domingo, 5 junho, 2011 12:35
Complexo
Eólico Cerro Chato inicia operação
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Divulgação
Eletrosul |
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instalada total do complexo, é suficiente para
atender o consumo de aproximadamente 500 mil pessoas
– seis vezes a população de Sant’Ana
do Livramento, onde as usinas estão sendo instaladas. |
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Semana do Meio Ambiente
Programação
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É a primeira
empresa do Sistema Eletrobras a produzir energia a partir
dos ventos, incrementando em 8,94% a atual capacidade instalada
no País, que é de 1.006 megawatts.
Treze anos depois de
ter seu parque de geração totalmente privatizado,
a Eletrosul Centrais Elétricas S.A., subsidiária
da Eletrobras, dá uma reviravolta em sua história
recente e entrega ao País os primeiros 10 megawatts
(MW) de energia eólica produzidos por uma empresa
do Sistema Eletrobras.
A Eletrosul encaminhou
ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a
Declaração de Atendimento aos Procedimentos
de Rede, oficializando a primeira etapa de operação
do Complexo Eólico Cerro Chato, em Sant’Ana
do Livramento, Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.
“O início
da operação do Complexo Eólico Cerro
Chato é um marco histórico importantíssimo
para a Eletrosul, pois representa a retomada das atividades
de geração, privatizadas no fim da década
de 90, e o resgate da empresa, em sua competência
plena, ao povo brasileiro”, comemorou o presidente
da estatal, Eurides Mescolotto.
Nessa primeira etapa,
entraram em funcionamento cinco de um total de 15 aerogeradores
de um dos três parques que compõem o Complexo.
Cada parque terá capacidade para gerar até
30 MW. A energia produzida por esse primeiro circuito já
está abastecendo o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Paralelamente ao início da operação,
a Eletrosul mantém as obras em ritmo acelerado para
entregar todo o parque gerador, salvo imprevistos, até
o final de setembro próximo.
O diretor de Engenharia
e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos
Custódio, que foi um dos idealizadores do projeto
de Cerro Chato, lembra que o prazo programado para entrada
em operação comercial de todo complexo, autorizado
pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
era julho de 2012. “No entanto, a parceria com os
fornecedores, a proatividade dos técnicos da Eletrosul
e o aprimoramento dos processos de construção
permitiram antecipar a entrega em 10 meses”, justificou.
A energia que será
gerada pelo Complexo Eólico Cerro Chato – consórcio
formado pela Eletrosul (90%) e Wobben (10%) - foi comercializada,
em dezembro de 2009, no primeiro leilão exclusivo
de energia eólica realizado pelo governo federal,
e será disponibilizada ao SIN. Ou seja, reforçará
o sistema elétrico brasileiro, especialmente na fronteira
Oeste do Rio Grande do Sul, diminuindo a dependência
da energia complementar das usinas termelétricas
em períodos de picos de demanda e de estiagem, quando
a capacidade de geração das hidrelétricas
fica comprometida.
A geração
de 90 MW, que será a capacidade instalada total do
complexo, é suficiente para atender o consumo de
aproximadamente 500 mil pessoas – seis vezes a população
de Sant’Ana do Livramento, onde as usinas estão
sendo instaladas.
O empreendimento –
O Complexo Eólico Cerro Chato começou a ser
construído em junho de 2010. Em abril deste ano,
foi concluída a montagem do primeiro de um total
de 45 aerogeradores modelo E-82 de 2000 kW de potência,
fabricados pela Wobben/Enercon, que ocuparão uma
área de 80 quilômetros quadrados na zona rural
de Sant’Ana do Livramento. O investimento é
de R$ 400 milhões.
O empreendimento compreende,
ainda, uma subestação coletora, que concentrará
a energia produzida pelas três usinas e fará
a conversão da tensão de 34 quilovolts (kV)
para 230 kV. A energia chega até a subestação
coletora por uma rede de média tensão subterrânea
de 69 quilômetros. Dessa unidade, a energia é
transportada por uma linha de transmissão de 24,7
quilômetros de extensão, já concluída,
para outra subestação, a Livramento 2, que
pertence à Companhia Estadual de Energia Elétrica
do Rio Grande do Sul (CEEE). De lá, a energia será
distribuída para o SIN. A Subestação
Livramento 2 foi ampliada para receber a energia gerada
por Cerro Chato.
O engenheiro responsável
pela obra, Franklim Fabrício Lago, informou que já
foi concluída a concretagem de 31 bases de sustentação
dos aerogeradores. Essa é uma das etapas da obra
que requer mais atenção. “Não
há margem para falhas, pois os trabalhos, uma vez
iniciados, não podem ser interrompidos. Isto é,
a base deve concretada de forma contínua até
ficar pronta, mesmo que isso implique em estender os serviços
madrugada adentro.” São usados, em cada base,
mais de 500 metros cúbicos de concreto – volume
suficiente para construir um prédio de 12 andares.
A montagem dos aerogeradores
também é um processo delicado pela dimensão
e peso dos segmentos que compõem as torres e dos
componentes do aerogerador. É preciso o uso de quatro
guindastes, em etapas sequenciais, para içar as peças.
