sexta-feira,
28 maio, 2010 20:16
Banana
orgânica do Jaíba alcança o mercado
de São Paulo
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www.abanorte.com.br |
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Produtor
vai fornecer a partir de junho para 30 supermercados |
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Bananas orgânicas
cultivadas em uma propriedade localizada no Projeto Jaíba,
na região Norte de Minas, vão ocupar o lugar
de bananas convencionais nas gôndolas de uma grande
rede de supermercados de São Paulo. O produtor Márcio
Sonomura assumiu o compromisso de fornecer semanalmente,
para a rede cerca de 14 mil quilos da fruta. Ele diz que
os embarques serão feitos a partir da primeira semana
de junho.
Sonomura informa que as bananas nanicas ou caturras, produzidas
na Fazenda Arco Verde, serão comercializadas em 30
das 60 lojas que compõem a rede de supermercados
Pão de Açúcar. “Será uma
experiência muito importante a partir da aposta de
uma idéia da empresa que administra os supermercados,
com o objetivo de atender a um volume crescente de consumidores
que preferem alimentos orgânicos”, ele explica.
Maior produtor de banana orgânica para o mercado in
natura no Brasil, Sonomura adota as práticas alternativas
de cultivo há quatro anos, obtendo safras anuais
da ordem de 2 mil toneladas. Antes da crise econômica
mundial, iniciada no segundo semestre de 2008, ele fornecia
a fruta com exclusividade para a Alemanha na condição
de único produtor, no Brasil, a comercializar banana
orgânica no mercado internacional. A experiência
foi bem-sucedida, porque a nanica, além de ser saborosa,
demora mais que as outras para amadurecer depois da colheita.
“Este fator é de fundamental importância
quando se trata de exportação, porque o produto
pode demorar mais de 20 dias no contêiner de um navio
e tem que chegar ainda verde ao destino”, destaca.
Atualmente, a produção colhida em 75 hectares
da Fazenda Arco Verde é comercializada apenas no
mercado interno, mas Sonomura pretende reiniciar as exportações
quando for superada a crise na Europa. “Por enquanto
o câmbio é desfavorável”, ele
explica. Já no mercado interno, o produtor tem comercializado
a banana orgânica ao preço médio de
R$ 8,00 a caixa de 22 quilos.
O investimento na produção orgânica
é válido, segundo o produtor, porque “o
sistema preserva o solo e o conjunto das condições
ambientais”. Uma das consequências é
a manutenção de micro-organismos benéficos
à cultura, possibilitando plantas mais saudáveis
e uma boa produtividade. O custo do material orgânico
que Sonomura utiliza no cultivo de banana equivale ao dos
produtos químicos convencionais, e além disso
ele utiliza os recursos próprios da fazenda. “Temos
14 cabeças de gado, que produzem leite e esterco
para ser transformado em biofertilizante e injetado no sistema
de irrigação das bananeiras. A propriedade
ainda conta com cem carneiros que consomem a vegetação
entre as bananeiras, e temos também galinhas, que
consomem os insetos que podem prejudicar a plantação.
Força
da certificação
De acordo com o superintendente
de Política e Economia Agrícola da Secretaria
da Agricultura de Minas Gerais, João Ricardo Albanez,
o mercado de alimentos orgânicos é cada vez
mais competitivo e sempre oferece novas alternativas. “O
segmento de frutas tropicais oferece possibilidades de renda
tanto para os produtores mineiros interessados em exportar
quanto para aqueles que preferem expandir sua atuação
no mercado interno. Embora o custo de produção
dos orgânicos seja geralmente mais alto, as propriedades
ajustadas às exigências da certificação
têm boas perspectivas de renda”, completa.
Alimentos orgânicos
só podem ser destinados à comercialização
no atacado ou à exportação por produtores
com propriedade certificada. A certificação
é fornecida por empresa particular credenciada.
“Para os agricultores
familiares que vendem seus produtos diretamente ao consumidor
(feiras livres) a certificação é dispensada
com base na Lei 1.0831 de 2003, Decreto 6.323 de 2007”,
explica o superintendente de Segurança Alimentar
e Apoio à Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura,
Lucas Scarascia. Ele acrescenta que, para se beneficiar
da lei, o agricultor familiar tem que estar vinculado a
uma Organização de Controle Social (OCS),
associação cadastrada no Ministério
da Agricultura ou em outro órgão fiscalizador
da União, Estado ou município.
“A organização
dos agricultores familiares é fundamental, porque
possibilita a expansão da oferta de produtos orgânicos
para o consumidor e dá aos produtores uma oportunidade
de melhorar a renda, pois os preços dos produtos
são diferenciados”, assinala o superintendente.
De acordo com Scarascia, a produção de alimentos
orgânicos na agricultura familiar é crescente
e faz parte da história desse segmento.
Semana do orgânico
A certificação
de propriedades para a produção de alimentos
orgânicos é um dos temas da VI Semana de Alimento
Orgânico, aberta no domingo (23). Dentro da programação,
o IMA vai manter na quinta e na sexta-feira (27 e 28) um
plantão montado pelo UNI-BH no campus do bairro Buritis,
em Belo Horizonte, com o objetivo de tirar dúvidas
sobre o programa de certificação.
A semana, que prossegue
até domingo (30), é uma promoção
do Ministério da Agricutura e instituições
mineiras que integram a Comissão de Produção
Orgânica no Estado, como a Emater-MG e a Epamig, também
vinculadas à Secretaria da Agricultura. A Emater
vai realizar palestras sobre a produção orgânica
em parceria com a prefeitura de Rio Pardo de Minas, na região
Norte do Estado. Já a Epamig lançou, em parceria
com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a publicação
“Controle Alternativo de Pragas e Doenças na
Agricultura Orgânica”.
Ivani
Cunha | Comunicação / Seapa
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