Pesca científica
prossegue no reservatório de Itaipu mesmo durante
a piracema
Mesmo em época de piracema, que vai
de novembro deste ano até fevereiro de 2009, quando
é proibida a pesca com determinados apetrechos em
função da desova e reprodução
dos peixes, alguns pescadores são liberados para
colocar redes em pontos estratégicos do reservatório
de Itaipu. Mas nada de alarme: o que pode parecer errado
e confundir desavisados é, na verdade, a conservação
do estoque pesqueiro do lago da hidrelétrica.
Pescadores selecionados de colônias
lindeiras, supervisionados por pesquisadores da Itaipu Binacional
e da Universidade Estadual de Maringá (UEM), utilizam
seus conhecimentos para auxiliar em uma pesca científica
que acontece o ano inteiro e não pára sequer
durante o defeso – período em que a pesca é
restrita objetivando a proteção dos peixes
em reprodução. A fiscalização
é feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo
Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Polícia
Florestal.
Segundo os técnicos, há bons
motivos para abrir uma exceção à pesca
científica – que, conforme previsto em lei,
é realizada uma vez por mês, em 13 pontos estrategicamente
distribuídos ao longo do reservatório. “Na
piracema essa pesca é ainda mais importante, pois
com os dados coletados teremos subsídios para preservar
a reprodução das espécies encontradas
no reservatório e ainda garantir a renda futura daqueles
que tiram das águas o sustento de suas famílias”,
explica Matheus Romero Neto, gerente da Divisão de
Reservatório de Itaipu. “É justamente
agora que podemos monitorar a reprodução dos
peixes da região e entender um pouco mais este mecanismo,
que varia ano a ano”, complementa o técnico
ambiental Vilmar Bolzon, que acompanha as pesquisas de campo.
O “Monitoramento do rendimento e da
socioeconomia da pesca no reservatório de Itaipu”,
como é chamado o projeto, existe há 20 anos
e acontece nos pontos de desembarque pesqueiro do reservatório,
nos municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha
de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia,
Missal, Santa Helena, Entre Rios, Pato Bragado, Marechal
Cândido Rondon, Mercedes e Guaíra.
Conscientização
O furto de redes no reservatório e o desconhecimento
de parte da sociedade dos motivos da pesca com redes de
pesquisa durante a piracema vêm preocupando os pesquisadores.
Para evitar prejuízos ao pescador e interferências
no resultado da pesca científica, a Divisão
de Reservatório da Itaipu pretende implementar uma
campanha, ainda sem data prevista para começar, de
conscientização em toda região lindeira
sobre a importância das pesquisas realizadas.
A idéia é mostrar os motivos
das permissões pontuais para a pesca com rede no
período de defeso e alertar sobre o impacto que danos
causados às redes utilizadas na pesca científica
podem ter nas pesquisas. Uma das ações já
está definida. “Estamos compilando informações
para fazer um periódico que será regularmente
distribuído às comunidades das regiões”,
diz Romero Neto.
10/12/2008
Itaipu Binacional
Divisão de Imprensa