quinta-feira, 15 setembro, 2011 23:08
Moradores
protestam contra construção de aterro sanitário
|
|
| |
|
|
| |
Guilherme
Bergamini / ALMG |
|
| |
 |
|
| |
Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
debate a implantação de um empreendimento
imobiliário em área de preservação
ambiental e a transferência do lixão municipal
para local próximo a afluentes do Rio Verde Grande |
|
| |
|
|
"A implementação
de um aterro sanitário na região de Mimoso,
em Montes Claros, trará prejuízos para os
moradores da região, que vivem do uso da terra".
A afirmação foi feita pelo líder do
Movimento SOS Mimoso, Edilson Gonçalves Silva, que
participou da audiência pública da Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da
Assembleia Legislativa de Minas Gerias, nesta quinta-feira
(15/9/11), em Montes Claros.
Requerida pelo deputado
Paulo Guedes (PT), um dos objetivos da reunião foi
discutir os impactos ambientais da construção
de um aterro sanitário na região conhecida
como Mimoso, localizada a 14 quilômetros de Montes
Claros, pela empresa Revita.
De acordo com Edilson Silva,
muitos produtores rurais estão sem saber o que farão,
caso o aterro seja realmente implementado na região.
"Nossas propriedades serão desvalorizadas, além
dos problemas que teremos com animais, como ratos e urubus",
comentou. Segundo Silva, o Movimento SOS Mimoso já
conseguiu reunir cerca de 2.500 assinaturas para que o projeto
não seja implementado pela empresa Revita, que adquiriu
o terreno na comunidade de Mimoso que se destinaria à
construção do aterro. Outro problema apontado
por alguns participantes da audiência é que
o local onde a empresa pretende construir o aterro estaria
próximo de três afluentes do Rio Verde Grande.
Segundo o supervisor da unidade
da empresa Revita em Montes Claros, Cláudio Pinto
Leite, já foi formalizado, junto à Superintendência
Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
(Supram) do Norte de Minas, um protocolo para a obtenção
do licenciamento ambiental para a implementação
do aterro sanitário em Mimoso. Ele afirmou que a
empresa, que já presta serviços de limpeza
urbana para a prefeitura do município há quase
um ano, analisou um total de onze regiões municipais
até constatar que a mais adequada para o empreendimento
seria a região de Mimoso.
O diretor do departamento jurídico
da Supram, Yuri Trovão, esclareceu aos moradores
presentes que protestaram contra a instalação
do aterro sanitário em Mimoso, que o processo que
foi formalizado pela empresa Revita, há cerca de
20 dias, e que se encontra em fase de análise, é
relativo à obtenção de uma licença
prévia, que apenas atestaria a viabilidade do empreendimento
no local pretendido. "Mesmo se a empresa conseguir
essa licença, isso ainda não garantirá
a ela a obtenção das licenças posteriores",
afirmou.
Ele também disse que o
fato da empresa já ter adquirido um terreno em Mimoso
não pode ser visto como um pré-requisito para
a obtenção do licenciamento prévio.
Trovão também esclareceu que todo empreendimento
que possui qualquer risco de impacto ambiental a uma região
gera a abertura de um prazo para que alguma instituição
interessada possa requerer uma audiência pública
para que o problema seja discutido. Segundo o diretor jurídico
da Supram, o Ministério Público já
teria solicitado a realização dessa audiência,
que ainda será marcada.
O diretor defendeu a construção
de aterros sanitários como a forma mais adequada
de depósito de resíduos sólidos. Atualmente
Montes Claros deposita seus resíduos em um lixão
a céu aberto, sem nenhum tipo de controle ambiental.
Legislação - O
deputado Célio Moreira (PSDB), presidente da comissão,
lembrou que até 2014 todos os municípios deverão
possuir aterros sanitários, conforme prevê
a Lei 12.305, de 2010, que institui a Política Nacional
de Resíduos Sólidos. Ele considerou que muitos
gestores municipais no Estado não têm dado
a devida importância para a questão dos lixões,
classificado por ele como um assunto importante, já
que diz respeito não apenas à questão
ambiental, mas também à saúde pública.
