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Agência Câmara / arquivo
 
   
 

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Mais uma vez, Emenda 29 não deve entrar na pauta

Associação Mineira de Municípios mobiliza prefeitos em Brasília hoje (17)

 
 

Associação Mineira de Municípios mobiliza prefeitos em Brasília hoje (17)

terça-feira, 17 agosto, 2010 10:40

AMM cobra urgência da Câmara dos Deputados na aprovação da Emenda Constitucional 29 e da divisão dos royalties do Pré-Sal

Somar esforços para a independência financeira dos municípios brasileiros. É com essa proposta que a Associação Mineira de Municípios (AMM), por meio do Movimento Mineiro Contra a Falência dos Municípios, articula uma mobilização nacional junto aos prefeitos hoje, em Brasília, para a aprovação da Emenda Constitucional 29 (EC) e também do projeto de divisão dos royalties do Pré-Sal.

Vinte e seis associações estaduais, prefeitos e a Confederação Nacional de Municípios (CNM) decidiram, por unanimidade, que se não houver um avanço nessa próxima reunião, eles irão produzir um manifesto que será enviado para todo o Brasil. “Durante o encontro serão coletadas as assinaturas dos deputados que são favoráveis à aprovação dos projetos. Com isso, mostraremos os deputados que pedem apoio, mas estão contra as causas municipalistas”, explica superintendente da AMM, Waldir Silva Salvador de Oliveira.

A AMM vai disponibilizar em seu portal - www.portalamm.org.br – um link com os e-mails dos parlamentares para que os cidadãos também possam cobrar diretamente dos deputados a aprovação dos projetos.

De acordo com Waldir, a saúde financeira dos municípios terá um grande salto com a aprovação da EC e com a divisão dos royalties do Pré-Sal. “Os municípios enxergam na regulamentação desses projetos a salvação, pois grande parte deles se mantém apenas com o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Precisamos obter novas fontes de recursos, pois o FPM não suporta mais as demandas das administrações municipais”, justifica. Os índices do primeiro semestre de 2010, comprovam a necessidade das mudanças, “enquanto o FPM aumentou 0,3% de janeiro a junho, se colocada a inflação, houve um crescimento negativo de 4,6%. Enquanto isso, o Governo Federal anunciou crescimento de 18% no mesmo período”, compara Waldir.

Para ele, as justificativas apresentadas pelos deputados para não atender às solicitações dos municípios não condizem com a realidade. “A oposição acusa o governo de não querer votar, que, por sua vez, diz ter interesse na causa. O que temos de concreto, porém, é a situação delicada em que se encontram os municípios, que continuam sendo os principais prejudicados diante desse imbróglio”, analisa.

Entenda a EC 29
A EC 29 trata do financiamento da saúde e prevê o aumento dos recursos para a área, de acordo com o crescimento econômico. Ela determina que a União destine 10% de suas receitas correntes brutas para a saúde, os estados 12% e os municípios 15%. Os recursos transferidos financiam as ações e serviços de saúde ambulatorial e hospitalar, assistência de média e alta complexidade e as ações básicas.

Atualmente, o governo federal aplica cerca de 1,7% do PIB, enquanto estados e municípios são obrigados a investir 12% e 15%, respectivamente, de suas receitas. Segundo informações da AMM, a falta de regulamentação da EC fez com que o governo federal deixasse de direcionar cerca de R$ 25 bilhões/ano para a saúde do Brasil. “A solução desse impasse está na Câmara dos Deputados há dois anos e não é votada”, afirma Waldir.

Os benefícios da partilha dos royalties do Pré-Sal

O pré-sal é uma imensa jazida de petróleo com 150.000 km², com 1,6 trilhão de m³ de gás e óleo a 300 km do litoral e se estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina, a 7.000 metros de profundidade. Possui inicialmente 28% de sua área já licitada pelo regime atual de concessão. Os 72% restantes serão licitados pelo regime novo, o de partilha.

O Brasil produz atualmente dois milhões de barris de petróleo por dia (10% em terra e 90% no mar, na plataforma continental, no pós-sal), isso gera R$ 11 bilhões em royalties e R$12 bilhões em participação especial por ano, totalizando R$ 23 bilhões.

No Decreto nº 2.705/1998 Art. 11º, os royalties constituem compensação financeira devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural, e serão pagos mensalmente, com relação a cada campo, a partir do mês em que ocorrer a respectiva data de início da produção. Atualmente, são distribuídos para União 30% dos royalties e 50% da participação especial. Para estados e municípios 70% dos royalties e 50% da participação especial.

Enquanto não for aprovada norma específica, a distribuição se dará conforme a lei atual. O dinheiro dos royalties não será distribuído imediatamente, pois caracterizam compensação pela exploração de recursos naturais e só serão pagos e distribuídos depois de iniciada a produção do petróleo.

Se somarmos a produção atual mais a do pré-sal licitado (28%), teremos aproximadamente R$ 60 bilhões por ano de royalties e participação especial. Quando os 72% do pré-sal for licitado chegaremos a mais de R$ 100 bilhões/ano de royalties e participação especial.

Movimento Contra a Falência dos Municípios
Data: 17/08/2010 (terça-feira)
Horário: 14h
Local: Hotel Mercure Brasília Líder
SHN – Q5 – Bloco 1 – Brasília (DF)


Sabrina Beckler | Com Você

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