Exportação
de frango para a China estimula indústria mineira
quarta-feira, 20 maio, 2009 18:13
As exportações
de frango de Minas Gerais deverão aumentar em volume
e, principalmente, gerar mais receita diante da perspectiva
de abertura do mercado chinês para aquisições
diretas do produto brasileiro. Essa projeção
tem por base o anúncio do Ministério da Agricultura
de que a China e o Brasil chegaram a um acordo para permitir
que companhias brasileiras exportem a carne de frango para
aquele país a partir da segunda quinzena de junho.
O Brasil tem 24 empresas brasileiras com potencial para
exportar carne de frango diretamente para o mercado chinês.
Segundo a Associação dos Avicultores de Minas
Gerais (Avimig), já fazem parte deste grupo as indústrias
mineiras Rivelli Alimentos (Barbacena), Pif Paf Sadia (Visconde
do Rio Branco) Da Granja (Uberaba), e Cossisa (Sete Lagoas).
Algumas dessas empresas terão mais facilidade para
fazer o comércio direto com a China porque dependem
apenas da habilitação a ser concedida pelo
país. Outras indústrias do grupo mineiro ainda
precisam obter primeiramente a certificação
da União Européia. Esta etapa é um
pré-requisito porque o governo chinês considera
que, ao atender às exigências dos compradores
da UE, o exportador comprova as condições
para seguir as normas de qualidade e segurança alimentar.
A Rivelli Alimentos já deu esse passo, porque está
habilitada junto à União Européia,
informa o diretor de vendas da empresa, Marcelo Assunção
de Oliveira. Ele acrescenta que “atualmente, em Minas
Gerais, apenas a Rivelli e a Sadia, de Uberlândia,
têm a habilitação da UE. Segundo o executivo,
há seis anos a Rivelli Alimentos iniciou as exportações
de carne de frango, e atualmente a empresa vende para diversos
mercados, como a própria China, neste caso fazendo
exportações indiretas por meio de Hong Kong.
Atende à Europa, alcançando a Alemanha, Holanda
e Romênia, e também à Rússia,
países da África e Oriente Médio, vendendo
inclusive para os Emirados Árabes. Além disso,
desde o ano passado, também faz embarques para Omã.
Para Marcelo Oliveira, a perspectiva de exportar a carne
de frango diretamente para a China é muito boa. “Sabemos,
extra-oficialmente, que já existe licença
para a exportação de 4 mil toneladas de carne
de frango do Brasil para o mercado chinês”,
ele informa. “O novo cenário vai possibilitar
aumento da receita nas exportações da Rivelli,
porque nosso produto não ficará mais sujeito
ao subpreço imposto pelos negociadores que adquirem
a carne para vender aos chineses”, explica o diretor.
Ele enfatiza que as negociações diretas possibilitarão
maior rentabilidade e deverão estimular também
a empresa a aumentar o volume exportado para aquele país.
Embora aponte essas possibilidades, o diretor de vendas
da Rivelli esclarece que a empresa age com cautela quando
o assunto é acordo com o governo chinês. “Existe
uma grande distância entre as promessas feitas pela
China e o seu cumprimento. Por isso, vamos continuar fazendo
vendas indiretas por meio de Hong Kong para aquele país
até a oficialização do acordo entre
a China e o Brasil”, finaliza.
O diretor comercial da Cossisa, Maurício Gontijo
Gonzaga, considera positiva a perspectiva de abertura do
mercado chinês para a carne de frango do Brasil. Ele
observa que o novo sistema beneficiará os exportadores
mineiros que não contam com intermediários
chineses em Hong Kong para colocar o produto naquele país.
“A Cossisa trabalha com essa intermediação,
portanto consideramos que já temos acesso direto
à China. Por isso, não precisamos imaginar
uma situação nova”, assinala o diretor.
Maurício Gonzaga explica que a Cossisa exporta também
para a Rússia, Oriente Médio, Ásia,
África, mas não tem negócios na Europa
nem nos Estados Unidos.
Já a Pif Paf, que tem como mercado mais antigo o
Oriente Médio, vende também cortes de aves
para a África, Filipinas e a Ásia, alcançando
inclusive a Rússia, entre outros mercados. Por enquanto
a empresa alcança a China fazendo a intermediação
por Hong Kong, mas não conta com o mesmo sistema
adotado pela Cossisa para colocar o produto no mercado chinês.
Por isso, tem interessa na comercialização
por via direta. A indústria está em expansão
para ter condições de obter a certificação
da União Européia, que é considerada
pré-requisito pelo governo chinês.
Suporte da produção
Segundo o presidente da Associação dos Avicultores
de Minas Gerais (Avimig), Tarcísio Franco do Amaral,
“a nova conquista dos exportadores de frango merece
comemoração.” Ele diz que a possibilidade
de colocar a carne no mercado chinês, sem intermediação,
significa um grande passo para a avicultura mineira. “Deixamos
para trás a fase de venda do frango vivo, desenvolvemos
a produção dentro das normas de sanidade e
segurança alimentar e modernizamos a atividade em
todos os aspectos”, ele observa. Para o empresário,
esses fatores estão favorecendo a evolução
de Minas como exportador de carne de frango. “Além
disso, contamos com o privilégio de uma grande produção
de milho para atender à formulação
de ração para as aves e estamos próximos
dos portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro,
que facilitam o acesso do nosso produto aos mercados mundiais”,
finaliza o dirigente.
De acordo com a Superintendência de Política
e Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura
de Minas, o Estado exportou, no ano passado, cerca de 121
mil toneladas de carne de frango. Os embarques feitos pelas
empresas mineiras estão crescendo nos últimos
anos e essa tendência se confirma ao serem avaliados
os dados de janeiro a abril, divulgados pelo Ministério
de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC). Houve aumento de 14,66% na comparação
com o volume registrado no mesmo período de 2008,
sendo colocadas 13,8 mil toneladas do produto no mercado
externo. No acumulado dos quatro meses do ano passado, os
embarques somaram 11,1 mil toneladas.
Agência
Minas