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Jefferson
Rudy / MMA |
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Izabella
lembrou que redução de emissões
é meta de governo e não exclusividade
do MMA |
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Ministra interina
defende reabertura de diálogo com pecuaristas da
Amazônia
quarta-feira, 1 julho, 2009 20:36
Paulenir Constâncio
O Ministério do Meio Ambiente
está pronto para retomar as negociações
com o setor da pecuária em torno de uma moratória
da carne para combater o desmatamento na Amazônia.
A informação é da ministra interina
do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela ressaltou a importância
do controle das emissões do setor agropecuário
para o cumprimento das metas de redução de
gases do efeito estufa, previstas no Plano Nacional sobre
Mudança do Clima.
Em audiência pública
nesta quarta-feira (1º) na Comissão de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara
dos Deputados, ela lembrou que o Plano não é
uma posição do Ministério do Meio Ambiente,
mas uma decisão de governo assinada pelo presidente
Lula em dezembro de 2008. Izabella disse ainda que a agenda
de sustentabilidade é uma preocupação
mundial, tanto do mercado consumidor quanto dos organismos
de fomento e financiamento do desenvolvimento. "A sustentabilidade
não é mais uma agenda ambientalista, ganhou
outro patamar. Nos próximos dez anos, quem não
for capaz de incluí-la no planejamento estará
fora do negócio", alertou.
Para a ministra interina, sem
um diálogo multissetorial, que envolva todas as áreas,
não será possível avançar. "A
sustentabilidade do desenvolvimento não é
agenda exclusiva do Meio Ambiente", disse. Segundo
Izabella, ninguém quer corte de crédito para
o setor produtivo, mas o BNDES e as agências de fomento
nacionais e internacionais já incluem a sustentabilidade
como critério para a liberação de recursos.
Ela acrescentou que o MMA já está em fase
de entendimentos com os setores da produção
e pretende negociar com todos os segmentos de atividades
para tornar a "nova agenda ambiental" uma realidade.
Disse ainda que todos os setores são parceiros no
cumprimento das metas de redução, que devem
chegar a 72% até 2017.
O ministro da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento, Reinhold Stephanes, que também falou
durante o evento, admitiu a possibilidade de a pecuária
ser a principal atividade responsável pelo aumento
do desmatamento na Amazônia, mas salientou que o estudo
que solicitou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), capaz de comprovar ou não esta hipótese,
não foi ainda apresentado.
Segundo Stephanes, o Ministério
da Agricultura enviou técnicos à Amazônia
e colheu dados de fotografias aéreas, demonstrando
que não houve aumento da área desmatada para
os pastos. Ele afirmou que é possível dobrar
a produção agropecuária sem desmatar,
e que sua pasta está tomando medidas para que ocorra
o desmatamento zero em seis meses.
A audiência foi provocada
pelo relatório do Greenpeace, que denunciou a atividade
pecuária em áreas de desmatamento na Amazônia,
bem como os frigoríficos responsáveis pelo
abate dos animais. Paulo Adário, coordenador da ONG,
surpreendeu ao apresentar dados que demonstram, segundo
ele, que não se pode mais atribuir apenas aos países
desenvolvidos a culpa pelas atuais emissões.
Já o diretor da área
ambiental do BNDES, Márcio Macedo Costa, afirmou
que o banco não libera mais nenhum financiamento
sem licenciamento ambiental, e apresentou um leque de exigências
que a instituição financeira faz para garantir
a sustentabilidade ambiental de cada projeto aprovado. Costa
lembrou que o banco dispõe de uma linha de financiamento
não reembolsável para os produtores que desejarem
investir em recuperação de áreas degradadas.
A contrapartida deve ser a prova de que o meio ambiente
foi recuperado.
Participaram da reunião,
além do do procurador da república Daniel
César Azeredo Avelino, do Ministério Público
Federal, representantes da Asciação Brasileira
de Exportadores de Carne (Abiec), Associação
Brasileira de Supermercados(Abras), Associação
Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e do Inpe.
Na ocasião, parlamentares da Comissão de Meio
Ambiente se queixaram das medidas de embargo à carne
proveniente de áreas de desmatamento ilegal e com
problemas de trabalho escravo.
MMA / Ascom