terça-feira, 25 janeiro, 2011 21:57
Cultivo
de macaúba em Minas atrai investidores
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Maria
Eugênia Lisei/Epamig |
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Atividade
tem reforço de lei estadual para incentivar toda
a cadeia |
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Associação
de produtores no Norte de Minas extrai óleo do
coco macaúba |
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O cultivo da macaúba,
agora incentivado por lei estadual, pode ganhar impulso
em Minas Gerais diante da demanda crescente dos óleos
vegetais no mercado internacional. Há um grande futuro
para o produto na composição de biocombustível
e ainda para atender à fabricação de
outros itens de alto valor agregado, inclusive na área
de cosméticos.
O secretário
da Agricultura, Elmiro Alves do Nascimento, destaca que
os investidores interessados na produção de
macaúba em Minas, com o objetivo de participar desse
mercado promissor, terão mais facilidade em suas
atividades com o suporte da Lei 19.485/2011, que está
em vigor desde 14 de janeiro. “A lei incentiva o cultivo,
extração, comercialização e
transformação desta e das demais palmeiras
oleaginosas”, ele explica.
Durante reunião
na Secretaria da Agricultura com representantes de setores
ligados a programas de desenvolvimento da macaúba
em Minas, Nascimento enfatizou que deve aumentar o interesse
dos investidores no cultivo da planta no Estado. Participaram
do encontro: industriais, representantes de instituições
de ensino e pesquisa, de outros órgãos do
Estado e prefeituras municipais.
“Além da
política pública de apoio à atividade,
há indicadores das excepcionais condições
de Minas Gerais para a produção da macaúba
num cenário em que o Brasil poderá ser o maior
fornecedor mundial do óleo extraído do coco”,
observou o secretário.
No Estado há
macaúba nativa em praticamente todas as regiões.
Climas e solos diferentes não serão obstáculo
para o desenvolvimento dos cultivos dessa planta perene
e de grande resistência. Além do óleo
que poderá entrar na composição de
diversos produtos com grande agregação de
valor, o coco de macaúba fornece material para a
alimentação animal. Da fruta também
pode ser extraído carvão, além de outros
produtos que não prejudicam o meio ambiente.
Investidores
A empresa Entaban Ecoenergéticas do Brasil, que tem
unidades na Zona da Mata e no Sul de Minas, está
desenvolvendo um projeto com base nas condições
favoráveis para a criação de uma cadeia
da macaúba no Estado. Orlando Arruda, diretor da
indústria, diz que “o estímulo à
produção mineira de macaúba por meio
da lei estadual atende à economia e ao desenvolvimento
social, porque a atividade tem alto potencial de geração
de renda e emprego com sustentabilidade.”
O projeto da Entaban
deve possibilitar a mudança do extrativismo para
o cultivo do coco de macaúba em Minas no prazo de
cinco anos. Atualmente, a indústria inicia os plantios
e orienta os produtores para se organizarem a fim de fornecer
coco em grande escala para esmagamento na indústria.
O produto seguirá depois para as refinarias de biodiesel
do grupo na Espanha. São quatro unidades, que fazem
o processamento anual de 475 mil toneladas de óleo.
Uma quinta indústria do grupo na Espanha deverá
acrescentar cerca de 200 mil toneladas à produção
atual.
Leonardo Pimentel,
gerente da Entaban, ressalta que a opção pela
macaúba em Minas Gerais é indicada com base
no potencial de produção da planta em condições
diversificadas de solo e temperatura. Segundo o executivo,
um hectare de macaúba pode produzir cerca de 4 toneladas
de óleo.
Na unidade da Entaban
em Lima Duarte, município da Zona da Mata, uma área
de mil hectares está ocupada com 1,5 milhão
de mudas de macaúba. A empresa desenvolve o projeto
de cultivo também nos municípios de Rio Preto
e Teixeiras (Zona da Mata), e Bom Jardim de Minas e Andrelândia
(região Sul).
Um grande número
de produtores rurais mineiros dessas regiões aderiu
à produção com o objetivo principal
de atender à indústria de óleo, informa
o empresário. A proposta da Entaban é comprar
a matéria-prima desde que os fornecedores possam
garantir volumes para esmagamento que compensem a exportação.
Os preços deverão ser compensadores, pois
a referência será a cotação do
produto pela Bolsa da Malásia, que apontou na segunda
semana de janeiro uma variação de US$ 600
a US$ 800 a tonelada.
Sistema de
integração
Outra indústria que tem projeto para o desenvolvimento
da macaúba em Minas Gerais é a Paradigma Óleos
Vegetais. Instalada há seis anos no município
de Jabuticatuba, na Região Central do Estado, a empresa
atua em todos os segmentos da cadeia. Seus trabalhos são
realizados com base no mapeamento de maciços nativos
de macaúba no município sede e em mais quatro
municípios da região: Santa Luzia, Taquaraçu,
Nova União e Santana do Riacho.
A Paradigma vem desenvolvendo
equipamentos e processos de aproveitamento dos derivados
do coco, como ração animal, carvão
vegetal, carvão ativado e outros, além da
produção de óleo. Segundo o diretor
Marcelo Moreira Araújo, a empresa atende por enquanto
apenas ao mercado interno e desde o início de suas
atividades adquire o fruto da macaúba extraído
por produtores integrados.
Há um grupo de
550 integrados em Jabuticatubas e outro em formação
no município de Carmo do Paranaíba (região
do Alto Paranaíba). Com a ampliação
do número de fornecedores, a Paradigma deverá
dobrar a aquisição anual do volume de cocos
para 6 mil toneladas. A indústria ainda tem, entre
outras, a perspectiva de desenvolver produtos de maior valor
agregado a partir da macaúba, como óleos para
cosméticos, beta-caroteno, óleos alimentícios,
farinhas dietéticas, e farelo de alto teor de proteína
da amêndoa de macaúba.
Ivani Cunha | Seapa MG