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Mosquito
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Organização
Mundial de Saúde adverte para letalidade da leishmaniose
sábado,
14 agosto, 2010 19:38
A Organização
Mundial de Saúde (OMS) chama a atenção
de todo o mundo para a gravidade da leishmaniose, doença
que só no Brasil registra cerca de 3 mil casos por
ano, sendo que 5% dos pacientes morrem.
Em Minas Gerais, foram
confirmados 601 casos em 2009. Desses, 75 chegaram a óbito.
Segundo a referência técnica em leishmanioses
da Secretária de Estado de Saúde (SES/MG),
Patrícia Soares, como outras doenças transmitidas
por um mosquito vetor, o combate à leishmaniose não
depende apenas do controle epidemiológico e da atuação
do poder público. “É preciso que a população
colabore com o combate à doença. É
necessário ter alguns hábitos como manter
os quintais limpos, pois a fêmea do mosquito deposita
seus ovos em matéria orgânica, com umidade
e sombreamento. Além disso, as pessoas devem ficar
atentas aos animais de estimação que estão
em seus domicílios, pois podem ser hospedeiros da
leishmaniose”, explica.
Ela ressalta que, em
vários municípios mineiros, a partir da implantação
de medidas de controle, foi possível a redução
do número de casos e de óbitos causados pela
doença, “mas uma das reduções
mais expressivas ocorreu em Janaúba”, informa.
De acordo com dados
da SES-MG, o município, localizado no Norte de Minas,
registrou, em 2004, 45 casos de leishmaniose visceral. Diante
do problema, técnicos em vigilância epidemiológica
do Estado e da cidade implantaram medidas de controle como
combate ao mosquito vetor e identificação
de cães contaminados com o protozoário, e
conseguiram reduzir os casos da doença. “Graças
a estas medidas, em 2005 foram confirmados apenas 18 casos
em Janaúba. Mas a grande redução ocorreu
no ano passado quando o município registrou apenas
6”, comenta Patrícia Soares.
A doença
A leishmaniose é transmitida aos seres humanos pela
picada do mosquito palha que foi contaminado com um protozoário
do gênero Leishmania. A doença pode causar
feridas na pele e afetar alguns órgãos internos
como fígado, medula óssea e baço. O
protozoário atinge também outros animais,
como o cachorro, que nas zonas urbanas é o principal
hospedeiro da doença. A maioria dos cães que
possuem leishmaniose não apresenta sintomas. Quando
estes ocorrem, podem ser emagrecimento, problema de pele,
apatia, anemia e falta de apetite.
No caso de contaminação do animal, a eutanásia
é recomendada pelo Ministério da Saúde
como a medida mais eficaz. Embora polêmica, a orientação
tem fundamento. “É importante deixar claro
que esta orientação do Ministério se
baseia no fato de que o tratamento para o cão não
impede que o processo de contaminação continue.
O cão, mesmo depois do tratamento, continua a transmitir
o protozoário para o mosquito palha que dele se alimentar,
mantendo o processo de transmissão”, explica
a referência técnica.
Vigilância
A vigilância
epidemiológica da doença é realizada
em Minas de várias formas, sendo uma delas por meio
das equipes de entomologia do Estado e dos municípios.
As equipes realizam pesquisas para identificar a presença
do vetor na localidade especificada. O trabalho consiste
em buscar a presença do mosquito vetor e, se constatada,
realizar trabalho de acompanhamento destes municípios.
Quando o transmissor
está presente basta ter um cão (reservatório
da doença) positivo para que a transmissão
se inicie e acometa o homem. Por isso, nos municípios
em que há o mosquito vetor a vigilância é
intensificada, procurando cães contaminados por meio
de exames.
Municípios com
transmissão da doença precisam implantar medidas
como controle do reservatório canino, controle da
população de flebotomíneos (mosquitos),
educação em saúde, tratamento dos casos
humanos.
Nos municípios
não endêmicos, mas vizinhos de áreas
endêmicas, a vigilância também é
intensa. Nestes, são realizadas atividades de entomologia
e também campanhas de esclarecimentos à população.
“Mesmo para aqueles municípios considerados
não endêmicos a vigilância continua.
Isto porque a situação epidemiológica
pode mudar”, completa a referência técnica
da SES-MG, Patrícia Soares.