sexta-feira, 10 dezembro, 2010 23:15
Governo
de Minas Gerais investe na saúde da população
indígena
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Ramon
Jader/SES MG |
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Povos
indígenas têm assistência à
saúde garantida em Minas Gerais |
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O gradativo crescimento dos investimentos
estaduais na saúde indígena, e a eficácia
da assistência oferecida a esses povos, implantada
em 2003, são alguns dos motivos para festejar o Dia
Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 10
de dezembro. A assistência indígena tem como
objetivo garantir que os índios tenham acesso aos
serviços básicos de saúde oferecidos
pelo SUS, dentro da própria aldeia. Para isso procura-se
garantir as atividades in loco das equipes multidisciplinares
de saúde, como as equipes do Programa da Saúde
da Família (PSF) que atuam em municípios com
jurisdição indígena.
Segundo a coordenadora de Saúde
Indígena da Secretaria de Estado de Saúde
(SES), Simone Faria de Abreu, só neste ano foi disponibilizado,
para 17 equipes de saúde indígena, o valor
mensal de R$ 2 mil por equipe, o que contabiliza o valor
anual de R$ 408 mil para custear as ações
realizadas nas aldeias. Além disso, os Agentes Comunitários
de Saúde (ACS) denominados Agentes Indígenas
de Saúde (AIS) são os próprios indígenas,
moradores da aldeia. Isto significa que eles são
responsáveis pelas visitas, pela marcação
das consultas e por identificar as demandas de saúde
da comunidade.
A SES também desenvolve
projetos sociais nas aldeias como o “Resgate da Medicina
Tradicional Indígena”, com ações
de cultivo de horta de plantas medicinais utilizadas em
sua etnia, viveiro, minhocário e quarto de secagem
e, ainda, o registro oficial desse conhecimento em nome
do detentor do saber por etnia. “O projeto busca manter
a tradição do uso das plantas medicinais próprias
da sua cultura, o que propicia a redução de
gastos em medicamentos alopáticos e a sobreposição
de uso com plantas medicinais”, afirma Simone Faria.
Outro projeto desenvolvido nas
aldeias é o “Saúde Mental Indígena
- Supera”, que procura capacitar e conscientizar os
agentes comunitários de saúde indígena
(ACSI) para lidar com a incidência de alcoolismo nas
aldeias, com a realização de oficinas educativas
para a comunidade junto às equipes de saúde
in loco. O projeto ainda dispõe de recursos para
a aquisição de material esportivo e recreativo.
Outras razões para se
comemorar a data, são os treinamentos que foram realizados
para as equipes de saúde indígena abordando
a saúde da criança, assistência farmacêutica,
saúde mental indígena. E o início da
implantação do plano diretor da atenção
primária específico para a população
indígena de Minas Gerais, incluindo também
as comunidades indígenas do Espírito Santo.
Doações
Neste
ano também foram celebrados contratos de doação
junto a 13 municípios que possuem aldeias incluindo
vários tipos de bens, como:
- Antenas de retransmissão,
TVs de 50 polegadas e ventiladores nos centros de saúde
das aldeias com a finalidade de promover a formação
e educação à distância das equipes
e acesso à informação sobre saúde
para toda a comunidade indígena.
- Kit contendo cinco equipamentos
de uso em consultórios dos centros de saúde
das aldeias, visando promover o apoio na estruturação
da sua infraestrutura física o mais próximo
do usuário indígena.
- Nove motocicletas para aldeias
com difícil acesso para o transporte de materiais
de pequeno porte em distâncias consideráveis,
com praticidade para a população indígena.
Doação de uma camioneta com tração
em duas rodas para a maior etnia do Estado, a Xakriabá
que possui 55 aldeias, visando uma maior integração
entre a população indígena e o posto
de saúde entre as aldeias para garantir a cobertura
total das regiões de difícil acesso e comunicação.
Conheça
as nações indígenas residentes em Minas
Gerais
- Pataxó:
hoje, cerca de 300 índios vivem em Itapecerica, no
Centro-Oeste do Estado, e Carmésia, no Leste de Minas.
São originários do Sul da Bahia, de onde vieram
depois da instalação do Parque Nacional de
Monte Pascoal, em 23 hectares de terra.
- Xakriabá: tem como referência
São João das Missões, no Norte de Minas.
Hoje existem cerca de 7.500 índios dessa etnia.
- Kaxixó: tem como referência
os municípios de Martinho Campos, no Centro-Oeste
do Estado, e Pompéu, na região Central. O
número de remanescentes é indeterminado. Atualmente
são cerca de 330 habitantes, que lutam contra a destruição
de sítios arqueológicos pré-coloniais
em seu território.
- Krenak: vivem em Resplendor,
no Leste do Estado. São cerca de 270 índios.
Em decorrência de sua história caracterizada
pela dispersão, esses indivíduos encontram-se
espalhados em diversas áreas indígenas. Em
Minas Gerais, são 32 famílias divididas em
três aldeias.
- Maxakali: habita os municípios
de Bertópolis, Santa Helena de Minas, Ladainha e
Pavão, no Vale do Mucuri. Nesses dois municípios
vivem cerca de 1.360 índios. Nessa nação
a desnutrição é resultado da degradação
das terras, contaminação das águias
e da adaptação de práticas tradicionais
de caça, pesca e coleta de alimentos. O consumo de
álcool contribui para agravar o quadro.
- Aranã: os cerca de 250
índios dessa etnia têm como referência
os municípios de Araçuaí e Coronel
Murta, no Vale do Jequitinhonha. A origem desse povo está
ligada aos Botocudos. Aldeados pelos Capuchinhos, em 1873,
quando epidemias dizimaram a população. Alguns
sobreviventes migraram para Itambacuri, no Leste do Estado.
Preocupado com a valorização de sua memória,
esse povo organiza-se pelo reconhecimento oficial de sua
identidade étnica.
- Pankararu: tem como referência
o município de Coronel Murta, onde vivem cerca de
20 índios remanescentes. Vieram de Pernambuco e se
espalharam por várias regiões do Brasil ao
longo do século XX. A partir de 1994 estabeleceram-se
no Vale do Jequitinhonha, onde receberam 60 hectares de
terra doados pela Diocese de Araçuaí. Com
cultura marcante, estimulam outras nações
a resgatarem a história e a origem, como os Aranã.
- Xukuru-Kariri: vivem no município
de Caldas, no Sul de Minas. Originários de Alagoas,
são atualmente cerca de 90 habitantes.
- Mucurim: localizada no município
de Campanário, no Leste do Estado.
- Cinta Vermelha - junção
de Indígenas Pankararu e Pataxó Jundiba: localizados
no município de Araçuaí.
Agência
Minas