Esporte combate
emigração juvenil em MG
terça-feira, 30 junho, 2009 20:14
Projeto
que ensina a trabalhar com ecoesporte e agroecologia evita
que cidadãos deixem Governador Valadares para ir
morar no exterior
MARIANA DESIDÉRIO
da PrimaPagina
Governador Valadares
(MG) é muito conhecida pelo grande número
cidadãos que emigram, em especial para os Estados
Unidos. O fenômeno traz um problema preocupante: a
falta de mão-de-obra jovem para trabalhar no local.
Procurando soluções
para a questão, um projeto de capacitação
da Univale (Universidade Vale do Rio Doce) visa oferecer
alternativas econômicas a jovens de Governador Valadares
e de Sobrália (município próximo) para
que eles queiram ficar nas cidades. Nestes locais, “a
emigração é um problema social”,
define Maria Terezinha Bretas Vilarino, professora da universidade
e coordenadora do projeto. De acordo com ela, Governador
Valadares, com 260 mil habitantes, tem 30 mil cidadãos
no exterior.
A iniciativa, denominada PROAGE
(Projeto de Agroecologia e Ecoesporte), começou em
2006 a capacitar pessoas para trabalhar nessas duas áreas
e contou com apoio do Programa de Inclusão Produtiva
de Jovens do Ministério do Desenvolvimento Social
e do PNUD. O grupo inicial era de 45 jovens, entre 16 e
25 anos. Hoje, com o final do convênio com o programa,
ficaram 15 pessoas. A evasão, segundo Maria Terezinha
é esperada, uma vez que em muitos casos o projeto
disputa com a necessidade de trabalhar dos jovens.
Mesmo com poucos integrantes,
o grupo que ficou está avançando. Eles criaram
uma unidade de ecoesporte na região, que presta serviços
de guia e serve como monitores para turistas. O esporte,
constata a coordenadora, “caiu no gosto dos jovens”.
Apesar de parte do grupo envolvido já ter contato
com a agroecologia (cultivo de alimentos sem agrotóxicos)
por conta dos pais, o interesse maior foi pelo segundo eixo
do projeto.
As modalidades trabalhadas são
escalada e condução em trilhas e caminhadas.
Em mais de vinte encontros aos finais de semana, os jovens
tiveram aulas de escalada e ecologia, além de economia
solidária e empreendedorismo, para ajudar na gestão
do negócio próprio. Os alunos receberam também
noções de técnicas para o cultivo de
alimentos sem agrotóxico, como parte do eixo de agroecologia
do projeto.
“[Governador Valadares]
tem bastante turismo de atividades esportivas. A idéia
agora é potencializar para escaladas e caminhadas”,
diz Maria Terezinha. Ela conta que tanto Valadares quanto
Sobrália já têm pedras equipadas para
a escalada (chamadas de Campo Escola), porém, em
Sobrália o turismo esportivo ainda é pouco
conhecido.
O projeto da Univale
recebeu, cerca de R$ 220 mil do programa de inclusão
produtiva, cujo convênio está em fase de encerramento,
mas tem perspectivas de continuar até 2012 através
de um dos parceiros atuais, a ONG Centro Agroecológico
Tamanduá.
PNUD
http://www.pnud.org.br