sexta-feira,
6 março, 2009 18:29
Mutirão
carcerário em presídios femininos do RJ
Mutirão carcerário
será promovido pelo CNJ em presídios femininos
do RJ para lembrar o Dia da Mulher
Em homenagem ao Dia
Internacional da Mulher no próximo domingo (08/03),
o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) dará
início, na próxima segunda-feira (09/03),
ao terceiro Mutirão Carcerário no Rio de Janeiro
(RJ), que atenderá duas unidades femininas do Complexo
de Gericinó.
O mutirão será
realizado nos presídios Talavera Bruce e Joaquim
Ferreira de Souza e terá quatro dias de duração.
Os dois presídios
abrigam atualmente 482 mulheres, que cumprem pena em regime
fechado e semi-aberto. Na próxima quarta-feira (11/03),
o presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, e o secretário-geral
do Conselho, Alvaro Ciarlini, estarão no Rio de Janeiro
a partir das 11h para acompanhar o andamento dos trabalhos
na penitenciária Talavera Bruce. Desde que foram
iniciados, em agosto do ano passado, os mutirões
carcerários promovidos pelo CNJ já concederam
mais de 2.000 benefícios em diferentes estados brasileiros.
O objetivo do projeto
é revisar a situação legal dos presos
condenados e provisórios de forma a evitar que irregularidades
na situação deles persistam. No Talavera Bruce,
presídio que será atendido pelo projeto do
CNJ na próxima semana, atualmente 321 mulheres cumprem
pena em regime fechado, embora ele tenha capacidade para
apenas 310 pessoas. A unidade Joaquim Ferreira de Souza,
por sua vez, abriga 161 internas que cumprem pena no regime
semi-aberto, pouco mais da metade de sua capacidade total.
Os presídios
foram escolhidos por possuírem somente presas condenadas,
com sentença transitada em julgado, segundo o juiz
da Vara de Execuções Penais (VEP) Rafael Estrela
Nóbrega. Atualmente, a população carcerária
do Rio de Janeiro gira em torno de 22.000 presos, dos quais
aproximadamente 1.000 são mulheres.
Benefícios - O terceiro
mutirão carcerário do RJ será realizado
em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado,
por meio da VEP. A expectativa é de que todos os
processos sejam apreciados nas duas penitenciárias.
Os benefícios concedidos pelos mutirões respeitam
a lei de execução penal. “A idéia
é beneficiar as mulheres com progressão de
regimes e livramento condicional, quando possível.
Pretendemos colocar todos os processos em dia”, declarou
Nóbrega. Participarão dos trabalhos 25 pessoas
(servidores e juízes) da VEP do Estado, além
de defensores públicos e promotores do Ministério
Público. Os funcionários vão trabalhar
em um ônibus adaptado para funcionar como um cartório,
que será disponibilizado pelo TJRJ na penitenciária
Talavera Bruce.
A equipe vai aproveitar os dias
de mutirão para agilizar o julgamento dos processos
e conceder benefícios a quem tem direito por lei.
As internas da unidade Joaquim Ferreira de Souza poderão
ser beneficiadas, por exemplo, com a concessão de
livramento condicional, regime aberto, trabalho extra-muro
e visita periódica ao lar. Já as do presídio
Talavera Bruce, que estão em regime fechado, poderão,
em alguns casos, se beneficiar de uma condição
semi-aberta. Durante os dias de mutirão, uma incubadora
social será instalada no local, com a missão
de facilitar a reinserção no mercado de trabalho
das egressas beneficiadas com liberdade condicional.
Os mutirões incentivados
pelo CNJ começaram no próprio Rio de Janeiro,
no ano passado, e já foram realizados também
nos Estados do Pará, Piauí e Maranhão.
Mais de 6.000 processos foram analisados durante os mutirões,
resultando na concessão de liberdade condicional
a 1.261 detentos e na soltura de 792 pessoas que já
haviam cumprido suas penas ou estavam presas irregularmente.
O Rio de Janeiro já recebeu dois outros mutirões
carcerários, nos quais foram analisados 2.153 processos
e concedidos 827 benefícios. A primeira etapa ocorreu
nos meses de agosto e setembro de 2008 e atendeu os presídios
Plácido de Sá Carvalho (Complexo Gericinó)
e Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos dos Goytacazes. Já
o segundo mutirão aconteceu em janeiro deste ano
no presídio Vicente Piragibe, em Bangu.
Alagoas - Também em comemoração
ao Dia Internacional da Mulher, o Tribunal de Justiça
de Alagoas (TJ/AL) realizará na próxima quarta-feira
(11/03) um mutirão na penitenciária feminina
Santa Luzia. A ação, que será realizada
em parceria com a Secretaria Estadual da Mulher, tem como
objetivo reavaliar individualmente cada processo das detentas.
A iniciativa também faz parte do plano de ação
do Judiciário estadual para reduzir o número
de presos provisórios em Alagoas. Atualmente o presídio
comporta 110 detentas provisórias e 6 já condenadas.
Em 42 processos, as mulheres foram presas ao serem flagradas
levando drogas aos seus companheiros dentro dos presídios.
O mutirão também
dará às detentas a oportunidade de fazer o
registro civil. Muitas presas não possuem a certidão
de nascimento, o que dificulta o trabalho do judiciário
na localização dessas mulheres. Além
do atendimento jurídico, haverá assistência
médica e odontológica e o show musical “Elas
Cantam Bossa Nova”, com a participação
de várias cantoras alagoanas.
MB/SR | Agência
CNJ de Notícias