quinta-feira, 5 janeiro, 2012 0:30
Secretaria
de Saúde recomenda cuidados com a saúde durante
período chuvoso
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Lúcia
Sebe/Secom MG |
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Cataguases
é uma das cidades afetadas pelas fortes chuvas
de 2012 |
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Com a chegada do verão,
com chuvas intensas e constantes, é hora de redobrar
o cuidado e atenção com a saúde. Entre
os malefícios que elas podem causar estão
as doenças de veiculação hídrica,
nome dado às doenças que têm relação
direta com a água, como a leptospirose e a dengue.
Em Minas Gerais, dezembro e janeiro
são os meses em que se concentram os maiores números
de casos de leptospirose, por exemplo. Causada pela bactéria
Leptospira, presente na urina de ratos e transmitida ao
homem por meio do contato com a pele, a leptospirose provocou
a morte de 12 pessoas em 2010 e nove em 2011. Nos dois anos,
o período de maior incidência se deu no mês
de janeiro, com quatro óbitos.
De acordo com o médico
infectologista da Superintendência de Vigilância
Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde
de Minas Gerais (SES-MG), Frederico Figueiredo, a melhor
forma de prevenir a doença é evitar o contato
com águas de inundação, lama e outros
resíduos que ficam nas casas depois que ocorrem enchentes
ou inundações. “Quando for inevitável
entrar em contato com essa água é importante
o uso de luvas e botas. Se a pessoa não as tiver,
é possível improvisar com sacos plásticos,
colocando dois sacos nas mãos e dois nos pés
para evitar o contato direto com a lama e com a água”,
completa.
A leptospirose apresenta sintomas
semelhantes aos da gripe e da dengue, ou seja, é
comum os pacientes apresentarem febre, dor de cabeça
e dores pelo corpo (principalmente na panturrilha). Também
podem aparecer sintomas como vômitos, diarreia e tosse.
Para evitar uma possível
subestimação do problema, que pode causar
consequências graves, Frederico Figueiredo alerta
para a importância de se procurar atendimento especializado.
“Aos primeiros sintomas, a pessoa deve procurar o
Centro de Saúde. Tanto a leptospirose, quanto a dengue
e a meningite têm sintomas iniciais muito parecidos,
porém o tratamento é diferente para cada caso.
Enquanto a dengue é tratada basicamente com hidratação,
para as meningites e a leptospirose é fundamental
que haja a introdução do antibiótico
de forma rápida. É essa agilidade que vai
fazer, muitas vezes, diminuir a letalidade dessas doenças”,
alerta.
É importante ressaltar
que a leptospira penetra na pele através de pequenos
ferimentos e, até mesmo, pela pele íntegra
se houver um contato prolongado com a água e com
a lama. “Sempre que houver alguma lesão na
pele é importante lavar bem o ferimento com água
e sabão, e procurar assistência médica
para que seja feita uma avaliação do caso.
Pode ser que seja necessário tomar vacinas ou fazer
algum procedimento específico para aquele tipo de
ferimento, como uma sutura, por exemplo”, completa
o médico.
Os ferimentos presentes na pele,
além de facilitar a infecção pela leptospira,
podem ser fonte de entrada para a bactéria Clostridium
tetani, causadora do tétano. Ela está presente
nas fezes humanas e de animais, na terra, nas plantas, e
até em objetos, podendo infectar pessoas de qualquer
idade.
Em 2010, foram confirmados 20
casos de tétano acidental em Minas Gerais e quatro
óbitos. O número de notificações
em 2011 foi o mesmo de 2010, porém está sujeito
a alterações; também foram constatados
cinco óbitos. A doença ataca principalmente
o sistema nervoso central, provocando rigidez muscular em
todo o corpo, dificuldade para abrir a boca e engolir. Sintomas
como irritabilidade, dor de cabeça, febre e deformações
no rosto também podem se manifestar.
“Não existe vacina
para dengue e leptospirose, mas para tétano tem.
A vacina é gratuita e está disponível
nos centros de saúde. Inclusive, a vacina já
faz parte do calendário vacinal das crianças,
sendo necessário fazer o reforço de dez em
dez anos. Por isso é muito importante estar com o
cartão vacinal atualizado”, afirma Frederico
Figueiredo.
