Campanha envolve
consumidores na fiscalização da pesca predatória
da lagosta
Lucia Leão
Uma régua. É
com esta arma que os consumidores de lagosta poderão
integrar as forças nacionais de fiscalização
e saborear, de consciência tranqüila, essa dádiva
que, pela pesca predatória, já escasseia na
costa brasileira. A menorzinha, da espécie "cabo
verde", não pode ter menos do que 17,5 centímetros,
sendo 11 centímetros de cauda. Já a vermelha
precisa encher os olhos com seus 20,5 centímetros
(se for do tipo mignon), dos quais 13 centímetros
de cauda.
Fotos em tamanho natural, com as respectivas medidas, estão
nos folders que serão distribuídos, a partir
da próxima semana, nos aeroportos das cidades costeiras,
em restaurantes, hotéis, supermercados e outros pontos
de comércio, consumo e transporte do crustáceo.
Com versões em português e inglês, eles
são a principal peça da primeira edição
da Campanha de Consumo Legal de Pescados, lançada
nesta quinta-feira (4) no Ministério do Meio Ambiente.
Os ministros Carlos
Minc e Altemir Gregolin, da Secretaria de Aquicultura e
Pesca - o MMA, o Ibama e a Seap atuam juntos, desde 2006,
pela captura sustentável e a recuperação
dos estoques de lagosta do país -, apresentaram as
peças da Campanha numa solenidade conjunta, onde
foi lançado também o Plano de Gestão
para o Uso Sustentável de Lagostas no Brasil, uma
estratégia nacional elaborada com a participação
também da comunidade científica, dos governos
estaduais e municipais e representantes dos segmentos envolvidos
na cadeia produtiva da lagosta.
Essa mobilização
foi resposta à profunda crise observada no setor
para evitar a tragédia de extinção
anunciada: entre 1991 e 2006, a captura em águas
brasileiras caiu de 11 mil toneladas para 7 mil toneladas,
com graves repercussões sociais e econômicas
nos estados produtores (do Espírito Santo ao Amapá).
Ainda assim, o setor respondeu por 150 mil empregos diretos
e divisas de US$ 80 milhões para o país em
2007.
O Plano implicou, entre
outras medidas, na ampliação, do período
de defeso - agora ele é de seis meses, entre primeiro
de dezembro e 31 de maio - e na troca dos equipamentos utilizados
para captura. As caçoeiras, redes com fios de metal
que arrastavam lagostas de todos os tamanhos, junto com
tartarugas e outras espécies marinhas e até
mesmo corais, e a pesca de mergulho, que utiliza tubos de
respiração, foram proibidas. Hoje a pesca
deve ser feita por covos, armadilhas que detém apenas
os animais de tamanho apropriado para captura.
"Nós, do
Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e da Secretaria
da Pesca, estamos fazendo nossa parte, que é de fiscalizar,
reprimir as práticas predatórias e estimular
a produção sustentável nessa atividade
que é tão importante economica e culturalmente
nas nossas cidades costeiras. Mas o consumidor deve e agora
pode fazer a sua parte. E só tirar do bolso esta
reguinha e, se a medida da lagosta não tiver de acordo,
devolver para a cozinha e trocar de iguaria" ensinou
o Ministro apontando didaticamente o folder da campanha.
05/12/2008
Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente