PIB do agronegócio
mineiro pode chegar a R$ 84,4 bilhões
BELO HORIZONTE (18/09/08)
- O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio mineiro
cresceu quase 10% no primeiro semestre. É o que mostra
levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo
(Cepea/USP), patrocinado pela Federação da
Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais
(Faemg) e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária
e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). Se o ritmo do crescimento
se mantiver, o PIB do setor deve chegar a R$ 84,4 bilhões
em 2008.
“Este resultado
comprova a pujança do agronegócio e seu peso
na economia mineira e nacional”, ressalta o superintendente
de Economia e Política Agrícola da Seapa,
João Ricardo Albanez. Ele acrescenta que o setor
já responde por 30% do PIB de Minas e por 11% do
PIB do Brasil. A pesquisa mostrou que o bom desempenho foi
alavancado pelo agronegócio da pecuária, que
cresceu 14,04%, puxado pela produção de leite.
O agronegócio da agricultura registrou taxa menor
de crescimento, de 5,94%.
O coordenador da Assessoria
Técnica da Faemg, Rodolfo Oliveira, informa que o
segmento que mais cresceu no primeiro semestre foi o de
insumos, tanto para agricultura como para pecuária.
Esse crescimento deve-se à alta em torno de 60% dos
preços dos produtos, que subiram motivados pela demanda
crescente. “A procura por fertilizantes vem crescendo
em todo o mundo, especialmente no Brasil, para atender à
pressão por aumento da oferta de alimentos e de matéria-prima
para biocombustíveis”, explica.
Tendências
Outro destaque da pesquisa
foi o bom desempenho da produção agrícola,
com o crescimento das safras de grãos e de café,
embora este último produto esteja com preços
em declínio. Por outro lado, a agroindústria
de base vegetal registrou variação negativa
de -2,75%. Esta baixa decorre, principalmente, da queda
das cotações dos produtos das indústrias
sucroalcooleira e cafeeira: álcool anidro (-16,85%),
álcool hidratado (-18,62%), açúcar
(-25,42%) e café (-6,59%).
O bom resultado do PIB
não se reflete, no entanto, na renda do produtor
rural. Segundo Rodolfo Oliveira, a tendência é
de que os custos continuem subindo, sobretudo em virtude
da alta dos insumos.
Diante desse cenário, tanto a Faemg como a Seapa
orientam o produtor a otimizar seu sistema de produção,
acompanhando a evolução do mercado e, sobretudo,
adotando a gestão de custos. Assim, poderá
minimizar os impactos de possíveis variações
de oferta e consumo.