Além da vacina, é
fundamental que as pessoas cuidem bem dos seus ferimentos,
lavando-os com água e sabão. Esse cuidado
faz com que as possíveis toxinas sejam retiradas
do corpo, não penetrando nas feridas e evitando,
assim, o contágio.
Limpeza do ambiente
Caso haja inundações,
é necessário fazer uma limpeza minuciosa do
ambiente atingido pela água e lama. A água
sanitária é indicada para a limpeza dos reservatórios
de água e dos locais que podem ter sido contaminados.
O Ministério da Saúde orienta o uso de um
litro de água sanitária para mil litros de
água.
“É sempre bom orientar
que a água sanitária é um produto perigoso.
Deve ser mantido longe das crianças e pode causar
queimaduras sérias. Por isso a diluição
deve ser feita de forma criteriosa. O Centro de Saúde
possui manuais que orientam a diluição para
limpeza de paredes e chão das casas. Durante a limpeza,
é necessário usar luvas e botas para proteção”,
alerta o médico infectologista da SES-MG, Frederico
Figueiredo.
Cuidados após as chuvas
Para minimizar os danos que as
chuvas podem causar é importante tomar alguns cuidados,
como não jogar lixo na rua, em lotes vagos, quintal
de casa e nos rios, antes que elas aconteçam. Isso
porque o lixo, quando jogado nas ruas, entope bueiros e
bocas de lobo, provocando inundações. E o
lixo jogado nos córregos pode represar a água,
causando mais enchentes. Além disso, o lixo favorece
a proliferação de mosquitos, ratos e baratas.
Após as chuvas, outros
cuidados também são necessários. A
Superintendência de Vigilância Epidemiológica
da SES-MG alerta para alguns deles:
- Não usar água
contaminada pelas enchentes para beber, lavar pratos, escovar
os dentes, lavar e preparar alimentos ou fazer gelo.
- Não consumir alimentos
que tenham sido contaminados pela água da enchente.
- Jogar fora medicamentos e alimentos
(frutas, legumes, verduras, carnes, grãos, leites
e derivados, enlatados) que entrarem em contato com a água
da enchente, mesmo que estejam embalados com plásticos
ou fechados, pois, ainda assim, podem estar contaminados.
- Lavar bem as mãos antes
de preparar alimentos e ao se alimentar.
- Utilizar somente água
potável, que não tenha tido contato com a
chuva, para beber e na preparação dos alimentos,
especialmente das crianças menores de um ano.
- Se o abastecimento de água
tratada estiver comprometido, devem ser adotados mecanismos
mais seguros, como ferver a água por dois minutos
ou adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio 2,5%
(água sanitária) para cada litro de água,
aguardando 30 mintos antes do consumo (o hipoclorito de
sódio 2,5% para tratamento da água de consumo
é distribuído pelos postos de saúde
e equipes de PSF).
- Evitar andar com os pés
descalços em água de enchente. Se for inevitável,
usar luvas e botas de borracha ou plásticos duplos
amarrados nas mãos e nos pés, evitando o contato
da pele e de ferimentos com água da enchente.
- Não deixe que as crianças
brinquem com água parada ou nas enxurradas.
- No caso de haver inundações,
remover a lama e a água contaminada de sua casa,
sempre protegendo os pés e as mãos com botas
e luvas ou sacos plásticos.
- Limpar o piso e as paredes
com uma solução de água sanitária:
para um balde de 20 litros de água, adicionar quatro
xícaras de café (50 ml) ou um copo de 200
ml de água sanitária.
- Não encostar ou colocar
as mãos em postes ligados à rede elétrica.
- Na época das enchentes,
são comuns os cortes, arranhões e outros ferimentos.
Manter em dia o cartão de vacina e tomar cuidado
no momento da limpeza.
- Para controlar o aumento do
número de mosquitos, eliminar toda água parada
existente em objetos como pneus, garrafas, vasos de plantas,
latas, etc.
- Tomar cuidado com os animais
peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas.
Eles podem estar escondidos ao redor ou mesmo dentro das
casas, próximos a entulhos, lixos e alimentos espalhados
pelo ambiente.
via
Agência Minas
| Leia
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MG 2012 |
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