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Educação

Escolas do semi-árido mineiro registram maior avanço no Proalfa

Das cinco superintendências melhores colocadas em evolução das notas, quatro são da região;
Escola Estadual em Almenara aumenta em mais de 20 vezes o número de alunos que sabem ler;
Capacitação de professores e acompanhamento individualizado são apontados como responsáveis pelos avanços;

Os alunos das escolas estaduais e municipais da região do Semi-árido mineiro ainda têm índices de proficiência abaixo do recomendado, mas o resultado do Proalfa - exame aplicado pelo governo do estado para testar o nível de leitura dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental - indica que as escolas de uma região historicamente esquecida pelas políticas públicas estão melhorando nos últimos dois anos.

De 2006 para 2007, das cinco superintendências regionais de ensino com melhor desempenho em evolução das notas, quatro eram do semi-árido. Este ano, das seis superintendências que abrangem o Norte de Minas e Vales do Jequitinhonha e Mucuri, cinco estão no ranking das 20 que mais avançaram, dentre escolas estaduais e municipais. Superintendências como a de Montes Claros e Almenara ficaram em 5º e 7º lugares no índice de melhora da rede estadual de ensino.

Para o secretário adjunto estadual de educação, João Antônio Filocre, a melhora se deve ao Plano de Intervenção Pedagógica (PIP), programa voltado especificamente para aumentar o índice de alfabetização. Pelo programa, foram contratados 200 alfabetizadores e capacitados outros profissionais para atuarem em todo o estado dentro das escolas, acompanhando e capacitando professores.

Segundo Filocre, grande parte dos profissionais da alfabetização não está devidamente preparada para ensinar as crianças, principalmente depois do fim dos cursos normais de formação de professores, o antigo magistério. "Minas era um estado muito preparado pra lidar no trabalho de alfabetização na década passada. Embora a titulação dos professores tenha aumentado, a preparação diminuiu. A escola perdeu a competência dela em alfabetizar, queremos recuperar essa capacidade", argumenta o secretário-adjunto.

Também foram desenvolvidos métodos para acompanhar mais de perto os estudantes, como explica João Antônio Filocre: "quando o aluno tem alguma dificuldade, tem um plano de trabalho específico pra ele".

Superintendências mais perto das escolas
Na superintendência regional de Montes Claros, que abrange mais de 168 escolas em 30 municípios do norte de Minas, o destaque no desempenho ficou por conta das instituições dos locais mais pobres da região. Muitas delas tiveram 100% das crianças com níveis recomendados de proficiência. "Isso foi muito importante, porque mostra que se houver esforço de todos os atores, e isso inclui a Secretaria de Estado, a superintendência e as próprias escolas, esses alunos podem vencer as dificuldades. A condição social não é desculpa para o baixo rendimento", avalia a superintendente regional de ensino da região, Maria Salete Nether.

O trabalho conjunto se deu principalmente através do Plano de Intervenção Pedagógica, explica Maria Salete Nether: "temos a Secretaria nos orientando e os profissionais da superintendência atuam diretamente na escola. Assim, a equipe fica toda dentro da escola, acompanha o professor, e traz para a superintendência todo esse levantamento por meio de relatório".
Escola atinge índice de 98,7%

A cultura de uma avaliação sistemática também contribuiu para a melhora no ensino. Um dos exemplos pode ser visto na Escola Estadual Joviano Naves, no município de Almenara, no Vale do Jequitinhonha. A nota ruim no ano anterior - 82% dos alunos no nível mais baixo de proficiência - serviu de estímulo para que diretora, professores e funcionários se empenhassem em reverter o resultado. "Os professores deixaram de lado o emprego em outras escolas para se concentrar só na melhora. Fizemos aulas de reforço até com voluntários", conta a professora Sônia de Sousa, responsável por uma das turmas de 3º ano do Ensino Fundamental. O trabalho resultou na erradicação do índice de alunos com baixo desempenho e a taxa de alunos alfabetizados chegou a 98,7%.

As metas da escola e também da Superintendência Regional de Ensino de Almenara para 2008 foram superadas. A SER pretendia ter em 25% o índice dos alunos das instituições de ensino da região com baixo desempenho na leitura, e chegou a 21%. Para 2010, a meta é ainda mais audaciosa: ter apenas 2% dos alunos no nível mais baixo e 80% com nível recomendado de leitura.

Proalfa
O Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa) faz parte do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave), e é um exame realizado anualmente pelo governo do estado desde 2006. O objetivo é verificar o grau de leitura de alunos das escolas das redes municipal e estadual. Com uma escala que vai de 200 a 700, o índice pode indicar três tipos de proficiência: baixo, intermediário e recomendado (quando os alunos efetivamente sabem ler).

As cinco superintendências do Semi-árido mineiro que estão entre as 20 melhores em avanços no Proalfa são: Montes Claros (5º), Almenara (7º), Januária (9º), Araçuaí (13º) e Janaúba (18º),


23/09/2008
Oficina de Imagens
Eliziane Lara / Larissa Veloso
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