domingo, 2 outubro, 2011 16:00
Parceria
agiliza processo de implantação do Projeto
Jequitaí
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Divulgação/Codevasf |
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Projeto
Jequitaí está em fase de implantação |
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Fruticultores
do Norte de Minas serão beneficiados com o projeto |
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Governo de Minas e Codevasf agilizam
processo de implantação do Projeto Jequitaí
com investimentos previstos da ordem de R$ 1,3 bilhão
a serem aplicados num prazo de 12 anos.
Trata-se de um empreendimento
que viabilizará a incorporação de 35
mil hectares de lavouras irrigadas na região do semiárido
mineiro, contemplando 19 cidades sediadas no entorno do
município de Jequitaí. Parceiros intensificam
os trabalhos para lançamento do edital de implantação.
Além do incremento da
agricultura irrigada, o empreendimento se constituiu numa
iniciativa considerada importante por parte dos governos
Estadual e Federal, no sentido de garantir o abastecimento
de água em vários municípios, que anualmente
sofrem com os longos períodos de seca.
Por meio da construção
de duas barragens, o Vale do Jequitaí, localizado
numa região onde predomina a agricultura de sequeiro
entre a Serra do Espinhaço e a Serra do Onça,
no Norte de Minas, passará a acumular 800 milhões
de metros cúbicos de água. A iniciativa atenderá
a uma reivindicação histórica, de mais
de 50 anos. O projeto é considerado fundamental para
alavancar a economia da região, que possui um dos
menores Índices de Desenvolvimento Humano - (IDH)
do Estado.
Além da produção
de alimentos, as duas barragens previstas no projeto garantirão
o abastecimento da população residente em
19 municípios atendidos pela Companhia de Saneamento
de Minas Gerais (Copasa); contribuirá na contenção
de cheias nos períodos chuvosos e na perenização
do Rio Verde Grande, um dos principais afluentes do Rio
São Francisco em Minas Gerais.
Dados do Plano Diretor de Agricultura
Irrigada elaborado em parceria pelo Governo de Minas Gerais,
Ministério da Integração Nacional e
Instituto Interamericano de Cooperação para
a Agricultura (IICA), apontam que o Estado tem condições
de triplicar sua atual área irrigada de 525 mil hectares.
Segundo o estudo, o potencial pode chegar a três milhões
de hectares.
Cada hectare irrigado corresponde
a um emprego direto e dois indiretos, o que significa dizer
que o Projeto Jequitaí será responsável
pela geração de 105 mil postos de trabalho.
A produção agrícola anual projetada
é de 522 mil toneladas de alimentos, devendo predominar
o cultivo de frutas, conforme já acontece em outros
perímetros irrigados implantados no Norte de Minas,
como é o caso dos projetos Jaíba, Pirapora,
Lagoa Grande e Gorutuba.
A influência direta do
Projeto se dará numa área que engloba doze
municípios, com população total de
587 mil habitantes. São eles: Jequitaí, Engenheiro
Navarro, Claro dos Poções, Francisco Dumont,
Lagoa dos Patos, Várzea da Palma, Pirapora, Buritizeiro,
Coração de Jesus, Joaquim Felício,
Bocaiúva e Montes Claros.
Parceria
Convênio de Cooperação Técnica
e Financeira assinado em abril deste ano entre os governos
Estadual e Federal, por meio da Fundação Rural
Mineira (Ruralminas) e Companhia de Desenvolvimento dos
Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf)
está viabilizando a atualização do
cadastramento fundiário; a avaliação
e aquisição das terras para implantação
do sistema de barragens de múltiplo uso e da bacia
de acumulação. Além disso, o convênio
no valor de R$ 95 milhões determina a atualização
do levantamento socioeconômico, considerando o remanejamento;
o reassentamento de populações residentes
na área de abrangência do Projeto Jequitaí;
a participação conjunta dos governos Estadual
e Federal no processo de licenciamento ambiental da obra
e a elaboração de estudos de viabilidade de
parceria público-privada.
A Ruralminas já iniciou
processo de contratação do inventário
florestal da área a ser ocupada pelas barragens do
Projeto Jequitaí, além do levantamento socioeconômico
das famílias impactadas. Técnicos da Fundação
estão avaliando as propriedades que serão
impactadas pela construção das duas barragens.
Juntas, elas formarão um lago com área de
nove mil hectares.
Na área de 35 mil hectares
a Codevasf prevê que serão assentados 1.278
pequenos produtores rurais, entre eles 276 famílias
que atualmente trabalham na região, a maioria com
agricultura de sequeiro. Já a área empresarial
será ocupada por 153 empresários através
de Parceria Público-Privada (PPP), cujo modelo ainda
está em fase de definição.
O superintendente da Companhia
de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba
(Codevasf) em Minas Gerais, Aldimar Dimas Rodrigues entende
que “o Projeto Jequitaí é um empreendimento
de fundamental importância para o desenvolvimento
do Norte de Minas, bem como para a alavancagem do agronegócio
no Estado”. Isso porque, explica, quando totalmente
implantado o Projeto terá condições
de gerar 35 mil empregos diretos, além de viabilizar
o incremento da produção agrícola numa
região próxima dos grandes centros consumidores
do país.
Outra vantagem apontada pelo
superintendente é o fato de que o empreendimento
ficará localizado numa região já dotada
de infraestrutura de transporte rodoviário e ferroviário,
além de possibilitar o incremento de outras cadeias
produtivas, entre elas o turismo e a piscicultura.
