Queijo Minas Artesanal começa
a ser vendido com nova embalagem

Nova
embalagem, feita com a caseína do leite, atende às
normas de segurança alimentar
Foto: Lilian Pacheco
BELO HORIZONTE (05/12/08)
- Chega ao fim a procura por uma embalagem padronizada para
o Queijo Minas Artesanal, que atenda às normas de
segurança alimentar e facilite a venda do produto
nos supermercados. A partir desta sexta-feira (5), começa
a ser vendido em Belo Horizonte o primeiro lote do Queijo
Minas Artesanal maturado com uma embalagem feita de um componente
do leite: a caseína. A comercialização
do produto com nova embalagem é o resultado de uma
parceria entre a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais
e a Associação Mineira de Supermercados (Amis).
As primeiras vendas serão no supermercado Mart Plus,
do bairro Belvedere.
A embalagem de caseína
foi desenvolvida para que o queijo tenha a permissão
da Vigilância Sanitária Municipal para ser
vendido maturado e em temperatura ambiente. A portaria autorizando
a comercialização foi publicada nesta semana
e é inédita no país. A nova embalagem
foi adaptada para Queijo Minas Artesanal pela Empresa de
Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Ela
é transparente, permite a ‘respiração’
do queijo e possibilita a manutenção do produto
à temperatura ambiente, sem perder a qualidade, aparência,
sabor e aroma.
A caseína tem
o aspecto de uma cola branca, que fica consistente depois
de aplicada. No produto maturado, a aderência da resina
é garantida e a colocação do rótulo
pode ser feita sem qualquer problema.
O queijo com a nova
embalagem que começa a ser vendido em Belo Horizonte
é produzido pela Associação dos Produtores
do Queijo Canastra (Aprocan). A associação
abrange sete municípios que compõem a microrregião
produtora e conta com 17 associados. O produto é
cadastrado no Instituto Mineiro de Agropecuário (IMA)
e apresenta no rótulo informações que
permitem sua rastreabilidade, como nome do produtor e propriedade
de origem.
De acordo com a assessora
da Superintendência de Segurança Alimentar
e Apoio à Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura
de Minas, Luciana Rapini, a novidade é a forma de
comercialização do queijo com aval da Vigilância
Sanitária Municipal. “Além do selo do
IMA, será a primeira vez que o queijo Minas Artesanal
é vendido na temperatura ambiente e com o tempo mínimo
de maturação que garante a segurança
alimentar, ou seja, 21 dias”, explica.
Segundo ela, até
então, o Queijo Minas Artesanal só podia ser
vendido em embalagem plástica e refrigerado, como
acontece com o queijo industrializado. “A venda do
queijo maturado, a temperatura ambiente, é uma forma
de garantir e valorizar o fator artesanal”, informa.
A produtora Angelita
Maria Leite, no município de Medeiros, produz 200
quilos de queijo por semana. Nos últimos dias, começou
a trabalhar com a nova embalagem para comercializar o produto
no supermercado de Belo Horizonte. “Gostei da novidade.
O queijo fica mais bonito e qualidade é melhor. Acho
que vamos conseguir vender mais”, afirma.
O presidente da Amis,
José Nogueira, também aposta na boa aceitação
do Queijo Minas Artesanal. “Incentivamos a recepção,
por parte dos supermercados, dos produtos da agricultura
familiar”, afirma. Mas ele alerta que a aceitação
pelos consumidores depende da perseverança. “Os
produtores precisam fazer contato com os clientes, é
preciso mostrar que o queijo que estará nas gôndolas
tem um diferencial e promover a degustação
nos supermercados”. O presidente da Amis também
lembra que para ter um produto bem aceito nos supermercados
é necessário fazer a entrega com regularidade
e nunca abrir mão da qualidade.
Comercialização
O secretário
da Agricultura do Estado, Gilman Viana, considera que a
adoção da embalagem de caseína representa
um grande passo para a comercialização do
queijo artesanal mineiro. “É de fundamental
importância a busca do conhecimento que possibilite
agregar valor aos produtos e aumentar o número de
pontos de venda”, ele explica. “Os pesquisadores
da Epamig, ao concluir que essa resina poderia ser utilizada
no queijo artesanal, encontraram uma excelente alternativa
para a preservação das condições
do alimento. O mesmo revestimento já é utilizado
em outros alimentos”.
O professor e pesquisador
Fernando Magalhães, conta que há cerca de
quatro anos surgiu a idéia de experimentar um invólucro
para o queijo artesanal de Minas. “Iniciamos a procura
de um material com essa finalidade atendendo à sugestão
de um produtor que apontou a embalagem convencional como
um grande problema para a comercialização
do queijo. A equipe da Epamig decidiu fazer contato com
a empresa Clariant, que já trabalhava com o processamento
da caseína, e ela nos enviou uma amostra do produto
para recobrir o queijo e o resultado foi muito bom.”
05/12/2008
Agência Minas