sábado, 22 outubro, 2011 17:56
Criação
de peixes é alternativa para atividade predatória
|
|
| |
|
|
| |
Ricardo
Barbosa/ALMG |
|
| |
 |
|
| |
A
Comissão de Turismo tem percorrido o interior
de Minas para debater política da pesca |
|
| |
|
|
A criação
de peixes em tanques-rede e a capacitação
dos pescadores profissionais para serem guias em barcos
de pesca esportiva são algumas das alternativas para
fazer frente à atividade predatória.
O assunto foi discutido
nesta sexta-feira (21/10/11), no município de Nova
Ponte (Triângulo Mineiro), em audiência pública
da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio
da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Por iniciativa do presidente
da comissão, deputado Tenente Lúcio (PDT),
a pesca esportiva já foi tratada também em
reuniões nos municípios de Capitólio,
Três Marias e Sacramento.
O objetivo é
elaborar propostas para o incentivo dessa atividade. De
acordo com o presidente, o documento, que deve ser preparado
com a contribuição dos vários segmentos
envolvidos e de especialistas, deve virar um projeto de
lei, que pode ser apresentado por ele mesmo, ou pelo Executivo.
“Sabemos que vamos encontrar barreiras, mas precisamos
garantir segurança jurídica para as empresas
que querem investir nas cidades com vocação
para a pesca”, justificou.
O deputado Elismar Prado (PT)
destacou o potencial de Nova Ponte para a pesca esportiva
e defendeu investimentos em infraestrutura para que a atividade
possa alavancar o turismo na região. “Precisamos
desenvolver políticas que viabilizem a pesca de forma
sustentável e consciente, com a capacitação
da população também”, afirmou.
Especialista
garante que pesca esportiva é mais lucrativa
A lucratividade
da pesca esportiva foi defendida pelo presidente da Federação
Mineira de Pesca Esportiva, Alexandre Estanislau. Ele relatou
viagem recente que fez com um grupo de 17 pessoas para pescar
na Amazônia e os recursos que esse tipo de turismo
movimenta, desde passagens, hotéis, barcos e combustível,
até mão de obra local, como guias, barqueiros
e cozinheiros.
Estanislau também contou
que, na Austrália, os guias de pesca são regulamentados
e a licença que têm para pescar é válida
também para os passageiros que seu barco comporta.
Lá, segundo ele, esses profissionais cobram 550 dólares
de diária.
“A pesca mobiliza muitas
pessoas, mas a pesca esportiva ainda é muito tímida
no Brasil”, afirmou, considerando esse dado um indicativo
de oportunidade de negócio. Ele também defendeu
o controle da pesca profissional. “Belo Horizonte
tem 35 mil carteiras de pesca profissional e não
há rios para se pescar lá”, criticou.
Para o diretor da Associação
de Pesca Esportiva e Consciência Ambiental de Uberlândia,
Marlúcio Ferreira, é preciso diferenciar a
pescador que pratica a pesca esportiva do profissional.
“Nós somos pescadores esportivos e ambientalistas
e precisamos de lei e fiscalização. Em troca,
oferecemos emprego, renda e proteção ambiental”,
concluiu.
Pesca profissional - Jornalista
da Revista Pesca e Cia., Lester Escalon desafiou os participantes
da audiência a encontrarem um pescador profissional
que sobreviva exercendo sua atividade dentro da lei. Segundo
ele argumentou, os recursos para a pesca extrativista estão
se esgotando e, com instrumentos amadores, um pescador profissional
não conseguiria peixes suficientes para garantir
seu sustento. “Quando o Estado concede a carteira
de pescador, ele está criando um transgressor da
lei”, afirmou.
O jornalista acrescentou ainda
que, no mundo inteiro, somente Brasil, Quênia e Paraguai
legalizam o extrativismo de peixes. Lester Escalon informou
que, no Brasil estão 90% dos tucunarés que,
por sua agressividade, são os peixes mais procurados
na pesca esportiva. Isso, de acordo com o jornalista, reforça
a vocação do País para essa modalidade
de pesca.
Representante
da Semad defende ajustes na legislação
O diretor
de Fiscalização da Pesca da Secretaria de
Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
(Semad), Marcelo Coutinho Amarante, acredita que o Estado
precisa ajustar sua legislação de pesca, que
é de 2002. Ele também defende os criatórios
de peixes como alternativas viáveis para os pescadores
profissionais, mas acrescenta que é preciso conscientizar
o cidadão. Na opinião dele, os programas do
governo que financiam equipamentos de pesca deveriam, primeiramente,
capacitar os pescadores para exercerem a atividade de forma
sustentável. “Não é possível
matar os pintinhos e depois querer comer frango”,
disse, alertando para a pesca de peixes fora do tamanho
exigido pela legislação.
O representante da Semad também
chamou atenção para o impacto das construções
de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), cujos
pedidos vêm aumentando, segundo ele. Marcelo Coutinho
esclareceu que os barramentos diminuem a temperatura da
água e, ao mesmo tempo, impedem que os peixes subam
para se reproduzirem em águas mais quentes.
O comandante do 2° Pelotão
de Nova Ponte, tenente PM Oscar Correia Quintão,
defendeu que a pesca com equipamentos profissionais não
seja permitida nos lagos novos. Ao mesmo tempo, ele entende
que os pescadores precisam ser capacitados e a implantação
de tanques-rede facilitada para permitir que as pessoas
que vivem da pesca possam deixar o extrativismo. “Estamos
exigindo reserva legal de quem vai criar peixe”, exemplificou.
Ele ainda sugeriu o controle do atravessador para reduzir
a pesca irregular.
Qualidade as
águas também preocupa
A preocupação
com a qualidade das águas foi apresentada pelo presidente
da Federação Brasileira de Pesca Esportiva,
Neudon Veloso. Ele explicou que, embora Nova Ponte já
tenha 100% do esgoto tratado, essa não é uma
realidade de todos os municípios onde a pesca é
desenvolvida.
Neudon Veloso relatou
que foi movida uma ação civil pública
contra a Cemig, há quatro anos. A ação
questiona a empresa por não manter reserva legal
pela represa de Nova Ponte, que deveria ser de 8 mil hectares;
não ter escada de peixes nas hidrelétricas
e nem ter elaborado plano diretor de todos os municípios
limítrofes. Além disso, segundo ele, não
está sendo respeitado o limite de 100 metros em volta
da lagoa para mata ciliar. “A Cemig distribui mudas
para os fazendeiros, mas a obrigação de reflorestar
é dela”, avalia.
O representante da
Cemig, Pedro Lucena, rebateu as críticas alegando
que a empresa faz monitoramento da água, dos peixes,
dos efluentes e da erosão do solo e que sofre auditorias
a cada três meses. Ele ainda afirmou que a
Cemig mantém equipes ambientais em todas
as regiões onde possui represas.
via
Assessoria de Imprensa ALMG
www.almg.gov.br
Leia também:
Topesca
Nova Ponte 2011 acontece em outubro