O superintendente da Codevasf
em Minas Gerais salienta que “os recursos para a implantação
do empreendimento estão assegurados, visto que integra
uma das prioridades do Plano de Aceleração
do Crescimento – PAC 2, administrado pelo Governo
Federal.” Para a primeira etapa das obras o Governo
destinará R$ 85,5 milhões com contrapartida
de R$ 9,5 milhões do Governo do Estado. Até
2014 serão investidos R$ 304 milhões na construção
da primeira barragem, com 42 metros de altura.
Além da Ruralminas estão
envolvidos no convênio o Ministério da Integração
Nacional, por meio da Codevasf, a Secretaria de Estado de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG),
a Secretaria de Estado de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha
e Mucuri e do Norte de Minas (Sedvan) e a International
Finance Corporation (IFC), agência ligada ao Banco
Mundial.
Empreendimento já
atrai empresários
Vice-presidente da Associação dos
Engenheiros Agrônomos do Norte de Minas (AGRONM),
o chefe de gabinete da Codevasf em Minas Gerais, George
Fernando Lucílio de Britto entende que pelo fato
do Projeto Jequitaí estar localizado no centro do
segundo entroncamento rodoviário do país (entre
as BRs 356 e 135, que interligam o Centro/Sul ao Nordeste),
“tudo indica que os empresários que se instalarem
na região darão prioridade à agregação
de valor à produção agrícola”.
Uma das vantagens que atrai a atenção de empresários
e produtores rurais é o fato de que metade da área
a ser irrigada poderá ser viabilizada por gravidade,
o que reduzirá em 50% as despesas com pagamento de
tarifas de energia elétrica , observa o técnico.
A Codevasf prevê que a
construção das duas barragens será
executada num prazo de seis anos, gerando cerca de cinco
mil empregos diretos. As obras têm previsão
de serem iniciadas em abril de 2012. Paralelo ao incremento
da agricultura irrigada, as barragens vão gerar 20
megawats de energia, “o que tornará o empreendimento
autossustentável”, destaca o chefe de gabinete.
De olho em novas oportunidades
de negócios, Fernando Britto revela que empresários
de várias regiões do país já
têm manifestado o interesse em participar do Projeto.
Outros estão interessados em investir na ampliação
ou instalação de novos empreendimentos nos
municípios localizados no entorno, entre eles, construção
de restaurantes, hotéis e residências.
“A demanda pela busca de
informações detalhadas sobre o Jequitaí
tem aumentado consideravelmente e a tendência é
de que isso aconteça com maior velocidade, principalmente
a partir do momento em que for publicado o edital para construção
da primeira barragem”, prevê Fernando Britto.
O edital de licitação deverá ser lançado
até outubro.
O engenheiro explica que “pelo
fato da implantação do Projeto está
sendo estudado há mais de 40 anos, o empreendimento
não enfrenta problemas ambientais. Tanto é
que já possui licença prévia, o que
viabiliza a realização de licitação
para o início das obras”.
Para obtenção da
licença de instalação, a Codevasf está
trabalhando junto com a Ruralminas na agilização
dos processos de negociação de terras e seleção
de área que se constituirá na reserva legal
do empreendimento. As questões sociais que envolvem
o Projeto também estão sendo alvo de ações
por parte dos governos Estadual e Federal, visto que tanto
produtores como trabalhadores e arrendatários rurais
serão indenizados. Para o pagamento de desapropriações
e regularização de questões fundiárias
e ambientais a Codevasf já repassou R$ 40 milhões
à Ruralminas.
Ruralistas veem novo
alento para o agronegócio
O presidente da Associação dos Fruticultores
do Norte de Minas (Abanorte), Jorge Luiz de Souza entende
que a implantação do Projeto Jequitaí
traz novo alento para o agronegócio norte-mineiro,
sobretudo no que se refere ao aumento do potencial hídrico
da região. Ao destacar que a região do semiárido
mineiro já conta com quase 20 mil hectares de fruticultura,
gerando cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos, o
empresário frisa que pelo fato de se tratar de um
empreendimento de grande envergadura, o Projeto Jequitaí
já deverá ser implantado tendo como base estudos
que possibilitem a produtores rurais e empresários
viabilizarem a diversificação da produção
agrícola regional.
“Os governos Federal e
Estadual devem se aliar a instituições como
a Epamig, Sebrae, universidades e entidades empresariais
e ligadas à iniciativa privada visando a implementação
de estudos que, futuramente, possam orientar produtores
rurais e empresários quanto às melhores opções
de aproveitamento das potencialidades do novo perímetro
irrigado. Isso evitará a ocorrência de problemas
de saturação do mercado por produtos agrícolas
já produzidos em larga escala”, salienta Jorge
Luiz.
Por sua vez o presidente da Sociedade
Rural de Montes Claros, Osmani Barbosa Neto destaca que
“a implantação do Projeto Jequitaí
é altamente importante para a região do semiárido
mineiro. Trata-se de um sonho dos produtores rurais que
beneficiará não apenas o incremento da produção
agropecuária, mas diversos outros setores produtivos
e da sociedade, com geração de emprego e renda”.
O ruralista lembra que
“a região de Juazeiro e Petrolina, em Pernambuco,
depois que passou a contar com um grande projeto de irrigação
alavancou seu processo de desenvolvimento e, atualmente,
se constitui numa das grandes exportadoras de alimentos
para várias regiões do mundo. E o Norte de
Minas já começa a vislumbrar novos horizontes
com o incremento da produção agrícola
nos perímetros irrigados já instalados na
região. Certamente, o Jequitaí dará
novo alento ao agronegócio regional”, prevê
Osmani Barbosa.
via
Agência Minas
http://www.agenciaminas.mg.gov.br