Gorceix:
90 anos depois
segunda-feira, 20 abril, 2009 19:44
Exposição,
dentro da programação da pré-abertura
do Ano da França no Brasil, homenageia o engenheiro
francês Claude Henri Gorceix, fundador da Escola de
Minas de Ouro Preto
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Lucia
Sebe / Secom MG |
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Antonio
Anastasia na cerimônia de abertura da Exposição
'Gorceix – 90 anos depois' |
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Ouro Preto, 20 de abril
- Foi aberta, hoje, a exposição ‘Gorceix
– 90 anos depois’. A mostra homenageia o engenheiro
francês Claude Henri Gorceix, que inaugurou, em 1876,
a pedido do então imperador Dom Pedro II, a primeira
escola de estudos mineralógicos, geológicos
e metalúrgicos do Brasil, a Escola de Minas de Ouro
Preto, hoje uma das principais instituições
de engenharia do país com habilitação
nas áreas de Engenharia de Minas, Ambiental, Mecânica,
Geologia, Controle e Automação, Metalurgia,
Produção, Civil e Arquitetura. Antes da abertura
da exposição, o busto do fundador recebeu
uma coroa de flores pelas mãos do presidente da região
Nord - Pas de Calais, Daniel Percheron, e do vice-governador
de Minas Gerais, Antonio Augusto Anastasia. A banda da Polícia
Militar de Minas Gerais executou os hinos da França
e do Brasil.
Para o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Augusto
Anastasia, a homenagem é um tributo à memória
de um homem que implantou uma instituição
hoje reconhecida como uma das melhores do mundo. “A
Escola de Minas de Ouro Preto forma profissionais para as
maiores empresas de mineração, o que contribui
para o fortalecimento da economia de nosso Estado”,
pontuou.
Daniel Percheron, presidente da região Nord –
Pas de Calais, celebrava o estreitamento das relações
entre as províncias irmãs, cuja base econômica
é a mineração e a siderurgia. Dentro
das comemorações do Ano da França no
Brasil, foi assinado um acordo de cooperação
entre a Universidade de Lille, na França, e as Universidades
Federais de Minas Gerais, Ouro Preto e Uberlândia,
além de ações que estão sendo
estruturadas, no sentido de retomar o intercâmbio
institucional, cultural, econômico, acadêmico
e na área de saúde, entre as regiões.
“Acreditamos que a conexão entre Minas e Nord
– Pas de Calais se tornará ainda mais intensa,
beneficiando as duas economias”, ressaltou.
Na época da inauguração da Escola de
Minas, hoje integrante da Universidade Federal de Ouro Preto,
Gorceix dizia a respeito de Ouro Preto: “em uma pequena
extensão de terreno, pode-se acompanhar a série
completa das rochas metamórficas que constituem grande
parte do território brasileiro e todos os arredores
da cidade se prestam a excursões mineralógicas
proveitosas e interessantes”.
Segundo o vice-diretor da Escola de Minas, professor Wilson
Trigueiro, a importância de Gorceix na abertura da
Escola pode ser analisada na necessidade, naquela época,
do desenvolvimento de uma mineração de base
técnica, por conta da exaustão do garimpo
de aluvião – superfície - e do fato
de as jazidas de ouro só poderem ser acessadas no
subsolo. “Gorceix sabia do potencial geológico
da região e da demanda por profissionais que soubessem
alcançar o ouro, base da economia de então,
em maiores profundidades”, disse, completando que
outro professor francês que veio ao Brasil com Gorceix,
Paul Ferrand, responsável por algumas disciplinas
na nova Escola, foi autor de um dos clássicos da
mineração, na segunda metade do século
XIX, “L’Or a Minas Gerais” – o ouro
de Minas Gerais, ainda hoje referência entre estudiosos
e profissionais do setor.
Sobre Gorceix
O engenheiro francês Claude Henri Gorceix nasceu em
Saint-Denis de Murs, em 19 de outubro de 1842. Foi professor
de Ciências, além de preparador de Geologia
na França e na Grécia. Era bacharel em Ciências
Físicas e Matemáticas. Após o convite
do Imperador Pedro II para fundar a Escola de Minas, realizou
um minucioso estudo e concluiu que Ouro Preto era a região
ideal para sediar a instituição, em virtude
da riqueza geológica da região, o que facilitaria
o contato dos realizados com as pesquisas. Até hoje,
o Estado é a principal província mineral brasileira,
em diversidade e na qualidade dos produtos extraídos
do seu solo, sobretudo na região conhecida como Quadrilátero
Ferrífero.
Gorceix, que também foi o primeiro diretor da Escola
de Minas, atuou como professor de mineralogia, geologia,
física e química. Voltou à Europa no
final de 1891, retornando ao Brasil, em 1896, a convite
do Governo de Minas, dessa vez para organizar o ensino agrícola
no Estado. Faleceu na França, em 6 de setembro de
1919.
A programação do Ano da França no Brasil,
sob a coordenação da Secretaria de Estado
de Cultura de Minas Gerais, reflete a diversidade das culturas
francesa e mineira e começou na última sexta-feira,
dia 17. O Ano da França no Brasil vai até
o dia 15 de novembro e é organizado, na França,
pelo Comissariado Geral Francês, pelo Ministério
das Relações Exteriores e Européias,
pelo Ministério da Cultura e da Comunicação
- Culturesfrance. No Brasil, o evento é coordenado
pelo Comissariado Geral Brasileiro, pelo Ministério
da Cultura e pelo Ministério das Relações
Exteriores e Européias.
Em Minas Gerais, a organização está
por conta de um comissariado criado especialmente para cuidar
da programação local, composto pelo secretário
de Estado de Cultura, Paulo Brant, juntamente com Antônio
Grassi, assessor do Governo; a empresária Ângela
Gutierrez; Manoel Bernardes, cônsul honorário
da França; Sylvie Debs, adida cultural da Embaixada
Francesa em Belo Horizonte, e Gisela Mattoso, secretária
executiva.
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