultaram no acordo judicial
firmado em 29 de outubro de 2008. Participaram também
o Ministério Público Federal, Instituto Brasileiro
de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Agência
Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP), Fabricantes de Veículos, Fabricantes de Motores,
Associação Nacional de Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea) e a Petrobras. O diálogo se
ateve à verdadeira Resolução Conama
315 e pôs fim a duas ações civis públicas
propostas pelo Ministério Público Federal
(MPF) e pelo Estado de São Paulo.
Por este acordo, o fornecimento de óleo diesel com
menor teor de enxofre para as frotas cativas de ônibus
urbanos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro,
será iniciado a partir de janeiro de 2009. Nas demais
regiões do país, o fornecimento de diesel
S-50 se dará conforme cronograma divulgado pela imprensa.
Desinformação
A ação
politizada desse grupo promove a desinformação
do público em geral e induz entidades sérias
a cometerem erros de avaliação e decisão,
prejudicando a Petrobras, seus acionistas e demais partes
interessadas.
A Petrobras acredita
que as melhores soluções para problemas complexos,
com múltiplas causas e diversos interesses se dão
através da busca do consenso possível, em
respeito a todas as partes envolvidas e a partir de compromissos
mútuos e visíveis.
02/12/2008
Agência Petrobras de Notícias