Para o chefe do escritório
regional do Ibama em Montes Claros, Rafael Macedo Chaves,
a atuação dos Poderes Executivos municipais
na questão dos lixões é falha, na medida
em que não é feita uma fiscalização
educativa, coercitiva ou até mesmo punitiva para
aqueles que utilizam áreas para depósitos
de lixo.
Protocolo de
intenções foi assinado por municípios
para construção de aterro
O secretário
municipal de Meio Ambiente de Montes Claros, Aramis Mameluque
Mota, afirmou que já foi assinado um protocolo de
intenções com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Regional e Política Urbana (Sedru), para a realização
de um consórcio intermunicipal entre Montes Claros
e Glaucilândia, para criar um aterro sanitário
que atendesse aos dois municípios. Segundo ele, o
consórcio apresenta-se como uma boa alternativa,
uma vez que a implementação de um aterro sanitário
custaria a cada município cerca de R$ 10 milhões.
Ainda de acordo com Mota, não
há uma previsão para que a implementação
do aterro seja efetivada, uma vez que, por enquanto, a prefeitura
assinou apenas um protocolo de intenções com
a Sedru. De qualquer forma, ele disse que o fato da empresa
Revita já ter dado início a um processo para
a construção do aterro na cidade, não
impede que o município, em parceria com o governo
Estadual, crie outro aterro de gestão pública.
Quanto ao receio da população
de que um aterro traria problemas para as comunidades locais,
ele afirmou que esse tipo de empreendimento tem critérios
rigorosos, que não apresentam riscos de contaminação
do solo. Além disso, ele informou que, no caso de
Montes Claros, 68% do lixo produzido é composto de
resíduos orgânicos, o que poderia beneficiar
os produtores rurais.
Impactos de
empreendimento imobiliário também são
discutidos
Outro
assunto discutido durante a audiência pública
foi a construção de um complexo residencial
na Serra do Mel, na parte oeste de Montes Claros, também
conhecida como Serra do Ibituruna ou Serra do Sapucaia.
A população questiona os impactos ambientais
que o empreendimento causaria.
O representante do Movimento
SOS Sapucaia, Soter Magno, afirmou que a organização
já reuniu cerca de 15 mil assinaturas em 90 dias,
solicitando a revisão da lei orgânica do município.
Essa lei, alterada em 2009, passou a incorporar ao perímetro
urbano do município a área onde se localizaria
o futuro empreendimento imobiliário. Os moradores
questionam a legitimidade dessa alteração,
que não contou com a participação da
população. "A região da Serra
do Mel é de extrema importância ambiental para
a cidade e isso não foi levado em consideração",
comentou, Magno.
Durante a reunião, o deputado
Paulo Guedes leu um documento encaminhado ao seu gabinete
pelas empresas Caparaó e Patrimar, responsáveis
pelo empreendimento imobiliário na Serra do Mel,
no qual elas comunicavam que, até o momento, não
haviam protocolado pedido de licenciamento ambiental em
nenhum órgão municipal para a construção
do complexo residencial.
Segundo o documento, as empresas
ainda estariam em fase de estudos técnicos de caráter
ambiental relativos à implementação
do edifício na Serra do Mel. As empresas afirmaram
ainda que a proposta do empreendimento contemplaria um parque
municipal público, o que, segundo elas, aumentaria
o compromisso com a preservação das áreas
verdes da Serra do Mel. O secretário municipal de
Meio Ambiente, Aramis Mameluque Mota, afirmou que, de fato,
não há nenhum processo de licenciamento já
oficializado junto ao órgão. Ele também
disse que foi informado que o projeto, que originalmente
previa a ocupação de uma área de 100
hectares, estaria sendo reformulado.
Presenças - Deputados
Célio Moreira (PSDB) e Paulo Guedes (PT). Também
participaram da reunião o vice-presidente do PV de
Montes Claros, Antônio Henrique Sapori; e o vereador
e presidente da Câmara de Montes Claros, Valcir Soares
da Silva.
via Imprensa
| ALMG