Dia Internacional da Mulher 2009

Uberlândia

Osteoporose merece maior atenção das mulheres

quinta-feira, 5 março, 2009 15:30

Mulheres guardam, por vezes, muito mais segredos e dúvidas do que um homem pode imaginar. TPM, anorexia, displasia, gravidez, celulite, climatério, menopausa, envelhecimento são temas específicos da saúde feminina e deixam muita gente encucada. Mas de todas estas coisas do universo de quem usa salto alto e adora um batom, a osteoporose é aquela que mais atemoriza as mulheres. No Brasil, anualmente, 2,4 milhões de fraturas acontecem por causa da enfermidade.

“Posso entender qualquer coisa, mas quando se trata de compreender a cabeça de uma mulher, me sinto caminhando sobre um terreno minado”. Quantas vezes você já escutou este tipo de frase? Desde que os homens descobriram que o gênio difícil das companheiras não é fruto apenas de um dia complicado no trabalho e que a tensão pré-menstrual (popular TPM) pode deixá-las totalmente enlouquecidas, vivem querendo encontrar o ponto de equilíbrio na maneira de lidar com elas.

No período da infância para a adolescência chega a menstruação e com ela vários sintomas que fazem com que os hormônios femininos borbulhem em uma efervescência inexplicável. “Só sendo mulher para compreender essa montanha-russa de sensações que nos deixam fortes, vulneráveis, felizes, tristes e muito sensíveis em apenas um minuto. Quero só ver quando a menopausa aparecer e esta fase maluca chegar ao fim. Ao mesmo tempo que sei que este momento vai chegar, tenho medo do que vem pela frente”, conta Fernanda Souto, estudante, 21 anos.

Ainda que pareça estranho, a jovem não compartilha desta apreensão sozinha. Todas as mulheres que vivem em uma sociedade como a nossa, onde há a valorização da juventude e da fertilidade, fazem com que o climatério (ou menopausa – período em que há uma transição na fase reprodutiva e não reprodutiva) represente o medo do desconhecido e gere a sensação de inutilidade. Mas o que muita gente precisa saber (tanto as mulheres quanto os homens) é que somente a informação sem preconceitos pode combater a insegurança e a confusão que esta temível palavra pode impor à vida de uma mulher.

Entenda melhor
Os períodos reprodutivos femininos (assim como os masculinos) são constituídos por fases. Em seu ápice, as mulheres apresentam grande ovulação mas quando passam a ter um declínio hormonal (o que acontece quando elas entram na faixa etária entre os 45 e 55 anos), há uma queda nos níveis do hormônio estradiol (o mais potente estrogênio ovariano e placentário), o que causa os vários sintomas da menopausa. As típicas ondas de calor, as alterações no humor, o nervosismo repentino, a falta de lubrificação vaginal, a perda de elasticidade da pele (atenuando as indesejáveis rugas) e o cansaço sem motivo aparente são apenas algumas das características que marcam esta fase transitória. Mas sem dúvida, a osteoporose é um dos fatores que podem surgir com o climatério e que merecem maior atenção da população feminina.

Osteoporose
“Antes da menopausa, o estrogênio mantém os ossos fortes porque previne a perda descontrolada de cálcio. Depois que a mulher completa 30 anos, um declínio lento e constante da densidade óssea faz com que os ossos fiquem mais finos e suscetíveis a fraturas. A partir dos 45, quando elas entram no climatério, há uma queda maior ainda desse hormônio e o processo de enfraquecimento ósseo acelera. Tudo isso porque a célula responsável pela destruição dos ossos predomina sobre as formadoras e o desgaste fica mais veloz”, explica o ortopedista do Hospital Orthomed Center de Uberlândia, Daniel Barros.

De acordo com o especialista, nessa faixa etária, as mulheres requerem atenção médica especial porque o risco de fraturas aumenta consideravelmente: 50% delas poderão quebrar algum osso por causa da osteoporose. “Mais de 10 milhões de brasileiros sofrem desta patologia e de cada três mulheres [com mais de 50 anos], uma é vítima desta sensibilização e da forte perda de massa óssea. Segundo estatísticas, muita gente não sabe que possui a doença e só quando quebra algum osso pela primeira vez é que recebe o diagnóstico tardio de osteoporose. São 75% de casos assim”, alerta o médico. “Por isso, quando a mulher entra no climatério, precisa procurar um ortopedista e intensificar o tratamento de prevenção. No Brasil, anualmente, 2,4 milhões de fraturas acontecem por causa da enfermidade, sendo que estas poderiam ser evitadas se a população tivesse um conhecimento maior sobre a doença”, reitera.

Cuidados
Daniel afirma que é possível ajudar a diminuir esse risco por meio de uma alimentação rica em cálcio. “A dose diária recomendada para mulheres acima de 19 anos é de 1.000 mg por dia; para as maiores de 50 anos, a taxa sobe para 1.200mg diárias - o que corresponde a três porções dos alimentos do grupo de laticínios. Nesta fase, é bom investir na ingestão de soja, de outros grãos, de sucos de frutas e de alimentos pobres em gordura”, instrui. Além da dieta, o ortopedista diz que existem muitas opções de tratamento para quem quer ter uma boa qualidade de vida nesta época. “Fazer atividades físicas regulares e com orientação profissional ajudam muito na fortificação do esqueleto e ainda assim, as mulheres precisam cuidar bem do corpo e do sono, priorizando uma melhora constante”, recomenda o médico.

Vale lembrar que fatores como o stress, a depressão, o sedentarismo, a exposição a certos produtos tóxicos como cigarros e álcool podem, inclusive, antecipar a chegada da menopausa. “Por isso, entender a menopausa - o que é e por quê se passa por ela – é o primeiro passo para enfrentar esse período cheio de oscilações. A informação está acima de tudo e através dela podemos prevenir muitos incômodos futuros”, conclui Daniel Barros.

Janaína Sorna
Serifa Comunicação


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