A previsão é
de que o primeiro parque de usinas esteja em pleno funcionamento
até a primeira semana de julho. O segundo conjunto
de usinas deverá ser finalizado e entrar em operação,
até o final de agosto, e o terceiro parque gerador,
até o final de setembro. “Não é
necessário esperar que o parque todo esteja pronto
para começar a gerar energia. À medida que
são concluídas as montagens dos aerogeradores,
eles já são interligados ao sistema de transmissão”,
esclareceu Lago.
Investimentos
em geração
O governo federal retirou a Eletrosul do Programa Nacional
de Desestatização (PND), em 2004, e autorizou
a empresa a retomar os investimentos em geração
e transmissão. Os valores investidos somente em geração
saltaram de R$ 189,9 milhões, em 2008, para R$ 513
milhões, no ano passado – um acréscimo
de 170%. Para este ano, estão orçados R$ 723,4
milhões.
Para Mescolotto, a retirada
da Eletrosul do PND é uma prova da credibilidade
da empresa junto ao governo federal. “O presidente
Lula e a então ministra das Minas e Energia e hoje
presidenta, Dilma Rousseff, acreditaram que a Eletrosul,
por todo seu histórico de contribuição
com o desenvolvimento do País, era capaz de se reerguer
depois de seu quase desmonte. Estamos retribuindo esse voto
de confiança, entregando nosso primeiro empreendimento
em geração.”
Além do Complexo
Eólico Cerro Chato, a Eletrosul tem vários
outros empreendimentos em construção, o que
permitirá expandir sua área de atuação,
antes restrita aos três estados do Sul e Mato Grosso
do Sul. Ainda no Rio Grande do Sul, está sendo construída
a Usina Hidrelétrica Passo São João,
com capacidade instalada de 77 MW. No Paraná, a empresa
está investindo, junto da Companhia Paranaense de
Energia (Copel), na construção da Usina Hidrelétrica
Mauá, que irá gerar 361 MW. Em Mato Grosso
do Sul, está em construção a Usina
Hidrelétrica São Domingos (48 MW).
A Eletrosul tem participação,
também, na construção da Usina Hidrelétrica
Jirau (3.750 MW), em Porto Velho (RO), e na Usina Hidrelétrica
Teles Pires (1.800 MW), entre os estados do Pará
e Mato Grosso, sem contar os investimentos em pequenas centrais
hidrelétricas (PCHs), que estão em construção
em Santa Catarina.
Sobre a
energia eólica
Denomina-se
energia eólica a energia cinética contida
nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento
ocorre por meio da conversão da energia cinética
de translação em energia cinética de
rotação, com o emprego de turbinas eólicas,
também denominadas aerogeradores, para a geração
de eletricidade, ou cataventos (e moinhos), para trabalhos
mecânicos como bombeamento d’água.
Assim como a energia
hidráulica, a energia eólica é utilizada
há milhares de anos com as mesmas finalidades: bombeamento
de água, moagem de grãos e outras aplicações
que envolvem energia mecânica.
Para a geração
de eletricidade, as primeiras tentativas surgiram no final
do século XIX, mas somente um século depois,
com a crise internacional do petróleo (década
de 1970), é que houve interesse e investimentos suficientes
para viabilizar o desenvolvimento e aplicação
de equipamentos em escala comercial. A primeira turbina
eólica comercial ligada à rede elétrica
pública foi instalada em 1976, na Dinamarca.
Segundo informações
contidas em relatório sobre energia eólica
da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
a maioria dos estudos aponta que o Brasil teria potencial
para gerar até 60.000 MW de energia a partir do aproveitamento
dos ventos. O Atlas do Potencial Brasileiro, publicado pelo
Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) aponta
um potencial eólico de 143.000 MW, a 50 metros de
altura.
O Banco de Informações
de Geração da Aneel, atualizado até
o dia 27 de maio, aponta a existência de 50 empreendimentos
de geração de energia eólica em operação,
no Brasil. Em pouco mais de nove anos, a potência
instalada saltou de 21 megawatts para 1.006 MW: um aumento
de 4.690%. Apesar do acréscimo significativo, a participação
das fontes eólicas na matriz energética brasileira
ainda é pequena: apenas 0,87%. A Aneel considera
a potência fiscalizada (em operação
comercial), que é de 998,5 MW, para calcular a participação
na matriz.
O mesmo levantamento
mostra que há 35 usinas eólicas em construção
no País (considerando as três usinas do Complexo
Eólico Cerro Chato) que, juntas, poderão produzir
até 927,9 MW.
No contexto energético
do País, a Eletrosul vem atuando de forma intensa
na busca do aproveitamento dos recursos naturais para produção
de energia limpa a partir do vento, alinhada com a perspectiva
futura de que essa fonte primária irá desempenhar
papel preponderante na matriz energética do País.
Isso, levando em conta o grande número de projetos
eólicos inscritos nos leilões de Energia de
Reserva e de Fontes Alternativas de 2009 e 2010 e os preços
altamente competitivos dessa fonte, observados nessas licitações.
(Fonte: Eletrosul e Aneel)
Luana
Maciel Costa | Imprensa / Eletrosul
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