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Genilton
Vieira / Fiocruz |
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Novo
sorotipo da dengue reforça necessidade de ações
preventivas
sexta-feira,
20 agosto, 2010 21:10
Secretaria de Estado da Saúde
alerta população para importância de
cuidados no período de menor incidência da
doença
O sorotipo 4 do vírus da dengue, identificado recentemente
no Norte do Brasil, ainda não chegou em Minas, mas
reforça a necessidade contínua de ações
de combate ao mosquito Aedes aegypti. O novo sorotipo não
circulava no País desde 1981. Por isso, a população
brasileira não tem ainda imunidade contra ele, e
pode haver risco de epidemia.
Segundo a gerente de vigilância ambiental da Secretaria
de Estado de Saúde (SES-MG), Talita Chamone, circulam
no Estado atualmente os sorotipos 1, 2 e 3, e a possibilidade
de reintrodução do subtipo 4 representa um
risco a mais para a população. “Se a
pessoa já teve dengue pelo sorotipo 2, ela nunca
mais o terá novamente, mas poderia ter pelo sorotipo
1 ou 3. E agora, o 4. Ou seja, aumentam as chances de ocorrência
da doença, o número de casos e a gravidade,
já que quem tem dengue pela segunda vez tende a apresentar
quadros mais graves”, comenta. Os quatro sorotipos
de dengue se diferenciam do ponto de vista genético.
“Cada sorotipo carrega uma ‘assinatura’
específica, por isto um sorotipo de vírus
dengue não imuniza contra outro tipo, porém
todos os quatro sorotipos causam a mesma doença –
dengue – com os mesmo sintomas”, relata.
A gerente de vigilância ambiental destaca também
a importância de manter as ações de
combate à dengue, independentemente de estarmos em
um período mais seco e frio, quando a incidência
da doença é menor. “Mesmo com o tempo
desfavorável para o vetor, ele encontra uma maneira
de se reproduzir, por isso é preciso eliminar os
focos de água parada. Não adianta só
esvaziar um pratinho de planta, é preciso escovar,
para que os ovos sejam removidos e, de preferência,
retirar o pratinho”, ensina. Segundo ela, o ovo do
mosquito sobrevive fora da água por até 450
dias. “E se a temperatura for de 25 a 29 graus, em
apenas sete dias, em contato com a água, ele se transforma
de ovo para larva, pupa e mosquito adulto”, alerta.
De acordo com dados da SES-MG, 80% dos focos estão
nas residências das pessoas, por isso a prevenção
é possível e eficaz, como eliminar locais
com água parada (vasos, pneus) e verificar as caixas
d’águas para que estejam sempre bem tampadas.
“As pessoas já têm informações
sobre como evitar a dengue, mas cada um precisa realmente
fazer sua parte. Temos que trabalhar todo dia no combate
aos criadouros, que podem ser muitos em nosso ambiente,
e permitem a proliferação do mosquito”,
enfatiza Talita Chamone.
Plano de enfrentamento
Atenta aos riscos de aumento da incidência da dengue
a Secretaria de Saúde de Minas Gerais está
desenvolvendo um plano de enfrentamento. O projeto conta
com a mobilização não só dos
setores da saúde, como também do meio ambiente,
defesa civil e comunicação, e vai agregar
esforços às ações da SES-MG.
Este ano a Secretaria realizou a capacitação
de 2.098 profissionais, entre médicos, enfermeiros,
gestores e agentes de saúde; viabilizou força
tarefa para 31 municípios com grande transmissão
da doença; ampliou as ferramentas web, que no caso
da dengue conta com blog, twitter e jogo virtual; e investiu
em distribuição de material educativo para
todos os municípios de Minas.
Volta das chuvas requer atenção redobrada
Os números da SES-MG mostram que, no Estado, até
o momento, já foram notificados 216.010 casos de
dengue. Mas as estatísticas tendem a aumentar com
a volta das chuvas, prevista pela meteorologia para setembro.
Por isso, a médica infectologista do Hospital Eduardo
de Menezes, da Fhemig, Tânia Maria Marcial, ressalta
a importância de redobrar a atenção,
tanto com ações de prevenção
da dengue, quanto com relação aos sintomas.
Segundo ela, a pessoa deve ficar atenta para não
banalizá-los. “A dengue clássica pode
ser identificada por febre, dor de cabeça (principalmente
atrás dos olhos), dores articulares e manchas no
corpo, e tem duração de dois a sete dias.
Já o quadro mais grave, a febre hemorrágica,
começa com esses sintomas, mas, entre o terceiro
e o quinto dias, a pessoa apresenta alterações,
como queda de temperatura, vômitos persistentes, dor
abdominal intensa e contínua, tonteira, queda de
pressão e desidratação. Esses são
os sinais de alerta”, relata.
O diagnóstico precoce, a hidratação
e o acompanhamento de pacientes com a doença é
fundamental para diminuir a taxa de letalidade da dengue.
De acordo com a infectologista, assim que a pessoa percebe
os sintomas ela deve, imediatamente, procurar atendimento
médico e pode ela mesma, preparar o soro caseiro
para prevenir a desidratação.
Ela lembra, ainda, que é fundamental, após
a confirmação do diagnóstico e medicação,
que o paciente seja avaliado novamente pelo médico.
“As pessoas costumam ficar preocupadas no começo
e, quando há baixa da febre, elas acham que estão
melhorando. Mas isso também pode significar o contrário,
daí a importância da segunda consulta. O paciente
pode retornar ao médico ou procurar a unidade de
saúde mais próxima, pois os profissionais
são orientados para esse trabalho”, completa.
A Subsecretaria de Políticas e Ações
em Saúde, da SES-MG, confirma que 95% dos casos podem
ser solucionados pelas Unidades Básicas de Saúde
(UBS).
Agência
Minas